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domingo, dezembro 11, 2011

Buscando me compreender através dos mestres de literatura

dezembro 11, 2011 0 Comments
Ontem eu assisti uma série de documentários sobre os mestres da literatura. Entre eles se encontravam Lygia Fagundes Telles, Carlos Drummond de Andrade, Raquel de Queiroz e Machado de Assis. Esses vídeos me reconfortaram muito, sabe porque? Porque tinha uma autora maravilhosa - não me lembro ao certo qual - que sonhava em ser escritora desde a infância e só publicou seu primeiro livro - que aliás era de contos - aos 40 anos. Então eu me perguntei: Putz, eu tenho a vida inteira para publicar minhas histórias, por que essa ansiedade toda?Eu te digo porque. Eu tinha quase 5 livros inteiros escritos no meu computador quando ele foi formatado e eu perdi tudo. Desde então, um medo crescente de perder minhas preciosas histórias me obriga a publicá-las na internet e salvá-las em tudo quanto é lugar, mas só me sinto suficientemente segura se ela é publicada e impressa.
Mas vou dar fim a essa fobia. Vou enviar todas minhas histórias para a Biblioteca Nacional, onde não há como perdê-las. Vou, calmamente, salvar Sob os Olhos de Natasha e dar uma olhadinha nela com mais calma daqui alguns meses. Vou começar a escrever meu livro educativo Rabiscando e voltar a reescrever Bate Forte o Coração. Não tem necessidade de pressa em publicá-los. Posso fazer isso depois que terminar a faculdade, depois que comprar meu laptop, meu carro e tal. Há coisas mais importantes primeiro. O tempo passa, o corpo envelhece, mas a mente não: ela amadurece. Ou seja, quanto mais tarde melhor, pois minha escrita estará mais madura, eu vou poder revisar meus livros e, quem sabe, reescreve-los novamente, eu terei condições para publicá-lo e as chances de ser ouvida serão bem maiores.

Permita-me fazer algumas análises dos documentários. Já disse que adoro assistir entrevistas e coisas do tipo? Eu adoro porque me identifico completamente com o escritor, eu sinto minha alma vibrar, porque as palavras deles são as minhas. Entre os autores que estudei ontem, identifiquei-me mais com a Lygia Fagundes Telles. Ela é maravilhosa. Por isso vou roubar sua frase:
Quando escrevo eu espalho um pouquinho de mim em cada personagem, assim entrego minhas angústias e temores aos outros e, por fim, me livro desses sentimentos ruins.
Sabe quando comecei a ler? Quando comecei a adorar as palavras. Eu gostava tanto delas que queria que tudo se resumisse a elas.

Por isso andava com um caderno e uma caneta onde quer que fosse, algo que chamavam de Diário. Por isso meus cadernos escolares acabavam tão rapidamente, as folhas eram muito poucas para mim.
Na 4ª série eu conheci uma garota chamada Vanessa que também escrevia diário. Todos os dias, depois das aulas, a gente se sentava numa viela para uma ler o seu diário para a outra. Então, durante o dia, eu escrevia pensando qual seria a sensação da Vanessa ao ouvir aquilo. Era uma sensação maravilhosa.
Hoje, quando pego meus diários para ler, não sei dizer o que é real e o que foi inventado.

Aos 12 anos li O Diário de Anne Frank simplesmente por ser um diário real. Eu não conhecia a história por trás daquelas palavras, comente compreendi o que houve com aquela garota 3 anos mais tarde, quando li A Menina que Roubava Livros, de Markus Suzak. Ambas as histórias me encantaram por serem tão semelhantes entre si, exceto por um detalhe: uma era ficção e a outra não.

Agora deixe-me comparar-me a Raquel de Queiroz. Quando jovem, ela não compreendia muito bem essa coisa de sintaxe e morfologia, mas ela sabia escrever e escrevia bem.
Sinceramente, eu sei que se me dedicasse a aprender essas regrinhas erraria menos, mas não tenho a menor paciência para isso.

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Eu: Integrante da Comissão de Literatura do Conselho de Cultura da cidade de Jundiaí

dezembro 05, 2011 0 Comments
Uma vez assisti um filme onde a garota tinha uma doença e iria morrer logo. Então ela fez uma lista com 100 coisas que ela gostaria de fazer antes de morrer.
Inspirando-me nessa personagem, fiz uma lista de metas para cumprir ao longo da minha vida. Entre os itens estava:
  • Fazer um trabalho voluntário
  • Montar um grupo de literatura
E agora eu venho aqui para dizer que consegui realizar esse desejo de uma forma maravilhosa, uma forma que eu não poderia ter imaginado. Quando você busca é isso que Deus faz: Ela te entrega 10 vezes mais.
Eu agora integro a Comissão de Literatura do Conselho de Cultura da cidade de Jundiaí.
É duas metas cumpridas! Primeiro que é um trabalho voluntário, que executarei com o maior prazer. Segundo que é uma oportunidade de eu elaborar projetos de incentivo a leitura e esse projetos não serem em vão!

Mas isso não é nada.
Quando estava a caminho para a reunião, um jornal me ligou para uma entrevista. Até aí, tudo bem. Mas a jornalista reconheceu minha competência e decidiu me indicar para a suplência da Comissão de Literatura de Várzea Paulista!

Através desse trabalho voluntário eu posso não ter oportunidade de fazer coisas de graça, ao contrário do que muitos pensam. O conselho não faz parte da prefeitura. É um grupo independente.
Mas - mesmo que muitos não reconheçam isso como um ganho - eu terei a oportunidade de aproximar os jovens da leitura: um desejo muito íntimo e um complemento essencial para meu currículo como escritora.

sábado, novembro 19, 2011

Oficina de Criação Literária com João Carrascoza

novembro 19, 2011 0 Comments
Romancistas, cronistas, contistas e poetas ministraram uma oficina de 4 horas para aqueles que tem interesse em desenvolver e/ou aprimorar o fazer literário. Por meio de leituras, bate-papo e produção escrita, os participantes tiveram a oportunidade de aprender e de trocar ideias com um autor consagrado, bem como conhecer técnicas e teorias relacionadas à arte de escrever.

Esta oficina foi ministrada por diversos autores, e distribuída em várias cidades, cada qual com seu tema. O número de vagas era somente 30, mas adivinhem? Minha cidade promove tanto a cultura que 10 pessoas apareceram. Ás vezes penso que sou anormal, por que eu era a única adolescente (pelo menos até a metade do curso) no meio de um monte de adultos, formados e tal. Aqui em Várzea Paulista, contamos com a presença de João Carrascoza, e o tema da oficina era o Conto.

Contos
Diferente do romance, que é irrigado por vários rios-histórias, o conto é apenas um riacho. Gênero que exige economia, ritmo e tensão, o conto desde a primeira linha chama, acena e convoca para o final. O objetivo desta oficina foi apresentar algumas modalidades da narrativa breve e motivar os participantes, com exercícios de sensibilização, a mover as águas de seus riachos ficcionais.


A oficina contou com leituras, citações, atividades dinâmicas e um bate papo superinteressante. O João Carrascoza aparenta ser velho, mas é um homem cheio de energia, carismático, que discursa maravilhosamente bem e que sabe ser engraçado quando quer. A maneira como ele explicou o prazer da escrita e da leitura me cativou, pois ele falou em 4 horas tudo o que falo durante anos aqui neste blog.
Nota: Por que todo artista se veste como se estivesse em casa?


João Carrascoza
Escritor, redator de propaganda e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, onde fez mestrado e doutorado em Ciências da Comunicação. Publicou os livros de contos O Vaso Azul (1998), O Volume do Silêncio (2006), Dias Raros (2009), Espinhos e Alfinetes (2010), entre outros, além de novelas para o público infantojuvenil. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Guimarães Rosa/Radio France Internationale e o Jabuti.

Certo. Vamos ao Curso.



Começamos nos apresentando. Fiquei meio sem graça por ninguém se admirar por eu ser escritora e dançarina. Geralmente as pessoas me olham com interesse quando conto isso.
Adorei o curso, as atividades propostas, o diálogo que fez sumir a distinção entre o aluno e o professor. Dentro de sala de aula, a imaginação se torna limitada por termos que seguir um padrão. A criação de texto nas escolas deveria ser estimulada por outro meio.
Fiquei admirada com a diversidade de textos que saiu dali. Isso é apenas uma prova de que todos nós temos um escritor dentro da gente. Afinal, escrever é expressar.


Naquele dia, ao caminhar para casa, eu chorei. Por que? Por que me identifiquei. E pensei comigo "Ah, se eles soubessem!"

