quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

A Descoberta do Corpo

Já havia algum tempo que eu andava me sentindo mal, tanto física quanto emocionalmente. Não tinha ânimo para me exercitar, me sentia cansada facilmente e não estava me alimentando direito. Uma recente infecção urinária era o que me forçava a me manter hidratada e ativa. Fui para um festival de música numa aldeia esperando descansar a mente, mas não pareceu o bastante. O lado bom foi ter feito uma massagem terapêutica que no fim revelou-se muito mais do que uma solução para as tensões musculares.

Havia pelo menos 5 massagistas diferentes no espaço, cada um de uma especialidade distinta, variadas técnicas à minha escolha – bambuterapia, terapia com cristais, reflexologia. Alguns usavam uniforme, cada um tinha sua maca e uma variedade de instrumentos. Mas havia uma moça jovem, ela estendia um lenço sobre uma colchonete de ioga e abria uma caixinha de óleos essenciais, sentava-se sobre as pernas e ficava aguardando, em silêncio. Eu já vinha observando-a desde o dia anterior. Foi sua simplicidade e seu silêncio que me cativaram.

Eu nunca tinha feito uma massagem com uma pessoa desconhecida antes. Ela conversou um pouco comigo antes de começarmos, pediu que eu me deitasse de costas, fechasse os olhos e respirasse profundamente. Então, começou pelos meus pés, subindo para as pernas, seguido dos quadris, costas e pescoço, antes que pedisse que eu me virasse de frente, dando continuidade para os braços, o colo e a barriga. Tentei ficar o mais relaxada possível, mas é inevitável não tencionar algum músculo, principalmente quando a região é sensível ao toque. Fiquei muito incomodada quando ela tocou meus calcanhares, senti uma dor imensa nos quadris e uma tensão na região do pescoço.

Ao término da sessão, com aquele cheirinho de cravo pairando no ar, conversamos mais um pouco. Disse a ela que era dançarina do ventre, e que por este motivo era muito irônico que meus tornozelos e quadris estivessem lesionados, ao que ela contradisse que era exatamente por forçar demais essas regiões do corpo que elas estavam precisando de um descanso. Quanto à tensão na região do pescoço e também nas costas, apesar de eu não ter sentido nada, ela me disse que era uma questão emocional – alguma bagagem que eu estava carregando desnecessariamente. Fiquei com isso na cabeça: qual seria minha bagagem?



Precisou alguns meses para eu lidar com o meu corpo novamente. Foi num workshop de dança contemporânea. O tema era investigações coreográficas. Eu esperava qualquer coisa, menos o que tive. Ao chegar na sala, me deparei com as demais alunas, de turmas mistas de jazz e ballet, com suas sapatilhas e coques bem feitos. Me perguntei por um momento se poderia tirar as meias e o que deveria fazer com meus cabelos. Eis que chega a professora, uma senhora, com vestes simples, descalça e cabelos soltos. Naquele momento soube que através dela eu teria as respostas que eu precisava. Sentamos em círculo, ela pediu que todas ficassem descalças e começamos o aquecimento massageando nossos pés, seguido das pernas, dos braços, do pescoço... ela também pediu que nos descabelássemos e não nos importássemos com a maquiagem para que o aquecimento fosse efetivo. Durante todo esse processo, conversamos. Em seguida, fizemos uma sequência que consistia em esticar as pernas e rotacionar o tronco sobre elas sentando e deitando novamente, ora pela direita, ora pela esquerda. Depois, ao invés de ficarmos de pés, ela nos pediu que ficássemos de cabeça para baixo e olhássemos umas para as outras por baixo das pernas. Cabelos pendurados, cara vermelha, respiração ofegante, brilho infantil nos olhos. Era o começo de uma longa experiência de quebra de padrões.

Toda a aula foi trabalhada, basicamente, sobre uma única sequência que mesclava movimentos de tai chi chuan como uma forma de dança. Essa sequência foi repetida, decorada, desconstruída e reconstruída até ficar exaustivo e orgânico. Começamos trabalhando em pontos aleatórios da classe, em direções opostas. Depois fizemos uma série de caminhadas para mudarmos de lugar. Depois fomos divididas em 2 grupos, onde um executava a sequência e o outro contemplava. Então começamos a fazer exercícios com os olhos fechados. E foi fechando os olhos que abrimos os ouvidos.

