Caminhos Possíveis: Autoconhecimento e Coaching

Neste sábado eu participei de uma oficina de autoconhecimento com duração de 4 horas na InterArt, mediada pela relações públicas Celília Infanti e pela psicóloga Clarissa Domingues, ambas coach e dançarinas. A proposta era unir ferramentas de coaching direcionadas para a autopercepção e técnicas expressivas da dança, todavia só foi possível abordar a primeira parte durante o período trabalhado, após um coffe break deram continuidade à segunda parte com o restante das participantes presentes. De qualquer forma, foi muito proveitoso para mim.

Apesar de já ter participado de workshops de coaching, palestras de psicologia, além de ter realizado inúmeras leituras e estar sempre estudando temas com enfoque em autoconhecimento, inteligência emocional, dentre outros tópicos, é sempre bom revisitar alguns assuntos e repetir exercícios de tempos em tempos. A gente vai avançando e descobrindo coisas que podem ter passado despercebidas em outras ocasiões. Adoro fazer a roda da vida, listas de ação e planos de vida. Na oficina, trabalhamos com o conceito de valores e a janela de johari.

Conhecer a si mesma é ter ciência de suas características pessoais, é reconhecer seus valores e objetivos e poder observar suas ações, entrar em contato com as emoções e fazer escolhas baseadas no que realmente lhe importa, aumentando assim as chances de alcançar um estado de paz e bem-estar na vida. Trabalhar o autoconhecimento ajuda a desenvolver a autoestima, qualidade de quem se valoriza, se contenta com seu modo de ser e possui autoconfiança em seus atos.
O workshop teve início com uma série de apresentações, típicas de dinâmicas de grupo para quem já está habituado com processos seletivos. Filósofos como Sócrates, Freud e Yung foram citados enquanto temas como conhecimento x autoconhecimento, espiritualidade e inteligência emocional entravam em pauta.

Por muito tempo, potencializou-se a análise quantitativa do conhecimento, o famoso QI; mas nos tempos atuais o conhecimento subjetivo vem ganhando força, principalmente devido aos maus do século, resultado de anos de negligência mental e emocional. Disciplinas básicas no ensino fundamental tem sido discutidas em favor de disciplinas voltadas para as esferas das artes, por exemplo. A falta de autoconhecimento acarreta sentimentos como medo, inveja, rancor, mágoa, que por sua vez leva a reações explosivas, timidez, estresse, ansiedade e depressão.

Um exercício simples que pode evitar muitas coisas é a prática de escrever diários. Pela primeira em mais de dezessete anos, eu não escrevi um diário. Ainda que mantenho este blog, depois de tanto tempo usando a escrita íntima como uma forma de desabafo, é claro que o exercício me fez falta. Principalmente nos dias em que me sinto sozinha, ou quando tenho pensamentos que não quero compartilhar com ninguém. Não faço e nunca fiz terapia, então o diário é a minha forma de desabafar. Um dos motivos de ter tentado não fazê-lo é porque já sou, de certa forma, adulta, e fico me confrontando porque ainda escrevo para mim - e para outros. Bem, dane-se, vou comprar um diário para 2018.

Breve registro do workshop

Quem eu sou?

A janela de johari trabalha com 4 quadrantes: eu aberto, eu secreto, eu cego e eu desconhecido. Este estudo me remete muito ao conceito dos 3 eus: eu real, eu ideal e eu aparente. Em outras palavras: quem eu sou para mim, quem eu sou para os outros e quem eu realmente sou.
  • Eu aberto: visível para mim e para os outros também. São sentimentos e comportamentos que as pessoas conhecem e nós também, normalmente alimentado através do companheirismo e pela sinceridade. Pessoas com o eu aberto costumam ser espontâneas para falar e agir.
  • Eu secreto: visível para mim, mas escondido para os outros. São sentimentos que escondemos por medo ou vergonha, para não recebermos julgamento. Sendo assim, usamos máscaras como uma forma de defesa. Pessoas com o eu secreto costumam ser inseguras para falar e agir.
  • Eu cego: visível para os outros, mas escondido para mim eu. São sentimentos e comportamentos que as pessoas percebem, mas nós temos dificuldade para acessar e costumam nos causar problemas a nível social e emocional. Pessoas com o eu cego tem dificuldade em receber feedback.
  • Eu desconhecido: invisível para mim e para os outros. São sentimentos e habilidades ocultas e subconscientes, normalmente aprisionados e silenciados por traumas e experiências duras, que precisam ser desencadeados para poderem ser trabalhados.
Vivi muito tempo com sentimentos, habilidades e experiências aprisionadas entre o eu cego e o eu desconhecido. Felizmente, pude contar com orientadores, amigos e familiares que me auxiliaram em períodos de redescobertas. Ainda estou trabalhando no meu autoconhecimento, acho que esse processo nunca acaba, mas sinto que evolui muito emocional e espiritualmente nos últimos anos. Como disse neste post, a faculdade também me serviu muito neste propósito, considerando que tive disciplinas de filosofia, psicologia, sociologia, antropologia, linguagem e artes, dentre outros.