Conto
  • Definições do conto
* O conto pode ter poucos elementos, mas precisa ser profundo
* O conto é um texto justificado: Nada pode faltar, nada pode transbordar
* O conto é o registro de uma cena
* Literatura é como pintura: Você pinta com palavras cenas do cotidiano
Nota: A literatura em si (independente do tipo de texto) é um diálogo entre a tradição e a modernidade

  • Classificação do conto
Conto Clássico: Conto extenso, com 5, 10, 20 páginas.
Short Story: Conto curto, concentrado. Cerca de 20 linhas a 2 páginas.
Microconto: Conto contado em uma linha, duas linhas. Tipo o que fazemos no Twitter, com 140 caracteres.
Nota: Quanto mais curto, mais difícil.
  • Personagens
Tipos: Personagens com uma personalidade definida.
Arquétipos: Personagens que representam modelos de pessoas (o herói, o vilão, a depressiva, o engraçado, etc).
Estereótipos: Personagens básicos, que não evoluem dentro da história.
Nota: Qualquer coisa que pensa pode ser um personagem: Objetos, pessoas, animais, etc.
  • Foco Narrativo
1ª Pessoa: Personagem principal/Personagem secundário
3ª Pessoa: Narrador observador/Narrador onisciente
Nota: Você não lê o romance. Você lê o romancista. Ele está escondido atrás do narrador que, por sua vez, se esconde atrás da história.
  • Ação: Algo que empurra
  • Enredo: Habilidade de jogar o leitor na rede
  • Tempo: Pode set cronológico ou psicológico. Saiba mais em:

Nota: Num texto, é preciso saber jogar com o tempo

  • Processo de Criação
- Sua história depende do potencial da sua observação
- Não basta ler. É preciso ganhar um olhar da literatura pela lente da sensibilidade.
- Não se cria personagens. Eles são pescados da realidade.
- É preciso cativar. Quando você cativa, você atrai o leitor, você lhe convida a ser seu leitor.
- Criar um texto é dar uma resposta para o mundo
- Texto é construção. Ele não desce pronto para o papel.
- Preste muita atenção aos detalhes: Cada detalhe é significativo num conto.
- O final precisa surpreender. O papel do desfecho é iluminar a história inteira.
- Deixe de ouvir a voz do seu ídolo para poder ouvir a sua própria voz.


Leituras e citações
Dinâmicas
O autor/professor criou algumas dinâmicas para estimular nosso lado criativo. A atividade nos mostrou que:
  • A inspiração pode vir de qualquer lugar
  • Um texto bom é um texto que contagia
  • Cada texto traz o seu universo
  • O épico pode trazer poesia, mas o que o desclassifica como poema é o fato de contar uma história
  • Cada um é bom a seu modo
  • A leitura se faz individualmente. A escrita, da mesma maneira, é clandestina.
As atividades propostas, que podem ser utilizadas em sala de aula, foram as seguintes:
  • Demos a mão a pessoa que estava ao nosso lado, e começamos a escrever com a outra mão tudo o que viesse em nossa mente. Ao seu mandato, soltamos as mãos, mas continuamos a escrever. Confira minha criação aqui.
  • Criamos um texto que se referi-se a nossa fruta predileta. Confira minha criação aqui.
  • Tentamos nos lembrar de um cheiro que marcou nossa infância e transportamos essa recordação para o papel. Confira minha criação aqui.
Através dessas simples atividades, podemos tirar grandes lições.

O que mais gostei no curso foi que ele não se restringiu ao tema proposto (conto), ele fez referências a obras de pintura, novelas, quadrinhos, poemas, romances... enfim, uma diversidade artística. Amei.

Morango

novembro 19, 2011 0 Comments
Coloco os lábios sobre a fruta pequenina e apetitosa e fecho os olhos.
O sabor doce alcança a língua e o líquido deste escorrega pela garganta, trazendo uma sensação maravilhosa.
Abro os olhos, lambo os beiços e sinto os pés no chão. Preparo-me para a próxima mordida, para fundir o vermelho da fruta ao vermelho dos meus lábios, para entregar-me ao próximo devaneio e, enfim...
Esvoaçar.

O cheiro da paz

novembro 19, 2011 0 Comments
Senti a brisa contra o rosto e me entreguei a ela, sendo guiada até um bosque. Ali, o canto dos pássaros e a calmaria do local abrigou minha solidão.
Até hoje, sempre que me encontro num local semelhante, seja uma praça, uma cachoeira ou um campo, eu respiro profundamente e fecho os olhos. É como se eu estivesse inspirando a paz.
É uma sensação boa que me faz voltar a escuridão confortadora do bosque. É um cheiro inexplicável, tanto que às vezes penso que só eu posso sentir, pois fui eu que vivi aquele momento.

O Aperto de Mão

novembro 19, 2011 0 Comments
Sinto a superfície da mão do outro junto a minha. A textura é macia, todavia firme. Sinto-me tensa por segurar a mão de um estranho, mas o contato nos aproxima, estabelece vínculo, talvez o início de um diálogo, uma amizade. Assim se faz ante um contato profissional, ou o que quer que seja ao encontrar um desconhecido: Apertar-se a mãe. Um cumprimento.
Mas este cumprimento pode significar muitas coisas. A maneira como o fazemos pode ter muito a dizer. Através dele podemos expressar nosso humor, nosso companheirismo para com a pessoa, podemos distinguir o gênio da outra pessoa.
O aperto de mão pode revelar histórias. Ou começar uma.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Namoricos, ENEM e benefícios do trabalho voluntário

outubro 27, 2011 0 Comments
Olá galera que acompanha o meu blog!
Trago notícias boas e ruins. Quais vocês querem ouvir primeiro?
Brincadeirinha. Vocês não têm opção mesmo.


Tenho uma revelação para fazer

Perdoem-me por nunca ter lhes contado isso antes. Acontece que implicava a vida de outras pessoas, e eu não podia prejudicar a imagem delas. Mas, sei lá o que deu em mim, decidi revelar.
Momentos dos Delírios, ao contrário do que vivo afirmando, é uma obra de ficção baseada em fatos reais SIM!
Tá, ok, não a história em si. Mas diversas cenas foram tiradas da realidade.
Por exemplo, as conversas maliciosas entre os grupos de meninos/meninas: são coisas que eu converso entre minhas amigas. A grosseria dos meninos com relação a sexo é pura verdade, são coisas que eu ouço dentro da sala de aula!
A maneira como a Verônica perdeu a virgindade: Por mais assustador que pareça, aquilo aconteceu com uma amiga minha.
Tá, mas a revelação mais bombástica é sobre os personagens principais: Para criar o romance entre os dois me inspirei num relacionamento mal sucedido MEU. Isso mesmo.
Há dois anos atrás eu ficava com um garoto, e meio que me apaixonei por ele. O Duda é praticamente a imagem que eu pintava dele antes de conhecê-lo como ele de fato é. Então eu pensei como seria se ele se apaixonasse por uma garota que desviasse de todas as suas exigências, e eis que surgiu a Verônica.
Tá. A verdade do por que eu estou contando isso é por que neste ano nos reencontramos. E ele me deu um pé na bunda. Isso mesmo. E eu precisava extravasar de alguma forma. Agora vamos deixar isso em off. Espero que nenhum jornalista leia isto.


A pergunta que não quer calar: Como eu fui no ENEM?

Mentira, ninguém me perguntou isso ainda. Ta, uma pessoa aqui e outra acolá.
Eu achei que a prova não estava nem fácil nem difícil. Para quem tem conhecimentos gerais e é atualizado, se saiu bem. Eu não sou uma dessas. Eu achei a prova de português particularmente fácil, e me surpreendi ao ver que tinha errado mais do que imaginava (estava crente de que tinha acertado todas). E fui um lixo em matemática, não tem por que eu esconder isso.
Ou seja: Eu fui com a expectativa de me sair maravilhosamente bem na prova. Enquanto respondia as questões, porém, pensei que sairia apenas bem.
Mas não consegui acertar nem metade da prova. Desculpa, fãs (que fãs?).
Ah. Ãh? Sim, eu sei. Eu sei que vocês querem saber da minha redação. Ok, ok. O tema era facílimo, mas já contei que detesto fazer textos dissertativos? Geralmente, sou boa para fazer títulos criativos e um desfecho de impacto. Mas eu estava nervosa. Não consegui bolar um título legal, mas acho que a conclusão ficou boa.



Sobre os benefícios do trabalho voluntário...

Trabalhar com crianças está me ajudando a desenvolver meu carisma, aumentar meus contatos e diminuir minha inibição. Para ler histórias para crianças tem que ser palhaça. Tem que incentivá-las a repetir frases, fazer e responder perguntas, ensiná-las a refletir sobre a história, imitar animais.
Mas eu estou gostando.
Além do mais, adoro ficar no ambiente da biblioteca.
E a bibliotecária vai fazer uma declaração falando que eu prestei serviços para a biblioteca, fiquei super emocionada.
Amanhã, sexta-feira, vou ler para 28 crianças e seus pais estarão presentes. E o jornal também vai estar presente.
Por isso. é melhor eu fazer minhas unhas. Minhas unhas sempre saem no jornal.

Beijocas da Meh

segunda-feira, outubro 10, 2011

Contadora de Histórias

outubro 10, 2011 0 Comments
Pois é. Sou eu.

Já que estou de bobeira, pensei em fazer trabalhos voluntários. Na realidade, já havia pensado nisto antes, mas não tive oportunidade de realizar esse desejo. Não me deixaram ser bibliotecária da escola. Fiquei com vergonha de me candidatar para dar aula de reforço de português na escola. Tentei montar um grupo de teatro que, por falta de cooperação do pessoal, foi por água abaixo. Tentei montar um grupo de dança, mas ninguém quer ver dançarinas do ventre em uma formatura. E não dá para eu fazer apresentação sozinha, pois não comprei minha roupa.