A maneira como a professora lidava com a música na sala era pelo menos curiosa para mim, que era movida pelo som. Quase não tivemos música. Tínhamos uma sequência, mas o ritmo era marcado pela respiração, pisadas, urros. Nossa sequência exigia que o corpo estivesse completamente relaxado. Não deveríamos usar ponta, nem alinhar a coluna. E o objetivo maior era desequilibrar. Jogar a cabeça para trás com intensidade, sem medo. O problema é que eu tinha medo, sentia uma dificuldade enorme de fechar os olhos por completo e ficar na escuridão. Cair e me machucar.

A professora percebeu esse receio por parte dos alunos então propôs uma atividade diferente. Formamos um círculo, na verdade uma barricada. Um a um, íamos ao centro para repetir a sequência de olhos fechados. Não precisava ter medo, dizia a professora, havia pessoas olhando por nós. Eu não era do ballet ou outra dança acadêmica, eu era de danças folclóricas, populares, femininas. Deveria ser mais fácil para mim. Eu sou da dança tribal e estamos sempre nos gabando desse tal conceito de tribo. Mas fazia muito tempo que eu não me sentia tão segura quanto numa roda de pessoas desconhecidas. Não havia certo ou errado, não havia julgamentos, feio ou bonito. Era somente um corpo movendo-se no espaço. Era a preocupação com o próximo, a empatia. Era deixar-se levar, perder o controle e assim, criar a dança. Criar uma dança a partir do silêncio, do sentimento, das sensações que percorriam a pele, os braços contra o ar, os pés no chão.

Por fim, nos sentamos para assistir dupla por dupla numa expressão livre sem hora para começar nem hora para terminar. Entravámos em cena, fechávamos os olhos, percebíamos a presença do outro pela respiração. Em um determinado momento, a professora colocava uma música. Foi a mesma para todos. Sempre que eu sentia que o outro se aproximava, eu me distanciava para não colidirmos. E sempre que eu me movimentava, fazia barulho, para que o outro me percebesse. Houve uma dupla em especial que foi contra tudo isso: quando uma se aproximou, a outra deixou que se esbarrassem, e se tocaram, sentiram o corpo uma da outra. Foi lindo. E fiquei com vontade de experimentar aquilo. Me perguntei do que eu estava fugindo.

Para resumir a experiência, a professora nos pediu uma palavra. Sentimento de entrega, liberdade e emoção foram as mais ditas. Senti as lágrimas nos olhos e a garganta apertada. Eu não consegui resumir minha experiência em uma palavra. Só pude dizer que eu estava precisando daquilo.

Eu estava precisando daquilo.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Na Minha Estante



Eu até tentei manter uma página atualizada do blog no Facebook, com postagens regulares sobre o que eu estava lendo, assistindo e tudo mais, mas me convenci de que não tenho a disciplina necessária para isso, apesar de atuar como social media há mais de 4 anos, eu definitivamente não sou uma 'digital influencer', hahaha. Se fosse assim, com quase 10 anos de blog, já era para eu ter uma receita disso, não? Enfim, gosto de ter um blog para dar vazão aos pensamentos e me organizar na vida pessoal, então tem uma finalidade e é isso que importa.

Com a aquisição da minha nova estante, finalmente estou comprando livros, adquirindo exemplares pelo Skoob Plus e nas feirinhas de troca que acontecem na biblioteca de Jundiaí, dentre outros eventos literários que participo. Também tenho contato com autores independentes, e espero ter energia o suficiente para me tornar uma em 2018. Estou com um projeto de livro-reportagem - sim, meu TCC - e venho cogitando voltar a trabalhar nos meus originais literários. Já consultei valores com editoras sob demanda e com gráficas digitais, o que pesa, como sempre, é o investimento financeiro. Mas... vamos por partes!

Livros favoritos de 2017 ❤ Top List
  1. A Cama na Varanda - Regina Navarro Lins
  2. A Descoberta do Mundo - Clarisse Lispector
  3. As Vantagens de ser Invisível - Stephen Chbosky
  4. Samantha Sweet, Executiva do Lar - Sophie Kinsella
  5. Fiquei com seu número - Sophie Kinsella
  6. Aposentada ficava a sua avó - Mara Luquet
  7. Meninas normais vão ao shopping, meninas iradas vão à bolsa - Mara Luquet
  8. Morando Sozinha - Fran Guarnieri
  9. Respirando a Vida - Sylvie Lagache
  10. Mulheres que Correm com os Lobos - Clarissa Pinkole Estés

Momento merchandising ~ Se quiser acompanhar minha estante em tempo real, me adiciona no Skoob. Também estou sempre atualizando meus livros disponíveis para troca! Além da plataforma ser um meio de adquirir um original do meu livro impresso - Momentos dos Delírios.