Por muitos anos, eu escondi meu gosto pela dança, por exemplo. Sempre fui vista como a menina estudiosa, que gostava de ler e escrever, mas levou muito tempo para eu assumir que gostava de dançar. Normalmente, uma coisa não está associada a outra. Por este motivo, eu não me encaixava em nenhuma tribo. As meninas com quem ia para a balada não tinham perspectiva de carreira e estudo, e as meninas com quem eu estudava não costumavam sair de casa ou ouvir música, pelo menos. Eu preferia as baladas ao invés dos shows de rock, porque apesar de gostar de ambos os estilos musicais, não me sentia a vontade para dançar em shows de rock. Preciso eu conhecer o tribal, para me descobrir dançarina e começar a fazer as coisas acontecerem. Enfim, encontrei minha tribo.

Quando comecei esse blog, minha vida era um livro aberto, publicava tudo o que eu sentia e pensava sem me importar se as pessoas iriam ler e o que iriam achar. Só comecei a receber acessos de verdade quando publiquei meu livro e cometi o erro de divulgar o endereço do blog. De repente, meus amigos e familiares começaram a ler meus posts e, o pior, pessoas desconhecidas começaram a ler. Nossos conhecidos pensam para falar conosco, falam com cautela; pessoas desconhecidas não. Então comecei a receber comentários negativos, e não tiro a razão das pessoas. Então comecei a pensar para escrever, o que não foi de tanto ruim - pelo menos hoje não tenho o hábito de postar opinião em redes sociais e evito muitas dores de cabeça assim. O curso de jornalismo me deu ferramentas para me expressar com segurança. Eu aprendi a defender minhas ideias através de argumentos construtivos, sem atacar ninguém.

Hoje eu assumo abertamente meu gosto pela dança, pela escrita e também por design, tecnologia e empreendedorismo. Também não tenho mais medo de admitir que não sou mais cristã, nem tenho vergonha de falar sobre os meus pensamentos sobre os relacionamentos modernos. Eu não acredito em monogamia, sou a favor de relações abertas, acredito que o amor romântico é uma construção social e que o ciúmes é um sentimento egoísta (meu marido ainda não partilha destas filosofias, mas tudo bem). Quanto a minha personalidade, reconhecer que eu sou tímida e que isso é resultado de experiências da infância já é um grande passo para lidar com a minha insegurança. Por exemplo, adoraria formar um grupo de mulheres, mas não me sinto segura em opinar sobre certas áreas e meditar atividades sem estar capacitada academicamente o suficiente.

Mas durante o workshop abri minha visão para uma outra área em específico. Não costumo falar em público, uma coisa é eu estar mediando uma atividade, outra é estar sendo mediada, neste caso, prefiro apenas observar, tomar notas e guardar minha opinião comigo. Mas houve um momento que tocaram num assunto que me deixou muito incomodada, a ponto de querer falar, mesmo sentindo as mãos tremendo e sabendo que a atenção estava toda voltada para mim. A discussão era sobre os nossos valores e falaram sobre quando a pessoa com quem você convive tem valores diferentes do seu e isso acaba te afetando de alguma forma. Começou sobre casa e família e então passou para o ambiente de trabalho.

Todas as vezes que pedi demissão foi por não saber lidar com pessoas que eram inconsequentes com os seus afazeres. Eu me importava com meu trabalho a ponto de fazer o que estava além do meu alcance e acabava me sobrecarregando. Mas ao invés de conversar ou reportar aos meus superiores, esperava que eles tomassem alguma ação ou que meus colegas de trabalho "se tocassem", claro que isso nunca acontecia. E então, eu preferia pedir demissão. Se eu relatasse, seria mal vista pelas colegas de trabalho e talvez até mesmo pela chefia, mas pedindo demissão também fiquei mal vista como alguém que não se importava com a empresa, quando na verdade estava apenas priorizando meus valores, minha saúde. Hoje eu não sinto vontade de voltar ao mercado de trabalho, só de pensar em passar por todo esse processo novamente, me dá agonia.

Ao longo do último mês, recebi uma massagem terapêutica, me consultei com um mago, participei de um workshop de expressão corporal e, agora, para somar, participei desta oficina de autoconhecimento. Por que ainda não me sinto melhor?

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