Aí eu desisti da ideia. Mas então ela ressurgiu. Fiz uma busca na internet, e tudo o que encontrei foi "seja doador de esperma!", "contribua com tal quantia!", "ajude-nos a tirar os animais da rua! Se ver um cachorro traga-o para cá" e serviços em hospitais, etc.
Então, mandei uma mensagem para alguns amigos que eu sei que têm bastante contatos. E eis que a bibliotecária da cidade entrou em contato comigo dizendo que as escolas municipais da cidade costumam ir visitar a biblioteca, e as criancinhas gostam que leiam histórias para elas.
Então, durante a semana que vem eu irei contar histórias para cerca de 250 crianças. Adorei a ideia, nada mais gratificante para uma escritora. Eu podia até escrever alguma historinha e levar para elas. Não estou tão animada com o fato de serem crianças, pois não tenho muita paciência e não consigo ser engraçadinha. Mas adorei a ideia de contar histórias.
Aliás, envolver-me com crianças vai me ajudar a superar alguns dos meus medos. Tipo a timidez, a inibição. E vou aprender a ser mais simpática também, não? Ah, e preciso desenvolver minha expressão facial, pois vou ter que fazer caras e bocas.

Ei, se tem alguém aí que gosta de crianças e sabe lidar com elas, comentem aí.Vou ficar louca se aqueles pequeninos fizerem alguma algazarra.
A ideia que tenho em mente é ver todos sentadinhos com os olhos colados em mim, compreendendo a história perfeitamente, rindo quando é para rir, e soltando exclamações vez ou outra.

Que livro eu sou?

outubro 10, 2011 0 Comments
Descobri um site super legal. Lá tem um montão de coisas educativas, tipo testes e jogos que envolvem a nova ortografia, e um grande incentivo a leitura, indicando livros para quem vai prestar vestibular e uma maneira das escolas tornarem os best-sellers um livro educativo.
Acesse: http://educarparacrescer.abril.com.br

Certo. Eu fiz um teste nesse site chamado "que livro você é?". Parece uma coisa bem idiota, mas não é. No resultado, fiquei empatada entre dois livros, e ambos refletem de um jeito transparente a minha personalidade. Além disso, não sei se já comentei por aqui, mas adoro fazer testes e descobrir ou redescobrir um poupo de mim mesma. Que nem, eu tenho certeza de que quero cursar psicologia, mas vivo fazendo testes vocacionais.
Pois então, vamos a definição dos livros que me representam:


"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector
Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.

"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade
"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

quinta-feira, outubro 06, 2011

As Delícias de Soraia

outubro 06, 2011 0 Comments

Vício = Tendência específica para o consumo irresistível de algo ou para qualquer ato ou conduta por essa tendência motivada. 

Há pessoas denominadas dependentes químicos que buscam até ajuda para livrar-se desse mal. Há alcoólatras, que afogam sua mágoas na bebida, como se ela fosse um antidepressivo. E há vícios mais inofensivos, como aquela mulher que compra bolsas/sapatos/brincos sempre que briga com o namorado. 

Eu tinha um vício. Inofensivo. Mas do qual era totalmente dependente. Consumia-o todos os dias. Ele era o meu antidepressivo. Minha fonte de prazer, meu calmante. 

Eu era chocólatra. 

Não chocólatra do tipo que ingere toneladas de bombons em questão de segundos, nem que deixava de pagar uma dívida para comprar chocolate. Mas chocolate era algo que não faltava na minha casa, nem na minha bolsa. Todavia, só o consumia quando estava super emotiva. Muito feliz, muito triste ou muito nervosa. E não engolia tudo de uma vez não, não. Eu apreciava o sabor. 

Eu era do tipo que desembalava o ouro com o maior cuidado, avaliava seu formato, sentia seu cheiro, fechava os olhos para senti-lo melhor, passava a língua de leve sobre sua superfície para experimentar o açúcar e, só então, mordia-o de leve, para não rachá-lo em mil pedaços. Em seguida, mantinha-o em minha boca pelo máximo de tempo possível, fazendo-o derreter e misturar-se na saliva, então, lhe mastigava, sujando os dentes e os lábios. Por fim, o engolia, deliciando-me com a sensação de senti-lo deslizando pela minha garganta. Aí eu lambia os beiços e os dentes, depois chupava minha língua até ela perder o sabor, e só então me preparava para a próxima mordida. 

Era uma terapia total. Quem me visse, diria que eu estava namorando o bombom. 

Devido esse meu vício, eu sempre me prejudicava em meus relacionamentos. Como por quê? Era muito fácil me conquistar, me fazer perdoar: era só me dar bombons. E, cá entre nós, que homem não dá bombons para a namorada? Afinal, já ouviu alguma mulher dizer que não gosta de chocolate?! Algumas até se ressentem, por gostar tanto. Eu era uma dessas. 

Até por que eu vivia em busca do corpo perfeito, mas estava sempre um pouco acima do peso. A Nágila sempre comentava: 

- De nada adianta horas suando na academia se você acaba com esses bombonzinhos, Soraia! Você devia procurar um psicólogo, sabia? Isso é decorrente de um trauma de infância, onde você se sentia muito carente e... 

Precisava de algo para me aliviar, me confortar, me passar segurança. Era sempre a mesma história, mas ela estava certa. Eu fui uma criança carente, e fui uma adolescente cheia de frustrações. Por ser meio gordinha e sardenta, com o cabelo oscilando entre o ruivo e o loiro, assim, meio alaranjado. 

- Ah, lá vem você com esse papo de novo. É sempre a mesma história. Olha Soraia, você tinha 1,60 e pesava 60 Kg, não era tão redonda quanto parece pensar que era. Tinha uma gordurinha sim, mas por culpa de quem? Dos churrascos de domingo na casa do Renato. E você sempre teve olhos azuis lindos. Sério, sério mesmo, eu tenho inveja de você. 

Ela dizia isso para me animar. Nágila era minha melhor amiga desde o colegial, sempre fora morena com corpinho violão, e se recusava a fazer faculdade por que tinha talento para artes. Imagina, minha melhor amiga, uma artista! É, eu já era mulher e nem sabia o que cursar, a única decisão que tomara na vida fora morar sozinha. 

- Uma mulher? Ah, cala a sua boca, Soraia. Você só tem 19 anos, só está a um ano longe das salas de aula. É bom para relaxar, arrumar um namorado... 

Ela sabia muito bem que eu não era boa nesses assuntos. Aliás, vivia se gabando por ser experiente, só por que seu histórico romântico tinha uma extensão invejável que incluía até mulheres. Mulheres! 

Eu só tive dois ou três namorados (varia com o ponto de vista): 

1. O primeiro foi quando eu tinha sete anos de idade, na base de selinhos molhados. Pai do céu! eu nem tinha peito. Nem lembro o nome do sujeito. 

2. O segundo foi com quatorze anos, o garoto era um ano mais novo que eu, chamava-se Mauro. Infelizmente, ele tentou pegar no meu peito no terceiro mês de namoro, então terminei tudo com ele. 

3. O terceiro foi aos quinze, com um cara de dezenove. Fabrício. Foi ele quem tirou minha virgindade, depois de um ano de resistência da minha parte. Aí comecei a engordar, não sei por quê. Ele me trocou, mais tarde, por uma mulher de vinte e cinco. Fiquei deprimida por quase um semestre inteiro, mas aí eu conheci a Nágila e comecei a ir pra balada com ela. 

E aqui estou eu, encalhada. 

Saí de casa três meses atrás, quando meu pai se aposentou e decidiu curtir a infância perdida, fazendo com que eu me sentisse uma pedra em seu caminho. Tipo “já que te criei, agora dá o fora daqui”. Sim, eu era filha única, uma gravidez acidental, se for ver. Talvez até indesejada, não duvido. Mas eles (os pais) nunca assumem isso, certo? 

Um mês sozinha foi suficiente pra eu adotar um cachorro, na esperança de sentir-me menos só. Apesar de chegar do trabalho e encontrar o Tadeu abanando o rabinho para mim, não pude ficar com ele. Por que, bem, ele cagava demais! pelo quintal inteiro! e aquilo fedia pra c***. 

- Não acredito que você se desfez do Tadeu. Sabe aquela casa de shows que fui com minha priminha de 17? Beijei um menino feio de doer, só por que ele se chamava Tadeu. Eu queria matar a saudade. – lamentava Nana. – Dá um desses chocolates que você tem aí, vai. – um momento de silêncio – Vai Soraia, eu sei que você tem bombom! – suspiro, derrotada. 

Nana era dois anos mais velha que eu e ocupava o lugar da minha mãe. Bom, pelo menos ela tentava. Mas era eu que lhe consolava sempre que o namorado a deixava. Ela entrou um ano atrasada na primeira série e repetiu a quarta, por isso acabamos terminando o ensino médio juntas. 

- Nana, que tal você vir morar comigo, ein? Seria uma boa, não? Eu sempre quis ter uma irmã mesmo. – lancei a isca. 