Minha estante 

Meu Planner 2018 by Negócio de Mulher ❤


















Para quem não conhece, Negócio de Mulher é um projeto fundado por Karine Drumond e Priscila Valentino em 2011. Juntas, elas oferecem atendimentos individualizados de coaching, mentorias, cursos, oficinais mais um monte de conteúdo sobre empreendedorismo feminino, presencial e online. Elas também produzem um kit de organização anual, que inclui uma agenda inspirada na tendência do bullet journal - também conhecida como planner.

Há tempos eu queria um planner - só quem é apaixonado por papelaria entende - e me identifiquei muito com o formato oferecido pela Negócio de Mulher por ser voltado para empreendedorismo. Planner nada mais é que uma fusão de agenda com diário. Eu escrevo diários desde que me entendo por gente, depois passei a comprar agendinhas, mas não era o suficiente para eu me organizar. Em 2017 tentei montar um bullet journal, sem sucesso também. Então acredito que o planner é a solução ideal para mim, pois reúne o conceito de ambos: agenda, diário e o bullet journal! ❤


Kit Organize



Com capa dura, encadernação espiral, marcador de página e fechamento em elástico, o planner Negócio de Mulher vem com organizadores internos do dia e da semana, um lugar para anotar ideias e dicas de produtividade, além do tradicional calendário e mapa de hábitos. O kit também vem com um workbook maravilhoso - um guia impresso de atividades para definir metas para o próximo ano. Adorei tudo!


Primeiras páginas do workbook, recheado de atividades e frases inspiradoras.
O agenda bullet começa com uma visão geral do ano, seguida de páginas extras para visões, ideias e desejos.

Também tem uma visão de projetos e da rotina do dia ideal.

Todos os meses incluem calendário, quadrinhos de anotação e mapa de hábitos. Ao final de cada mês tem uma atividade motivacional. E o mais interessante é que essas páginas funcionam como marcadores, pois são maiores que as demais.

A agenda também tem planejamento semanal e diário, com controle de atividades físicas e uma linha de gratidão. Muito prática e fofa!

Isso eu achei demais: a agenda tem um review do semestre com mais atividades para a gente fazer uma pausa e se reorganizar.
 
Por fim, tem uma análise do ano como um todo.

Pontos altos e baixos

Para quem é acostumado a comprar agendas de marcas famosinhas, como eu, pode estranhar um pouquinho aderir um material feito sob demanda. Temos que levar em consideração que se trata de um conteúdo personalizado, produzido em pequenas escalas e, portanto, não podemos esperar o mesmo padrão que recebemos de papelarias. O lado bom é que a gente tem contato direto com quem faz e pode sugerir mudanças para as próximas edições. Outra alternativa - que até cheguei a considerar, mas acabei preferindo comprar pronto - é comprar somente o miolo e encomendar a capa; ou comprar as folhas e divisórias digitais e você mesmo levar na gráfica para imprimir. Fica a dica!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Organização ou mania de controle?

Sim, eu excluía meus amigos do Facebook somente para cumprir uma meta pessoal de passar o ano inteiro com no máximo 100 amigos. Mas, por favor, não leve para o lado pessoal, nunca deixei de segui-los. Muitas vezes recebi mensagens de pessoas queridas magoadas por terem sido excluídas ou re-adicionadas, rs, e com isso percebi 1) como as pessoas levam suas redes sociais a sério; e 2) como eu estava meio neurótica com a 'organização' das minhas redes sociais. Só para constar, não fiz isso só com os amigos do Facebook, mas também com páginas, grupos do Facebook e do Whatsapp, Instagram, canais do Youtube, Pinterest, Tumblr, Linkedin, enfim... quem me conhece sabe que estou em todo lugar.

Depois de mais de 4 anos trabalhando com redes sociais, acho que ainda estou num processo de desintoxicação/purificação. Cheguei a acumular mais de 10 páginas, grupos e canais no youtube, um para cada projeto, sempre tentando separar o pessoal do profissional sendo que, inevitavelmente, ambos se fundiram. Como artista e profissional autônoma, minha vida pessoal e profissional são agora uma só. A princípio fazia sentido eu manter tudo separado, mas agora não tenho mais essa necessidade... e aí, fundir os perfis ou deletar tudo e começar de novo? E se eu começar a trabalhar em outra área, o que fazer? Dramas da vida moderna.



