O que fazer em Jundiaí

Faz dois meses que eu me mudei para a cidade de Jundiaí. Apesar de morar na cidade vizinha, Várzea Paulista, há mais de dez anos, e ter frequentado Jundiaí durante todo este período, é diferente estar morando aqui. Sempre pensei que quando enfim morasse sozinha iria sair mais aos finais de semana, à noite, e voltar no dia seguinte. Mas a verdade é que, com a vida adulta, a gente não vê a hora do final de semana chegar para poder descansar. Estando comprometida, eu não vejo a hora do final de semana chegar para ficar juntinho do meu namorido.

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A princípio, culpávamos o carro, se na adolescência o problema era andar de ônibus/trem ou mesmo a pé, agora não queríamos beber e dirigir ou andar em lugares com pouca segurança. Mas então nos mudamos. Estamos perto do centro, podemos ir a pé, ou chamar um Uber. Não tem mais desculpa para não sair de casa. O preço da cerveja está caro? Falta atrações na cidade? Existem opções alternativas. E é desses espaços que eu vou falar a seguir.

Desde que nos mudamos, aguardávamos a oportunidade de ir em pelo menos uns quatro lugares diferentes, que ficava muito próximo de casa: o Mausoléu Pub e o Espaço Cultural Barravento eram dois deles. Mas um estava em reforma e o outro em inatividade. Então, num belo final de semana, além dos dois abrirem as portas com uma programação atrativa, um terceiro lugar estava oferecendo aulas experimentais: o Ateliê Casarão. Já conhecíamos o Casarão de antigos saraus. Já frequentávamos o Mausoléu desde o ano anterior. Só faltava conhecer mesmo o Barravento.

Varietè Cultural - Espaço Cultural Barravento
O maior problema desses espaços é conseguir um alvará para manter o funcionamento, já que ficam localizados em bairros residenciais e, passou das 23h, ou mesmo antes, os vizinhos já reclamam do barulho a ponto de chamar os guardas locais. Então, o Casarão por exemplo, ficou certo período fechado. E naquele final de semana, quem estava fechando as portas era o Barravento. Para encerrar com chave de ouro, fizeram uma última edição do Varietè Cultural, um show de variedades digno de palcos como o Polytheama, com capacidade de agradar um público misto e muito maior - quase não coubemos na casa de tanta gente!



Uma pena que a cidade dispõe de teatros profissionais, mas o mesmo cobra uma alta taxa de locação, além de restringir a agenda para grupos e empresas seletas. É um espaço lindo, mas monopolizado. E mesmo conseguindo pagar o preço da locação, ainda cobram entrada. Nem para ser acessível, não é mesmo? Sempre aguardamos as festividades municipais para poder frequentar o teatro - como a Virada Cultural e os festivais de dança. Neste ano, todavia, talvez eu participe do espetáculo da escola onde dou aulas de dança tribal atualmente, o Portal do Egito. E com certeza estarei mais presente na Virada Feminista Independente, uma iniciativa linda de um grupo de mulheres inquietas que querem ser ouvidas.

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Além do Varietê Cultural, o Barravento também promovia encontros de grupos de pesquisa, experimentações artísticas, ativismo cultural, cursos e oficinas em parcerias com artistas, educadores, coletivos e pesquisadores. Na programação, violadas, saraus, vernissagens literárias, cineclube, aulas regulares de dança, música e artes marciais. Ao invés de ser fechado, um espaço assim deveria é receber apoio para manter as atividades. Cadê nossas leis de incentivo?

Parte das atividades de lá migraram para o Ateliê Casarão, tal como as aulas regulares de Tai Chi Chuan. O Ateliê está localizado na Rua Doutor Almeida, 265, no centro de Jundiaí. Foi inaugurado em 2008 pelo poeta, autor e palhaço Claudio de Albuquerque, sendo um dos primeiros espaços a registrar manifestações culturais através de coletivos independentes, conforme essa matéria do JJ.

O Coisarada é um desses coletivos que fomenta a produção cultural por artistas independentes, criando oportunidades para trocar experiências, apresentar seus trabalhos e conhecer outros fazedores de cultura e suas artes. O tradicional Sarau da Coisa, por exemplo, está presente na programação da Festa da Uva. Eles também promovem o Sarau das Minas, que já aconteceu em espaços como o Sesc, o Complexo Fepasa e também no Ateliê Plano.

Falta ainda conhecermos a Locomotiva Livraria, que, pela descrição, é um espaço que reúne livros, café e cultura, localizada na Rua São Bento, 450. Tem uma matéria super bacana no jornal independente OA Jundiaí sobre o espaço.

Locomotiva Livraria

Talvez madruguemos um dia desses no Bar do Haules, já recebi muitos convites, e muito incentivo, para conhecer o lugar e agitar algumas dançarinas para nos reunirmos lá. Aliás, fui convidada para promover mais dança através do Quintal da Verinha, uma feira itinerante com sede em Jundiaí, que tem como proposta fortalecer as expressões culturais na região.

Também quero fazer um almoço zen na Casa Arauá, que está de endereço novo e tem festa de reinauguração nesta sexta-feira, com uma programação maravilhosa.

Tenho 3 anos de contrato de aluguel aqui, então vamos dar tempo ao tempo, para conhecer, prestigiar e fazer parte dos espaços culturais que Jundiaí oferece.

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A foto acima foi clicada na mostra coletiva de encadernação artesanal, livros de artista e lettering, promovida pela professora Chris Amorim da Oficina de Artes com participação de artistas convidados. Os trabalhos ficaram em exposição na Biblioteca Pública Municipal Nelson Foot ao longo do mês de janeiro. Aliás, afora as exposições, cursos e palestras com artistas, parceiros e convidados, a biblioteca vem surpreendendo ao abrir espaço para a produção de eventos alternativos e projetos colaborativos, vale a pena ficar de olho na programação :)

E você, tem algum espaço, evento ou coletivo para indicar pra gente?

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