Ela mordeu, mas com contrapartida: 

- Tá, mas você lava a louça. 

- Ué, temos que revezar. – pensei rápido! 

- Não gosto de lavar louça! 

- Tá bom, mas então você lava o banheiro. – astuta, dei uma piscadela. 

- Também não gosto de lavar banheiros. 

- Aí não dá, né, Nana! – resmunguei, fazendo beicinho. 

Ela não resistiria aquela faceta. 

- Ok, eu limpo a casa. – revirou os olhos. – Mas desde que... 

Xii, pelo olhar vinha uma proposta indecente por aí. Sacana! 

- Que o quê? – Pow! quis completar, mas era melhor não atiçar a cobra. 

- Desde que eu possa levar namorado pra dormir em casa. 

- Desde que não seja um por fim de semana, tudo bem. Se não isso vai prejudicar a nossa... 

- Relação? 

- Eu ia dizer imagem. – encarei-a e, não teve jeito, caímos na risada. 

Já vi que aquilo ia dar merda. 


Não é todo dia que você está com cabeça pra pensar. Tinha dias que eu acordava, mas não queria levantar da cama. Pra nada. Por ninguém. Todavia, eu tinha que procurar emprego, me matricular na faculdade, cuidar de mim, cuidar da casa... 

- SORAIA!! O resultado do vestibular já saiu, vem ver aqui no site se você passou! Anda, levanta! – berrou Nana, louca para me arrancar da cama. 

Olhei para o relógio e era exatamente nove horas da manhã. 

Cedo demais. 

Levantei-me vagarosamente, tentando fazer meus olhos se adaptarem ao clarão inusitado que atravessava a janela. Arrastei-me até o laptop sobre a mesa da cozinha e comecei a navegar pela lista de nomes que passaram para no vestibular. 

À medida que a lista foi se acabando comecei a acordar. Por fim, eu estava totalmente desperta, com os olhos pregados na tela do computador. 

- Ah, droga. – resmunguei. 

- O que foi, Soraia? Seu nome não está aí? – manhosa, a expressão de Nana foi de expectativa para preocupação. 

- Não. Eu não passei. – mordi o lábio. 

Não sabia por que me sentia tão chocada, já esperava por aquilo. Sabe aqueles dias que você não está com cabeça para pensar? O dia que fui fazer a prova era um desses. 

- Ah, que pena! – disse Nana, me abraçando. 

Olhei para seu rosto e reparei que chorava. 

- Não fica assim não, Nana, eu nem tinha certeza do que cursar. 

- Mas... mas eu queria ter uma amiga na faculdade! – choramingou ela. 

Comecei a rir. Só a Nágila para me fazer rir num momento daqueles. 

- Veja pelo lado bom: vamos passar mais tempo juntas. 

- Não vamos não. Você disse que se não passasse no vestibular ia aceitar aquela proposta de emprego em período integral na Claire Cosméticos. 

Emprego. Período integral. Claire Cosméticos. As palavras me vinham à mente pouco a pouco, enquanto eu digeria o fato. Eu tinha um emprego: trabalhava por meio período nos finais de semana e feriados como garçonete num bufê requintado da região desde os dezesseis anos. E odiava meu emprego. Como não tinha muitos benefícios, compensava minha renda em lojas de departamento durante as altas temporadas de vendas no ano. 

Não lembro mais ou menos como aconteceu, mas troquei contato com um cliente cujo primo era filho do gerente administrativo da Claire Cosméticos e, recentemente, recebi uma ligação do departamento de RH dizendo que surgiu uma vaga no setor comercial e eu tinha o perfil ideal. Eu sequer havia enviado o meu currículo... Só de pensar em ter um emprego de verdade, sentia cambalhotas no estômago. Pelo menos, finalmente me veria livre daqueles uniformes medonhos. 

- Puxa, havia me esquecido completamente disso! – droga! pensei. 

- Você pediu para eu te lembrar caso você esquecesse. – droga de novo! 

Essa era uma das minhas principais características: esquecer as coisas. Não que eu fosse uma cabeça oca, mas as coisas menos importantes eu simplesmente apagava da memória. Claro que às vezes isso me prejudicava, pois não era muito bom você não se lembrar de promessas ou deixar a comida queimar. Também não era muito bom você esquecer o nome do chefe ou do atual namorado ou daquele velho amigo. 

Nana sempre me dizia que eu tinha que ser mais observadora, pois as coisas aconteciam a minha volta e eu nem me tocava. Isso era mal. 

3

Primeiro dia de trabalho é difícil. Primeiro dia de qualquer coisa é difícil. A ansiedade corroi a alma. Exagerada? Atire a primeira pedra quem nunca se atrasou por que ficou com dor de barriga! 

Não fazia ideia do que vestir, então, na hora das compras, peguei de tudo. Provavelmente meu primeiro pagamento (Pagamento! Uau! Não acredito que em breve eu seria uma assalariada!) seria apenas para liquidar a dívida dos cartões de crédito. Esse era mais um dos meus maus: tinha o terrível hábito de me credenciar em todas as lojas possíveis. Adorava colecionar cartões, deixava minha carteira um tanto colorida. Cartão de crédito, clube de vantagens, fidelidade. Tinha de tudo! 

Eu precisava causar uma boa primeira impressão. Precisava ser simpática, não demonstrar nervosismo, ser engraçada nos momentos certos, parecer séria ao computador. Demonstrar pró-atividade, comprometimento, liderança, altruísmo e todas aquelas palavras bonitas que aprendemos nas dinâmicas de grupo da vida. 

Minha roupa, meus sapatos, meu cabelo e minha maquiagem tinham que transmitir isso. Ah, as unhas também! Não vamos esquecer as unhas. Elas tem um papel fundamental nos apertos de mão. Ainda bem que eu havia agendado manicure com antecedência. 

Unhas feitas, cabelos escovados e presos num coque, maquiagem leve, sapatilhas de salto baixo e um conjuntinho tipo preto básico: eu estava pronta. (E com uma dor de barriga terrível). 

- Soraia Muniz: relaxa. Pelo amor de Deus! 

A Nágila era uma ótima colega de casa durante minhas crises de nervos. Quando eu estava estudando para o vestibular, ou quando passei os dias em agonia à espera da ligação prometida (homens!) e neste momento, quando ensaiava freneticamente frente ao espelho como me comportaria diante dos meus novos colegas de trabalho; ela era sempre muito solidária e realista. Fazia minha parte das tarefas domésticas, mas me dava beliscões e puxões de orelha sempre que necessário, para que eu fincasse os pés no chão e parasse de roer as unhas. 

Como sempre, ela estava mais do que certa, não havia motivos para toda minha aflição. Fui muito bem recebida, principalmente quando me perdi entre os corredores da empresa quando encaminhada a sala de quem, dali em diante, seria minha chefa. Fora ela quem me localizara e, cordialmente, serviu-me de um copo d’água e já foi adiantando quais seriam minhas obrigações ali. 

Estefani era uma mulher linda, não havia como negar. E um tanto sensual também, pelo modo como balançava os cabelos e cruzava as pernas ao sentar. Tinha pernas bem torneadas que entregavam seu hábito de malhar. Por um breve momento, senti-me intimidada por estar fora dos padrões. E comprar calças com uma numeração a menos só fez com que minhas sobrinhas indesejadas pulassem e formassem aquele temido pneusinho. Por sorte, minha camisa era mais folgadinha e conseguia esconder tudo. 

Já tentara de tudo. Tomava remédios para emagrecer, usava cremes que prometiam redução de medidas, frequentava a academia – três vezes por semana durante uma hora – e estava sempre de dieta. Mas era só surgir uma crise emocional que eu me empanturrava de chocolate, sorvete, massas e diferentes pãezinhos da padaria da esquina, aí minha dieta ia por água abaixo. 

Durante a adolescência, tive sérios problemas com indução de vômitos. Só me alimentava de arroz branco e salada verde, vivia com fome e com a boca seca, mas quando comia uma fatia de bolo de cenoura com cobertura de chocolate que a tia do mercadinho da escola preparava ou um misto quente no trailer que ficava estacionado na saída da escola, sentia-me horrivelmente culpada, enfiava o dedo na goela e me obrigava a vomitar tudo. 

A Nágila nunca tivera problemas com peso: tinha um metabolismo acelerado invejável. Olhei para Estefani mais uma vez. Como ela conseguia? 

- E então, está pronta para conhecer a equipe? – sorria ela, com os olhos alegres. 

Assim que entrei na sala, percebi que estava elegante demais. As garotas usavam roupas mais frescas e havia rapazes de bermuda. Por que eu escolhi uma roupa social, por quê? Seguido a formalidade das apresentações, acomodei-me no que seria dali adiante a minha mesa. Senti um orgulho subindo na garganta e não consegui evitar um sorriso com isso. Minha mesa! Quem diria! Eu, Soraia: auxiliar comercial da Claire Cosméticos. O que significava, basicamente: nunca mais me faltaria lápis de olho e chega de batons de mil anos no estojo de maquiagem! 

Ainda estava envolvida em meus devaneios quando um jovem esbelto virou-se para mim e me deu um sorrisão. 