Aconteceram muitas coisas boas neste ano de 2017, mas o segundo semestre foi meio caótico - notá-se pelas minhas postagens anteriores. Espero conseguir abandonar maus hábitos e me redirecionar bem para o ano de 2018. Sinto que não tenho um plano de vida e carreira bem estruturado e estou tentando ficar tudo bem com isso. Tentando não surtar. Deixar as coisas fluírem um pouco, sem o impulso de querer controlar tudo. Maaaas, como eu senti muito a falta de ter um diário/agenda/caderno de lugar-comum neste ano, tendo que recorrer a bloquinhos de anotação avulsos, me permiti comprar um planner. A ideia era começar um bullet journal, mas não resisti ao kit de organização do Negócio de Mulher (calma que eu vou fazer um post só sobre ele ❤).

Retrospectiva 2017

  1. Colei grau e entreguei meu trabalho de conclusão de curso, "Mulheres que Dançam", sobre Jornalismo cultural especializado em dança tribal, pelo qual recebi nota 9. Só não posso dizer que concluí a faculdade porque ainda falta eliminar umas disciplinas pendentes. Também participei de oficinas de elaboração de projetos, assisti palestras sobre cinema, dentre outros.
  2. Produzi ou participei da produção de pelo menos 5 eventos diferentes ligados à dança, dentre eles, os haflas tribais no Mausoléu Pub (Jundiaí/SP) e na Boutique Vintage (São Paulo/SP), incluindo a noite temática com dança burlesca e estreia da banda Pequeno Cabaré Boêmio Itinerante; o 1º encontro de dança tribal de Bragança Paulista e a edição inaugural da Tribus Fair.
  3. Também me envolvi na produção e edição de vídeos criativos, desde matérias, reportagens e entrevistas para o blog até videoclipes, cobertura de eventos, mixagem de fotos e canal no youtube - editei muitos áudios, depoimentos, músicas; mas o destaque fica para a terceira edição do projeto vídeo & dança com o videoclipe "Bellydance Vaudeville" ❤
  4. Gerenciei dois projetos de intervenção em festivais de cultura alternativa neste ano: o primeiro no Mundo de Oz, com o grupo Avall'om de São Thomé das Letras; o segundo foi uma experiência linda de oficinas e apresentações que seguiram por 4 horas consecutivas no Gaia Connection, o qual chamamos de Movimento TranscenDance.
  5. Mantive as participações habituais em mostras de dança locais, como o Festival de Dança do Ventre de Várzea Paulista, o Festival de Cultura e Arte de Várzea Paulista e o Festival de Ginástica, Dança e Circo de Itupeva. Também participei do flashmob do Portal do Egito através do projeto Conexão Cultural da prefeitura de Jundiaí.
  6. Aliás, fiquei muito feliz por entrar no time de professores do Portal do Egito. Isso significa ministrar aulas regulares, particulares e em workshops, coreografar e participar de performances em grupo. Também estou atuando com assessoria de mídias sociais, no desenvolvimento de projetos e co-produção de eventos, como o workshop com a Joline Andrade, que foi uma delícia.
  7. Estou de apartamento novo! Eu devia ter escrito um post sobre isso, mas faltou inspiração. Meu novo lar é maior, tem piso de madeira e uma ótima localização. Apesar de não ser a casa que eu queria, demos muita sorte de encontrarmos algo assim. Desapeguei de muitas coisas, incluindo roupas, calçados, móveis e coisas de cozinha, mas tudo para dar lugar às novas coisinhas para a casa nova que não vejo a hora de comprar.

Expectativa 2018

Apesar de ter comprado um planner, prometi tornar as coisas mais flexíveis para o próximo ano, isso significa me envolver mais socialmente também. Tem algumas viagens que eu e meu namorido gostaríamos de ter feito neste ano que ficou para 2018, além de alguns eventos de dança que não pude participar neste ano. Quero focar nessas coisinhas e retomar projetos pessoais interrompidos antes de encucar com a criação de projetos novos!

