Reflexões de Agosto

Agosto é um mês intenso. Não só porque é o mês mais longo do ano, mas também por marcar definitivamente o início do segundo semestre para os estudantes, após as férias de julho (assim como, para muitos, o ano só começa em fevereiro). Neste mês, além de completar 23 anos, também completei 4 anos de namoro e entreguei a versão final do meu TCC. Nenhum desses eventos foram comemorados com uma festa, uma saída noturna, uma viagem ou algo do tipo. Não estamos com condições financeiras para nos dar ao luxo de comemorações do tipo - mas por bons motivos.

O ano ainda não acabou, mas é só entrar no segundo semestre que começamos aquele processo de despedida. Realizei muitas coisas boas neste ano, em detrimento de outras. É incrível pensar que ainda não fui ao teatro nenhuma vez, deixei de assistir congressos e espetáculos, nem participei de nenhum curso neste ano. Espero poder realizar uma destas coisas antes do ano acabar. Em compensação, descobri o prazer de participar dos festivais de cultura alternativa. Também estou encantada com eventos de temática medieval. Mas o meu maior orgulho são os eventos que eu mesma fiz/participei da produção, ainda que pequenos.

Infelizmente tive muitos projetos cancelados pela baixa procura, mas que espero poder realizar num futuro próximo. Acredito que tudo tem o seu momento e sou muito paciente para aguardar por este momento. O problema nem sempre é o financeiro, o espaço, a disponibilidade de horário, mas conhecer as pessoas certas. E foi isso que os últimos eventos me proporcionou: contatos valiosos, pessoas incríveis que surgem na sua vida para somar e, talvez, tornar-se uma amizade próspera. Os amigos que a dança me trouxe são os melhores, sem dúvidas. As alunas, as parcerias, os clientes. Cada uma dessas pessoas são especiais para mim e sinto um imenso apreço por elas, carinho e gratidão.

Mas sei que nem sempre é possível agradar a todos, da mesma forma que é inevitável nos decepcionarmos, ainda mais quando elevamos nossas expectativas. Quando amamos algo ou alguém é doloroso ouvir críticas negativas, mas necessário. Desenvolvi uma paixão sincera pela dança, adoro produzir eventos, sinto um prazer enorme em ensinar e gerenciar o meu blog sobre dança, o Tribal Archive. Fico muito triste quando não tenho o retorno esperado do público, clientes, alunos ou leitores. Só quem acompanha essas atividades ao meu lado - e devo a essas pessoas o sucesso de cada uma delas - é que sabe o empenho que emprego para fazer tudo com qualidade. O que todo artista espera como pagamento é reconhecimento.

E aí vem aquele desejo enorme de sumir. O que é quase impossível quando estamos muito envolvidas. Não vejo a hora, sinceramente, de conseguir me mudar para uma casinha tranquila, adotar um cachorrinho e colocar uma rede no quintal. Ir para Minas está fazendo uma falta tremenda para mim, estou sentindo as consequências. Tudo o que eu queria agora era ter um bosque para me refugiar. Minha mente não pára, e isso é agonizante às vezes. Ainda com a dança, a ansiedade toma conta. Estou aguardando o próximo festival para tentar lavar a alma e esvaziar a mente. Pena que será apenas por 3 dias. Quem dera pudesse viver uma imersão sem data de término.


Comentários

+ Lidas