- Oi, eu sou o Felipe. O que você precisar, pode contar comigo! 

Ai, que meigo! não pude deixar de pensar. Felipe não aparentava ser muito mais velho do que eu, e era um gatinho. Mas eu tinha a auto estima baixa demais para acreditar que ele estava flertando comigo. Mesmo assim, dei-lhe meu melhor sorriso. 

Não demorou muito para que eu me habituasse com a rotina do escritório. A eficiência se esvaiu na minha primeira semana de trabalho. Ainda que bem maquiada, entendi a necessidade de usar roupas mais confortáveis durante o período de trabalho. Ninguém merece ficar com as roupas colando depois de um expediente com a bunda grudada na cadeira. Estefani não gostava de ser incomodada, então tínhamos que ser autossuficientes na medida do possível. 

As coisas ficaram mais fáceis entre eu e meus colegas depois do primeiro happy hour. E foi nessa noite que rolou aquele clima entre eu e o Felipe. Talvez por que eu era carne nova no pedaço. Depois de algumas rodadas de cerveja, sentia-me a vontade demais para ficar tímida ou gracejar com suas piadinhas.

segunda-feira, outubro 03, 2011

Dicas para grêmios escolares

outubro 03, 2011 0 Comments

Tem atividades que podem ser feitas sem gastar um tostão e são ótimas para inovar a escola e divertir os alunos. Porém, há outras que é necessário arrecadar um dinheirinho para colocar em prática. Veja abaixo algumas dicas de atividades que seu grêmio pode fazer:
·         Mural de Notícias
Com criatividade é possível criar um mural artesanal onde se pode postar eventos, shows, baladas, festas e propagandas semanalmente.
·         Excursões
Quem disse que para fazer uma boa excursão é preciso sair da cidade? Com a contribuição dos alunos, é possível alugar ônibus e visitar pontos turísticos e locais públicos da sua cidade, como os parques. Além do mais, caso o objetivo é participar de atividades culturais como Teatro e Cinema, o ingresso pode ficar até mais barato se souber fazer uma boa negociação.
·         Show de Talentos Anual
Que tal criar um show de talentos no final do ano, com um custo razoável para participar e os professores como jurados? O prêmio poderia ser uma cesta montada pela própria turma da escola.
·         Homenagem ao Melhor Aluno Bimestral
No final de cada bimestre, o aluno que teve o melhor rendimento de cada classe poderia ser homenageado pelo próprio diretor, ou com um simples cartão para os pais durante a reunião. Isso levantaria o astral do aluno, e faria com que os outros desejassem essa colocação.
·         Comemorações
Há cada data comemorativa, a escola poderia entrar em ritmo de festa. Como no mês do natal, na páscoa, no mês dos namorados, na época de São João e no carnaval. Ou até mesmo comemorar cada estação que chegar.
Isso é simples: Por exemplo, no mês da páscoa a escola poderia ser enfeitada com coelhos e os alunos do grêmio poderiam fazer chocolate caseiro para vender no intervalo. No natal poderiam ensaiar a turma inteira para cantar uma cantiga na festa de fim do ano letivo. E nas estações, poderia haver uma competição de moda exigindo que os alunos fossem a escola usando trajes conforme a estação. No mês dos namorados poderia haver correios elegantes. Entre tantos outros!
·         Grupos de estudo
Por que não reunir aqueles alunos que tem mais dificuldades num determinada matéria e realizar um grupo de estudo fora do horário das aulas com um aluno expert de apoio? Essa atividade poderia ser complementada com vídeos, filmes, música, internet, livros, etc. Estudar acabaria se tornando algo um tanto divertido.

Índigo

outubro 03, 2011 0 Comments
Ahh, estou solteira novamente. Por que meu namoro acabou? Porque eu não quero me casar. Não, ele não me pediu em casamento. É que praticamente TODAS as minhas amigas estão se casando e estou com medo de querer me casar também. E o pior é que meu namorado (oops... ex) pensava bastante nisso, afinal ele sempre falava que queria acordar todas as manhãs comigo ao seu lado, e ficarmos velhinhos juntos, e termos filhos e tal. Eu sei que era para eu ficar feliz com isso, mas não dá. Eu não me imagino assim. Eu não quero ter filhos tão cedo. Eu me imagino morando sozinha, visitando minha mãe com freqüência, fazendo faculdade, publicando meus livros, curtindo festinhas com as amigas e saindo com o namorado aos fins de semana, sei lá. Tipo isso. Poxa, tenta me compreender!
Ok. Vamos ao que interessa. Fui na Viagem Literária, que ocorre sempre aqui em Várzea Paulista, e adivinha quem eu conheci?  A Índigo. Se você reparar, ela está na minha lista de autores, lá embaixo. Gosto muito do seu jeito de escrever, seus livros são divertidos e interessantes. Ela é uma pessoa maravilhosa, super simpática, e parece que guarda uma criança dentro dela. Eu queria ter feito uma entrevista rápida para postar no meu blog Jeito de Garota, mas umas pessoinhas ficaram morcegando em volta, dizendo “ah, essa que é a escritora da nossa cidade!”. Não que eu não tenha gostado, mas eu queria um momentinho particular para conversar com ela, mas não deu. Mas pelo menos peguei um autógrafo para grampear no meu diário e bati uma foto para postar aqui.
Ela contou algumas coisas interessantes sobre sua vida como escritora. Identifiquei-me totalmente. Primeiro que ela teve berço (não é pobre), o que já facilitou bastante, preciso destacar. Afinal, não é qualquer um que faz faculdade de jornalismo no exterior.
Quando pequena, ela nem sonhava em ser escritora, gostava de ler e escrever, mas achava que todos os escritores estavam mortos e que essa profissão meio que se igualava a ser astronauta. Mas quando entrou para a faculdade, percebeu que detestava jornalismo, afinal, tinha que escrever fatos reais, e gostava de escrever histórias fictícias. Quando ia entrevistar alguém, ela ignorava totalmente a pessoa por que ficava imaginando qual seria a personalidade dela e criava toda uma história para ela.
Então. Eu também faço isso. Quase sempre. Meio que mesclando minha futura profissão de psicóloga. Por exemplo, um dia no trabalho (ah, eu arrumei um bico aos domingos numa lanchonete), um homem sentou na mesa e bebeu umas 4 garrafas de cerveja durante o dia. Ele parecia tão tristonho. E eu ficava me perguntando o que se passava em sua mente. E me deu uma vontade danada de correr lá e sentar ao seu lado e realizar uma sessão ali mesmo.
Voltando para a Índigo, ao terminar a faculdade ela decidiu escrever. Ela disse que a faculdade teve serventia para ela aprender a escrever bem. Eu também morro de vontade de fazer um curso ou sei lá o que na área de escrita para aperfeiçoar isso. Atualmente, ela escreve e tira seu sustento da profissão de tradutora.
Ela escrevia blogs bem interessantes que sempre continham 73 contos. São eles: 73 bichos, 73 subempregos, 73 leitores, 73 obsessões. Seu eu fosse vocês davam uma olhada.
Uma das experiências dela que eu julguei a mais divertida, foi quando decidiu trabalhar para os outros, escrever para os outros. Ela espalhou cerca de 300 cartazes em São Paulo dizendo para contratarem uma escritora, e o endereço de um site embaixo. Ao entrar no site, a pessoa tinha várias opções de serviço, com preços bem baratinhos. O cliente podia pedir, por exemplo, uma carta de amor. Numa noite, a turma do Jô Soares ligou perguntando se aquilo era sério, e lá foi ela fazer uma entrevista no Jô. No outro dia, havia uns mil e-mails em sua caixa de entrada. Entre eles, a MTV perguntando se ela escrevia vinhetas, e a Disney perguntando se ela escrevia sinopse, ou um treco assim.
Naquele tempo, as pessoas julgavam o livro pelo autor, como se só mulheres pudessem escrever bem. Então, ao publicar seus livros, a Índigo escolheu um pseudônimo que não revelasse seu gênero. E deu certo, não? Seus livros eram tão bons que ela começou a receber vários pedidos para fazer livros por encomenda, mas ela queria escrever o que gostava, então parou de aceitar encomendas.
Livros por encomenda é assim: A editora diz como quer o livro e você tem que escrever dentro desses padrões. Por exemplo, a moda agora é vampiros, então ela pedia um livro assim. Isso é bem chato. Mas dá mais lucro.
A Índigo falou uma coisa que chamou minha atenção. Ela disse que aprecia pessoas curiosas, pois a curiosidade é uma forma de demonstrar que a pessoa tem interesse pela vida. Vou colocar isso aqui do ladinho.
Ah, sim. Esqueci disso. Quando ela começou a escrever, sua ideia de vida de escritora era bem romântica: Ela se imaginava numa chácara, digitando por horas páginas e páginas do livro, e ganhando muito dinheiro. Na realidade, ela só consegue escrever uma página boa por dia, e o retorno financeiro vem depois de três anos. Ela disse que adorava acordar e ir pro computador ainda de pijama, apesar de que a inspiração nunca vem quando se está no computador. E, curiosidade, ela só escreve de manhã.
Ahhhhhhh, eu quero essa vida para mim.