  • Eliminar disciplinas pendentes da faculdade;
  • Extrair meus dentes do siso e colocar aparelho;
  • Ir no Underwold Fusion Fest;
  • Ir no Congresso Tribal Sul-Americano;
  • Conhecer a Argentina;
  • Conhecer São Thomé das Letras;
  • Adotar um cachorrinho ❤
Vem 2018!

domingo, 22 de outubro de 2017

Caminhos Possíveis: Autoconhecimento e Coaching

Neste sábado eu participei de uma oficina de autoconhecimento com duração de 4 horas na InterArt, mediada pela relações públicas Celília Infanti e pela psicóloga Clarissa Domingues, ambas coach e dançarinas. A proposta era unir ferramentas de coaching direcionadas para a autopercepção e técnicas expressivas da dança, todavia só foi possível abordar a primeira parte durante o período trabalhado, após um coffe break deram continuidade à segunda parte com o restante das participantes presentes. De qualquer forma, foi muito proveitoso para mim.

Apesar de já ter participado de workshops de coaching, palestras de psicologia, além de ter realizado inúmeras leituras e estar sempre estudando temas com enfoque em autoconhecimento, inteligência emocional, dentre outros tópicos, é sempre bom revisitar alguns assuntos e repetir exercícios de tempos em tempos. A gente vai avançando e descobrindo coisas que podem ter passado despercebidas em outras ocasiões. Adoro fazer a roda da vida, listas de ação e planos de vida. Na oficina, trabalhamos com o conceito de valores e a janela de johari.

Conhecer a si mesma é ter ciência de suas características pessoais, é reconhecer seus valores e objetivos e poder observar suas ações, entrar em contato com as emoções e fazer escolhas baseadas no que realmente lhe importa, aumentando assim as chances de alcançar um estado de paz e bem-estar na vida. Trabalhar o autoconhecimento ajuda a desenvolver a autoestima, qualidade de quem se valoriza, se contenta com seu modo de ser e possui autoconfiança em seus atos.
O workshop teve início com uma série de apresentações, típicas de dinâmicas de grupo para quem já está habituado com processos seletivos. Filósofos como Sócrates, Freud e Yung foram citados enquanto temas como conhecimento x autoconhecimento, espiritualidade e inteligência emocional entravam em pauta.

Por muito tempo, potencializou-se a análise quantitativa do conhecimento, o famoso QI; mas nos tempos atuais o conhecimento subjetivo vem ganhando força, principalmente devido aos maus do século, resultado de anos de negligência mental e emocional. Disciplinas básicas no ensino fundamental tem sido discutidas em favor de disciplinas voltadas para as esferas das artes, por exemplo. A falta de autoconhecimento acarreta sentimentos como medo, inveja, rancor, mágoa, que por sua vez leva a reações explosivas, timidez, estresse, ansiedade e depressão.

Um exercício simples que pode evitar muitas coisas é a prática de escrever diários. Pela primeira em mais de dezessete anos, eu não escrevi um diário. Ainda que mantenho este blog, depois de tanto tempo usando a escrita íntima como uma forma de desabafo, é claro que o exercício me fez falta. Principalmente nos dias em que me sinto sozinha, ou quando tenho pensamentos que não quero compartilhar com ninguém. Não faço e nunca fiz terapia, então o diário é a minha forma de desabafar. Um dos motivos de ter tentado não fazê-lo é porque já sou, de certa forma, adulta, e fico me confrontando porque ainda escrevo para mim - e para outros. Bem, dane-se, vou comprar um diário para 2018.

Breve registro do workshop

Quem eu sou?