P.S. Minha net voltou (Uhu!), então não estranhe um montão de post um atrás do outro. Reescrevi uns contos antigos e publiquei aqui. Em breve o blog vai entrar em construção, vou dar uma personalização geral por aqui. Beijoocas.. *-*

O Amor Chegou

outubro 03, 2011 0 Comments

Luana chegou em casa e correu para o seu quarto, batendo a porta. Começou a pular em cima da cama, sem conseguir conter o enorme sorriso que se formou em seu rosto, sua vontade era gritar pro mundo inteiro ouvir a imensa felicidade que carregava em seu peito. Agarrou o travesseiro, gritou contra ele, gritou mais, gritou mais forte, perdeu o fôlego. Deitou na cama e ficou pensando alegremente em seu amado, seus olhinhos brilhavam parecendo duas estrelinhas piscando.
Mal conseguia se controlar, não se deu conta de que era apenas mais um garoto em sua vida que a acompanharia até ao baile da escola e, num piscar, todos já estavam sabendo que ela estava apaixonada. O comentário se espalhou todo canto, mas o garoto parecia não se importar com isso.
O dia do baile chegou. Cansada daquelas roupas, daquele mesmo penteado, Luana foi com suas amigas comprar roupas novas. Queria ficar bonita para o seu amado.
- Eu te amo...
O garoto não parava de dançar naquelas palavras, que perturbavam muito o seu pensamento. Foi até a casa de Luana para buscá-la, encantou-se com seu charme, ela estava deslumbrante, mais linda do que nunca. Em pensar que tudo aquilo era para ele, corou levemente, acompanhou-a até o baile. A tensão não lhe impediu de puxá-la para dançar, e enquanto segurava suas mãos, olhava em seus olhos, sentia algo tomando conta de si, a emoção invadindo-o por dentro, o amor tocou seu coração quando ela repetiu aquela frase:
- Eu te amo...

Amor de Perdição

outubro 03, 2011 0 Comments

Á tempo Marcos notou algo especial em Ketlen, o seu jeito de ser, sua fisionomia, a maneira como ela lhe olhava e lhe tratava. Ele percebeu que ela era um tanto carinhosa com ele, e após pensar e repensar, não se agüentou e lhe perguntou, em plena sala de aula:
- Ketlen, você gosta de mim? Gosta, não gosta?
- Sim, Marcos. Eu gosto muito de você. – respondeu ela, toda sorrisos.
Ele não tocou no assunto durante semanas, na verdade, tudo estava confuso em sua mente, Ketlen parecia não ter levado a sério sua pergunta, ou respondido de forma a entender que ela gostava muito dele como amigo.
Não dava para acreditar que ela realmente gostava dele. Não podia ser verdade. Mas era, e depois de muito tempo, Marcos percebeu.
Marcos estava entre os dez mais bonitos da escola, então várias meninas ficavam lhe assediando e, aliás, por ser dócil e meigo, muitas já tinham se apaixonado por ele. Mas era sempre a mesma história, as suas quase-namoradas não agüentavam com a pressão e acabavam terminando tudo. Foi por isso que Marcos decidiu cultivar apenas amizade com as meninas, e prometeu a si mesmo que só ficaria com alguém quando estivesse apaixonado.
E eis que a Ketlen aparece na escola, e tudo ficou diferente. Ela era uma garota simples, e praticamente nunca arrastava a asinha pro lado dele, apesar de que, depois de tanto observá-la, ele notou alguns indícios de que podia ser correspondido. Mas Ketlen não facilitava nada, e sua mente estava sempre confusa com relação a ela.
Ele temia que ela não sentisse nada por ele, e tudo não passava de uma ilusão. Por isso, se aproximou aos poucos até ganhar sua amizade. Puxa, logo agora que encontrar alguém legal, só o que faltava era a menina não estar nem aí para ele! Esses pensamentos lhe perturbavam, ele precisava ter certeza dos sentimentos dela antes de se revelar.
O que ele não sabia é que Ketlen chorava em silêncio todas as noites, e morria de ciúmes das suas amigas, e aguardava quase que impaciente uma atitude dele. Temia ser apenas mais uma na vida do garoto.
Certo dia a campainha da sua casa tocou, e Ketlen se surpreendeu ao ver que era Marcos ali na porta de sua casa. Ela ficou tenta, sem saber o que fazer. O que ele, logo ele, viria fazer ali, logo ali? Nervosa, ela o convidou para entrar, nervoso, ele recusou e a convidou para darem uma volta, gaguejando de felicidade ela aceitou o convite.
Depois de voltas e mais voltas na praça central da cidade, ele resolveu tocar no assunto que lhe fez ir até lá, falou tudo de uma vez, traduzindo em palavras tudo o que sentia e lhe perturbava.
- Ketlen, eu gosto de você... Mas eu gosto de você de verdade!
- Eu sei Marcos, eu também...
- Mas eu quero ficar com você, Ketlen!
A garota ficou calada, olhando-o com os olhos arregalados, perplexa. Por um lado, queria mesmo ficar com ele, mas ela não entendia se o que sentia era apenas uma atração ou era mais que isso. Tinha medo de ficar com ele e ser apenas mais um número em sua vida. Mas naquele momento, tudo fugiu da mente, e ela deixou apenas o coração falar por ela:
- Eu não quero apenas um beijo seu, Marcos, eu quero mais que isso... Eu quero você!
A felicidade era tanta que nem havia espaço para mais palavras, e foi assim, sem nenhum som emitido pela boca, que os dois se envolveram e perceberam quanto tempo tinham perdido.

Mais que Amigo

outubro 03, 2011 0 Comments

Fabiane me olhou espantada e exclamou:
- Você vai deixar de ir pra uma festa super mara com sua amiga pra estudar biologia com o Felipe?
- É, Fabi! Já te disse, prometi para ele que iria ajudá-lo em matemática e biologia toda sexta-feira... Mas dá pra gente sair juntas no sábado...
- Humm... Não sei não! Esse seu colega de classe quer mesmo só estudar? Pra mim, esse papinho é só para te pegar... Olha lá, garota!
Ciúmes, ela estava com ciúmes de mim. Era sempre assim, era só eu fazer um programa que, para variar, não fosse com ela e a Fabi se sentia como se estivesse me roubando dela. Quando se tratava de homens então, ela não compreendia mesmo, simplesmente não acreditava que podia haver amizade entre homens e mulheres.
O que a Fabi não sabia é que era eu que estava super afim dele. Só que ele me tratava da mesma forma que tratava todo mundo, então eu estava crente que ele não sentia nada por mim. Mesmo assim, ficava desconcertada em comentar isso com minha melhor amiga, pois receava a maneira como ela iria reagir.
Fazia certo tempo já desde que os estudos extras de sexta haviam começado. Conforme o tempo foi passando, passei a sentir falta dos risos que eu e o Felipe dávamos juntos das nossas brincadeiras, da simplicidade de uma amizade perdida que se transformou em amor. Ás vezes eu tinha a leve impressão que ele estava me olhando de um jeito diferente, mas ele me respeitava tanto que, se sentia algo por mim, não revelaria isso tão cedo.
Mas depois que larguei as festinhas de fim de semana para estudar, a Fabiane começou a desconfiar. E, falando sério, já fazia tanto tempo que escondia o que sentia que não suportava mais. Neste dia, porém, Fabi me pegou de surpresa.
- Você vai ter que conversar com ele.
- O que?!
- Tenho certeza que depois de dois o caderno dele está com a matéria toda em dia. Ou ele gosta de você, ou é muito burro mesmo. Conversa com ele e resolve isso, por que eu não agüento mais ficar dentro de casa a sexta todinha.
- Mas Fabi... Não posso, ele... – fiquei procurando as palavras, mas não encontrei nenhum argumento bom.
- Nem vem. Ou você fala, ou eu falo.
Naquela noite, eu chorei. Não podia me afastar dele, simplesmente não iria conseguir. Mas se revelasse o que eu sentia... e se ele não me correspondia? E se me rejeitasse? E se ele se afastaria de mim? Não suportava a ideia da nossa amizade se perder assim... Eu podia não tê-lo como namorado, mas pelo menos tinha sua amizade.
Mas pensando melhor, mais cedo ou mais tarde eu sofreria, afinal, se ele não viesse para os meus braços, iria para os braços de outra, e eu sofreria muito, muito mesmo.
Decidida, esperei que o dia seguinte chegasse. Exatamente às 3 horas da tarde, ele chegou. Jogou sua mochila em cima da mesa e se deitou no chão da sala, espalhando os cadernos para revisarmos o conteúdo daquela semana, como sempre fazíamos. Mas, ao notar que eu não tinha feito o mesmo, ele se levantou e me olhou confuso. Deve ter notado alguma coisa diferente em meus olhos, pois questionou:
- O que houve, Mariana?
- Não dá mais.
- Não dá mais o que?
- Nós dois, estudando juntos de sexta-feira.
Ele me olhou num misto de susto e angústia, e desviou seus olhos do meu. Não era bem assim que eu tinha planejado, mas as palavras tinham fugido da minha mente, e eu passei a falar tudo o que estava no coração.
- Por quê? – perguntou ele, olhando para o chão.
- Por que eu me apaixonei por você, Felipe.
Silêncio. Ele olhou para o meu rosto rapidamente e tornou a desviar o olhar. Minhas mãos suavam, o coração batia rapidamente, eu sentia vontade de abraça-lo, ou de sumir, ir pro meu quarto, ou então, o pior de tudo, eu temia que ele partisse. Passei a fitá-lo, aquela poderia ser a última vez que lhe via assim, diante de mim. Ele olhava além da janela, com um brilho nos olhos e um sorriso brotando na ponta dos lábios. Pronto, pensei entrementes, ele vai caçoar de mim.
- Por que sorri? – perguntei, aflita.
- Por que demorou tanto, Mari?
- Hã?
- Por que demorou tanto para me dizer isso?
- Por que, er, eu...
Não terminei de falar. Naquele momento ele grudou seus lábios no meu, e todo o resto perdeu sentido.
Putz, como é que eu ia explicar isso para a Fabi?

Juliana nº24 8ª Série C - Redação de Português - Tema: Página de Diário

outubro 03, 2011 2 Comments

Dia 15 de julho, sexta-feira

Namorar? Nem pensar! Nem sonho com isso, afinal a vida tem mais o que oferecer, precisamos curtir enquanto é tempo. Não sou de ficar correndo atrás de homens por que, em minha opinião, nenhum deles presta. Aliás, eu quero mais é beijar na boca e me divertir.
Meu nome é Juliana, sou muito ligada em ficadas rápidas e nunca namorei, nem quero. Pretendentes não faltam, até os meninos com quem já fiquei pedem BIS, mas não sou replay.
Minha mãe não gosta nem um pouco desse comportamento. A velhota é cheia de regrinhas. Agora que eu completei 14 posso colocar um piercing, mas...
- Piercing com 14. Luzes, mechas e pintura nos cabelos após os 15. Tatuagem? Com 18.
Até então beleza, mas quando se trata de...
- Balada com 18, e nem pense em ir escondido! Namorar depois dos 15, e olhe lá! Aumento na mesada? Que nada! Com 16, você vai é arrumar um emprego! Drogas e bebidas, nem sonhe! Sexo só com casamento! Quero netos aos...
É um saco ter que acordar cedo, gastar a mesada no shopping e quando aparece uma excursão e preciso de mais dinheiro, minha mãe vem com suas regrinhas. E quando tem uma festinha logo ali... ahh, só depois de lavar a louça, e ainda tenho hora para voltar! Sem falar que não posso usar nada de roupas curtas, e ela diz que minha coleção de revistas, sapatos e bijuterias são bobagens. E o pior de tudo é saber que ainda dependo dela para tudo.
- Queridinha, você é muito novinha!
Novinha o raio. Sou madura o suficiente para cuidar de mim mesma. Então, poxa, me deixa sair com as amigas, mudar meu visual, fazer umas loucuras de vez em quando. Uma loucurinha não faz mal a ninguém.

O Diário de Ana Carolina - O Primeiro Beijo

outubro 03, 2011 0 Comments

11 de maio, sexta

14 h 15

Hoje acordei de mau humor. Estava com raiva por que ontem eu estava na rua com as minhas amigas e a minha mãe me mandou entrar sendo que ainda era dez horas da noite, e isso para mim é um absurdo. Poxa, eu já tenho 13 anos, por que não posso ficar até mais tarde na rua?
Mas eu tenho uma notícia boa: Hoje a noite ela vai para o forró, e as meninas vão ir numa vestinha que vai rolar na casa da Camila, e é claro que eu vou ir. Escondida.
Ei, minha mãe acabou de gritar “Filha! Não é para sair enquanto eu estiver fora, ein!”, como é que ela sabe que estava querendo aprontar? Pois é, coração de mãe nunca se engana.

21 h

A mãe e o pai saíram faz um tempinho. A Valéria e a Luana estão aqui, me ajudando a escolher uma roupa. Acho que vou usar aquele vestido tomara que caia que ganhei de presente da madrinha. Só estou um pouco desconcertada por que toda hora a Lu fala que hoje eu vou dar meu primeiro beijo de língua. E, sei lá, eu sei que o Rafael e o Maurício estarão na festa, e se eles estarão lá então o Cleber também vai estar.
Cleber é uma gracinha. Faz tempo que paquero ele, mas sua timidez não deixa ele tomar um atitude e chegar logo em mim. Será que essa noite vai rolar? Se a Camila estiver lá, com certeza que não. Ela é louca para ficar com o Cleber, e vive fazendo charminho para ele, desde o dia em que descobriu que eu estava de olho nele.
Ahh, não quero nem olhar para a cara dela. E se ela vier com graça, vai descobrir que vaca voa.

12 de maio, sábado

0 h 40

Vim embora antes que a festa acabasse. Mas eu não imaginava que ao chegar minha mãe estaria aqui. Diz ela que ligou e ninguém atendeu, então veio a mil. Ah, eu tinha que ter lembrado de deixar o telefone fora do gancho! Broncas, broncas e mais broncas. Mas não é por causa disso que estou com raiva.
A Camila ficou com o Cleber. Dá para acreditar? Eu sei, não dá mesmo. Deve estar todo mundo curtindo com a minha cara, afinal, todo mundo sabia que eu era a fim do Cleber.
Acho que vou dormir. Beijos Diário, amanhã conversamos mais.

11 h

Acordei agora pouco. Mamãe veio aqui trazer meu café-da-manhã. Ela queria conversar comigo. Veio com aquele papo “e aí, como foi a festa?”, como se eu não soubesse que está bolada comigo e só estava tentando ser simpática para ver se descobria tudo o que aconteceu na festa. Tipo se eu beijei.
Disse que tinha sido daora e tudo mais, mas ela não se deixou enganar.
“Você não me pareceu muito alegre quando chegou...” disse ela. E pior que eu estava tão frustrada que acabei abrindo o jogo. Sabe o que ela disse? “Se eu fosse você, largava mão desse garoto! Não, melhor: Caçava ele e deixava claro que ele já tem dono! Que tal bater um papo com a Camila, para ela te dar umas dicas?” falou, dando uma piscadela. Minha mãe imitando adolescente fica bizarra. “Acontece que a garota de quem eu falei é a Camila”, expliquei.
Ela ficou boquiaberta. Também, adorava a Camila, mais até do que a mim. Sempre a usava como referência, em toda e qualquer situação. “Por que você não aprende Balé? A Camila faz há dois anos e disse...” ou “Você precisa ter mais modos, Ana Carolina! Precisa ver como a Camila usa os talheres certos para cada refeição!”, entre outros.

15 h 30

As meninas vieram aqui me chamar para tomar sorvete. Segundo a experiência da Luana, o Cleber só deu bola para a Camila por que os amigos estavam por perto e ele não queria fazer feio. “Mas por que ele nunca deu bola para mim?” perguntei. E a Valéria, que é faz o tipo romântica e melosa, disse que por mais assanhado que o cara seja, ele apresenta mais respeito e sente certa timidez diante da garota que gosta.
Então, nosso plano é o seguinte: Eu vou ignorar o Cleber. Para ele se tocar e vir logo atrás de mim. Vai ser facílimo seguir esse plano, afinal, estou morta de raiva dele agora que me convenci de que ele gosta de mim.

13 de maio, domingo

3 h

Estou louca para amanhecer logo. Fiquei horas rolando na cama, mas não consigo dormir. Fico aqui com os olhos estralados pensando bobagem.
Ontem os moleques vieram aqui na minha rua, e fiz do jeito que as meninas disseram, nem olhei para o Cleber. Tá bom, eu olhei, mas só quando ele não estava olhando. Ain, será que isso vai dar certo, ein?

18 h

Exatamente às meio-dia a campinha foi tocada e quando abri a porta tinha um ursinho e um cartão que dizia “me encontre daqui duas horas, na lanchonete da Paula”. Fiquei super animada, estava besta como o plano deu cedo tão rápido.
Mas quando cheguei na lanchonete não era o Cleber que estava me esperando. Era o Rafael. Ele me deu um abraço carinhoso, estava todo encabulado, e comprou meu sorvete favorito. Fiquei tão sem graça, e acho que ele percebeu, mas pensou que era timidez.
Ele sabia qual era meu sorvete favorito. Até minha mãe, que é minha mãe, quase nunca acerta meu sorvete. O Rafael me cobriu de meigos e elogios. Disse que sempre quis ficar comigo, mas eu nunca dava bola para ele, e suas tentativas eram em vão.
Lembra, na festa de sexta? Ele não saia de perto de mim, toda hora trazia um copo de refrigerante para me agradar, mas eu não tirava o olho do Cleber. E quando vi ele ficando com a Camila, disse que queria ir embora, e o Rafael me trouxe sem reclamar.
O Rafael era um garoto lindo. Como é que eu nunca tinha notado isso antes? Fiquei tão feliz em saber que alguém, enfim, sentia atração por mim que me deixei levar pela emoção e lhe beijei. Ele não reclamou do fato que eu não sabia beijar, afinal, aquele também era o seu primeiro beijo.
Ele me disse que esperava por aquilo desde que me viu pela primeira vez, mas só queria chegar em mim depois que esse xodó que eu tinha pelo Cleber passasse.
E adivinha? Passou. Por que quando eu e o Rafa saímos de mãos dadas dali, senti algo estranho no peito, era mais que ansiedade, mais que atração. Eu estava apaixonada e não sabia.