A janela de johari trabalha com 4 quadrantes: eu aberto, eu secreto, eu cego e eu desconhecido. Este estudo me remete muito ao conceito dos 3 eus: eu real, eu ideal e eu aparente. Em outras palavras: quem eu sou para mim, quem eu sou para os outros e quem eu realmente sou.
  • Eu aberto: visível para mim e para os outros também. São sentimentos e comportamentos que as pessoas conhecem e nós também, normalmente alimentado através do companheirismo e pela sinceridade. Pessoas com o eu aberto costumam ser espontâneas para falar e agir.
  • Eu secreto: visível para mim, mas escondido para os outros. São sentimentos que escondemos por medo ou vergonha, para não recebermos julgamento. Sendo assim, usamos máscaras como uma forma de defesa. Pessoas com o eu secreto costumam ser inseguras para falar e agir.
  • Eu cego: visível para os outros, mas escondido para mim eu. São sentimentos e comportamentos que as pessoas percebem, mas nós temos dificuldade para acessar e costumam nos causar problemas a nível social e emocional. Pessoas com o eu cego tem dificuldade em receber feedback.
  • Eu desconhecido: invisível para mim e para os outros. São sentimentos e habilidades ocultas e subconscientes, normalmente aprisionados e silenciados por traumas e experiências duras, que precisam ser desencadeados para poderem ser trabalhados.
Vivi muito tempo com sentimentos, habilidades e experiências aprisionadas entre o eu cego e o eu desconhecido. Felizmente, pude contar com orientadores, amigos e familiares que me auxiliaram em períodos de redescobertas. Ainda estou trabalhando no meu autoconhecimento, acho que esse processo nunca acaba, mas sinto que evolui muito emocional e espiritualmente nos últimos anos. Como disse neste post, a faculdade também me serviu muito neste propósito, considerando que tive disciplinas de filosofia, psicologia, sociologia, antropologia, linguagem e artes, dentre outros.

Por muitos anos, eu escondi meu gosto pela dança, por exemplo. Sempre fui vista como a menina estudiosa, que gostava de ler e escrever, mas levou muito tempo para eu assumir que gostava de dançar. Normalmente, uma coisa não está associada a outra. Por este motivo, eu não me encaixava em nenhuma tribo. As meninas com quem ia para a balada não tinham perspectiva de carreira e estudo, e as meninas com quem eu estudava não costumavam sair de casa ou ouvir música, pelo menos. Eu preferia as baladas ao invés dos shows de rock, porque apesar de gostar de ambos os estilos musicais, não me sentia a vontade para dançar em shows de rock. Preciso eu conhecer o tribal, para me descobrir dançarina e começar a fazer as coisas acontecerem. Enfim, encontrei minha tribo.

Quando comecei esse blog, minha vida era um livro aberto, publicava tudo o que eu sentia e pensava sem me importar se as pessoas iriam ler e o que iriam achar. Só comecei a receber acessos de verdade quando publiquei meu livro e cometi o erro de divulgar o endereço do blog. De repente, meus amigos e familiares começaram a ler meus posts e, o pior, pessoas desconhecidas começaram a ler. Nossos conhecidos pensam para falar conosco, falam com cautela; pessoas desconhecidas não. Então comecei a receber comentários negativos, e não tiro a razão das pessoas. Então comecei a pensar para escrever, o que não foi de tanto ruim - pelo menos hoje não tenho o hábito de postar opinião em redes sociais e evito muitas dores de cabeça assim. O curso de jornalismo me deu ferramentas para me expressar com segurança. Eu aprendi a defender minhas ideias através de argumentos construtivos, sem atacar ninguém.

Hoje eu assumo abertamente meu gosto pela dança, pela escrita e também por design, tecnologia e empreendedorismo. Também não tenho mais medo de admitir que não sou mais cristã, nem tenho vergonha de falar sobre os meus pensamentos sobre os relacionamentos modernos. Eu não acredito em monogamia, sou a favor de relações abertas, acredito que o amor romântico é uma construção social e que o ciúmes é um sentimento egoísta (meu marido ainda não partilha destas filosofias, mas tudo bem). Quanto a minha personalidade, reconhecer que eu sou tímida e que isso é resultado de experiências da infância já é um grande passo para lidar com a minha insegurança. Por exemplo, adoraria formar um grupo de mulheres, mas não me sinto segura em opinar sobre certas áreas e meditar atividades sem estar capacitada academicamente o suficiente.

Mas durante o workshop abri minha visão para uma outra área em específico. Não costumo falar em público, uma coisa é eu estar mediando uma atividade, outra é estar sendo mediada, neste caso, prefiro apenas observar, tomar notas e guardar minha opinião comigo. Mas houve um momento que tocaram num assunto que me deixou muito incomodada, a ponto de querer falar, mesmo sentindo as mãos tremendo e sabendo que a atenção estava toda voltada para mim. A discussão era sobre os nossos valores e falaram sobre quando a pessoa com quem você convive tem valores diferentes do seu e isso acaba te afetando de alguma forma. Começou sobre casa e família e então passou para o ambiente de trabalho.

Todas as vezes que pedi demissão foi por não saber lidar com pessoas que eram inconsequentes com os seus afazeres. Eu me importava com meu trabalho a ponto de fazer o que estava além do meu alcance e acabava me sobrecarregando. Mas ao invés de conversar ou reportar aos meus superiores, esperava que eles tomassem alguma ação ou que meus colegas de trabalho "se tocassem", claro que isso nunca acontecia. E então, eu preferia pedir demissão. Se eu relatasse, seria mal vista pelas colegas de trabalho e talvez até mesmo pela chefia, mas pedindo demissão também fiquei mal vista como alguém que não se importava com a empresa, quando na verdade estava apenas priorizando meus valores, minha saúde. Hoje eu não sinto vontade de voltar ao mercado de trabalho, só de pensar em passar por todo esse processo novamente, me dá agonia.

Ao longo do último mês, recebi uma massagem terapêutica, me consultei com um mago, participei de um workshop de expressão corporal e, agora, para somar, participei desta oficina de autoconhecimento. Por que ainda não me sinto melhor?

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Elaboração de Projetos Culturais


Na primeira quarta-feira do mês, 04, participei do curso de Elaboração de Projetos Culturais com a Profª Drª Isaria Maria Garcia de Oliveira oferecido pela SisEB (Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo) na Biblioteca Pública Municipal de Jundiaí Profº Nelson Foot, com carga horária total de 6 horas.

Apesar do curso ser destinado à profissionais de bibliotecas, salas de leitura e programas de incentivo à leitura, o tema de elaboração de projetos culturais foi abordado como um todo, não somente com sua ênfase em bibliotecas. Do conceito às etapas de um projeto cultural, planejamento e elaboração, passando pelo título, justificativa, objetivos, metas, cronogramas, orçamentos e resultados; indicação das possíveis fontes de captação de recursos e patrocínios, bem como os fatores valorizados pelas empresas que patrocinam projetos; e fundamentos de marketing.

Exibição, circulação, difusão e distribuição cultural: oferecer, facilitar e qualificar a fruição artística pelo público beneficiado.

Um dos motivos de eu ter me inscrito foi por ter me identificado com o perfil da ministrante, visto que tem formação em Comunicação Social e doutorado em Artes, atua como professora na área de Gestão Cultural e Mídias Digitais, além de produzir espetáculos de dança e festivais de música, com publicações sobre produção cultural e hospitalidade, dentre outros. Dei início à produção de projetos em 2015, com o projeto audiovisual independente Vídeo & Dança e os pequenos eventos na área da Dança Tribal. Neste ano, fui convidada a integrar uma equipe de produção de eventos de médio porte, então o curso me foi bastante oportuno.
Práticas culturais tem por objetivo promover a sensibilização através do fazer artístico.

Muito do conteúdo citado eu aprendi na prática, mas teve algumas coisas que eu não sabia e com certeza farão diferença em projetos futuros. Identificar uma demanda ou oportunidade; definir um cronograma da data do evento aos dias atuais; realizar um diagnóstico para avaliar a probabilidade do evento - relevância social, acessibilidade, antecedentes; definir uma sazonalidade; buscar parcerias, apoiadores, patrocinadores, publicar chamamentos; definir uma meta; investir na capacitação dos mediadores; promover integrações artísticas e culturais; definir um orçamento com base em custos fixos e variáveis; fazer uma avaliação de desempenho posterior - mensurar os resultados através de pesquisa quantitativa e qualitativa.

Já assisti uma palestra sobre captação de recursos para projetos culturais com uma ex-aluna convidada do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, visto que trabalhar com projetos é uma das diversas funções atribuídas ao profissional de comunicação numa empresa privada. Relembrar alguns fatores importantes sobre o assunto foi de extrema importância no curso de Elaboração de Projetos. Resumidamente, a captação de recursos através de leis de incentivos e editais, tais como a Lei Rouanet e o Proac, se dá em 2 passos:
  1. Inscrever o projeto nos programas de incentivo disponíveis e obter autorização para captação de recursos.
  2. Apresentar o projeto para pessoas físicas e jurídicas que possam financiar o projeto.
Considerando que as empresas podem financiar até 100% do valor do projeto com até 4% do imposto de renda. A captação de recursos também pode ser feita através de contribuintes individuais ou utilização de recursos próprios. Um projeto/evento bem feito só necessidade de investimento em seu lançamento, sempre almejando tornar-se autossustentável.

Para fechar o post, mais uma citação:
O projeto não pode ser pensado como fim em si mesmo, mas como um meio para alcançar algo maior.
Created By Sora Templates