quinta-feira, setembro 22, 2011

Cara Moleca dos Cabelos de Fogo

setembro 22, 2011 0 Comments

Quando te vi pela primeira vez, meu coração bateu mais forte, meus olhos brilharam e as palavras me fugiram dos lábios. Como você estava linda! Logo eu me interessei por você, pelo seu jeito de ser, e logo soube que iria rolar alguma coisa entre a gente, pois meu corpo pedia o teu.
Durante muito tempo, a cada segundo do dia, eu não conseguia tirar você da minha cabeça, e passava noites em claro pensando em você. Foi então que confirmei para mim mesmo que o sentia por você era algo forte de mais. O que eu sentia era coisa séria. Era diferente de tudo que tinha sentido antes, por qualquer alguém.
E esse sentimento foi crescendo, foi tomando conta de mim, até me dominar completamente. Foi aí, ah, foi aí que eu descobri o que é a o amor... Mas ele não vinha desacompanhado.
Ah, esse amor incontrolável me deixava atordoado, a timidez não deixava eu me aproximar de você, logo eu, que tinha tido tantas namoradas sem precisar que ninguém as empurrasse para mim!
Às vezes eu tinha sérias dúvidas quanto ao que você sentia por mim. Às vezes eu achava que você não gostava de mim, e que eu me iludia feito bobo. Foram momentos de lágrimas e sofrimento que me fizeram perceber que esse amor me castigava.
Eu me sentia tão triste, tão fraco.
Mas aí você chegava, jogava os cabelos para o lado, colocava um sorriso nos lábios e me olhava daquele seu jeito maroto e pronto! Lá estava eu, me derretendo com teu jeitinho. E quando você me convenceu de que queria algo a mais de mim, fez meu coração gritar de felicidade, me deixando tão nervoso a ponto de não saber o que fazer.
As horas que passei ao seu lado foram mágicas para mim, queria ficar ali por dias, mas o tempo passou tão rápido que quando vi já era tarde da noite, e todo o encanto tinha se acabado. A marca do seu beijo ficou em meus lábios, ah, ele tinha gosto de paixão, lembro-me até hoje.
Mas então notei que aquilo não iria se repetir, que fora apenas uma noite, apenas uma aventura para você. Eu senti um aperto no peito, pois havia mergulhado de cabeça nisso tudo. Você ignorava minhas ligações, você nunca mais sorriu para mim e me olhou de jeito maroto.
A vontade de reviver tudo aquilo ficou presente por muitos meses, até que, vencido pelo tempo, tudo o que restou fora saudade, que eu guardei no canto do peito para poder seguir em frente.
Hoje em dia eu não sinto mais tanta emoção ao te ver, mas saiba que ainda gosto muito de você, pois um amor verdadeiro nunca morre. Me sinto bem melhor em desabafar com você, afinal, caso um dia você queira voltar, saberá que estarei te esperando.
Beijos e abraços

À Primeira Vista

setembro 22, 2011 0 Comments

Não queria me apaixonar, mas acho que já aconteceu.
Afinal, não mandamos no coração, é ele quem manda na gente.
Por que é que ele foi aparecer em meu caminho? Por que eu tinha que gostar justo dele, entre tantos outros garotos bonitos? Ah, como me sinto confusa! Várias perguntas, certamente sem respostas, atormentam meu pensamento e afetam meu coração...
Foi tudo tão de repente, quando eu percebi, já estava apaixonada, e ele estava lá no fundo do meu coração. Foi tudo num piscar de olhos, nem ao menos me consultaram se eu queria gostar dele, foi tudo contra a minha vontade.
Vivo me iludindo com o que sinto, tento dominar tal sentimento, mas ele me domina antes, ele é incontrolável, é até insuportável, parece que quer me enlouquecer. E isso eu não admito!
Olho em seus olhos e me deixo flutuar. Queria tanto estar sempre perto dele, todavia o desejo bem longe de mim, para não me influenciar com seu jeito de ser. Queria-o só para mim, queria que não existisse mais ninguém no mundo além de nós dois. Queria viver desse amor, usá-lo para saciar a fome, para não sentir frio, para não me abalar por nada nem ninguém.
Morro de ciúmes dele. E isso é muito chato.
Vivo implorando para que ele goste de mim, mas ele parece não me ouvir. Ou ouve, mas me diz para esquecê-lo, por me amar está fora de seu alcance. Mas esquecê-lo é tão impossível.
Sinto-me como se tudo estivesse contra nós, desde que nos vimos pela primeira vez. A cada suspiro profundo, engulo as palavras e guardo esse amor só para mim. Quer dizer, todos já perceberam, mas ele parece me ignorar. Não quero me revelar, quero que ele descubra sozinho o quanto me ama também.
Mas o tempo passa, e nada.
A noite me perco em suspiros tentando esquecê-lo. Faço de tudo para não me lembrar dele, mas tudo me lembra ele. Lágrimas escorrem dos meus olhos, por culpa dele. Ah, esse amor não quer esperar, e desconta tudo em mim, como se fosse culpa minha ele não me notar.
Não gosto de me sentir prejudicada. E ele me faz sentir assim. Ele me faz mentir para mim mesma. Ele me magoa profundamente por não me corresponder. Ele me deixa desesperada, aflita e lunática. Por sua culpa, sinto algo que não queria sentir. Sinto dor. Mas é uma dor diferente, que não se situa na superfície da pele. Ah, não gosto quando ele me decepciona assim.
Sinto-o presente em meu viver, quando o que mais quero é arrancar-te a força da minha vida, da minha memória, do meu coração. Ah, se ele soubesse, iria me poupar de tanto sofrimento, mas ele não nota, ele não percebe logo que me ama! E eu fico aqui, te esperando, te esperando...
E enquanto ele não vir, esperarei por toda a eternidade.

8 de Março

setembro 22, 2011 0 Comments

Aquele dia, 8 de março, era aniversário do meu ex. Se eu estivesse com ele, iríamos fazer como a quase um ano atrás, namoraríamos o dia inteiro. Mas não, hoje eu estava jantando na casa do meu atual namorado, que estava comigo a mais de três meses, e demonstrava muito carinho e atenção para comigo, tanto que achou que já era hora de me apresentar para sua família.
Ao contrário do meu ex, que só me decepcionava, Evandro era um amor de pessoa. Ele parecia ser o cara ideal para mim, me enchia de presentes e sempre preparava surpresas maravilhosas. Era super romântico, e um cara muito família. Como era dia da mulher, fez de tudo para me agradar, desde um passeio no shopping (com direito a compras) a jantar em sua casa e dormir abraçadinha com ele.
Aquela seria a primeira vez que eu dormiria com ele, e estava muito emocionada, pois ele estava fazendo com que tudo parecesse perfeito. Além do mais, queria muito conhecer minha sogra, e ele não parava de dizer o quanto sua família iria me adorar. Um homem perfeito e completo, isso que ele era, bonito e educado.
Mas apesar disso tudo, eu ainda guardava um pouquinho de tristeza em meu peito, e nada parecia suficiente para levar minha auto-estima as alturas, fazia o máximo de esforço para sorrir e demonstrar satisfação, mas o meu olhar vago e sem brilho me entregava. A verdade é que eu ainda guardava mágoas do passado.
Todos os meus membros e sentidos conspiravam contra mim. Meu coração queria me obrigar a confessar o que estava dentro dele, meus pensamentos parecia me mostrar flashes do meu antigo relacionamento, e minhas mãos e pernas estavam inquietos. Ah, que vergonha, admitir que ainda sentia falta daquele canalha depois de tudo o que passei com ele.
A família de Evandro era maravilhosa, todos estavam sendo muito simpáticos comigo, mas eu não conseguia conter a amargura de me sentir como se ali não fosse meu lugar, que eles não deviam estar me tratando assim, afinal, eu nem ao menos tinha consideração por eles.
No meio do jantar, não agüentei e pedi licença para ir ao banheiro. No caminho, ouvi comentários agradáveis sobre mim. “Ela não é adorável?” dizia minha sogra. “Acho que dessa vez você acertou, ein Evandro!” dizia sua tia. Fechei a porta atrás de mim e olhei-me no espelho.
Realmente, eu estava disfarçando a tristeza muito bem, o rosto maquiado nem deixava transparecer o que eu sentia lá no fundo. Olhei para dentro dos meus olhos, encarei a mim mesma, deixei que aquilo que estava dentro de mim fosse para a superfície e, enfim, estava pronta para um confronto com meus sentimentos.
- Olhos, você não lembra o quanto ele te fez chorar?
- Mas você sabe que eu só tenho olhos para ele...! – respondeu-me os olhos, revirando-se.
- Boca, você não se lembra das discussões que sempre tínhamos?
- Não. Só me lembro do gosto delicioso que tinha os seus beijos...! – disse a boca, toda lunática.
- Mente, você não se lembra o quanto ele te perturbou com perjúrios e mentiras?
- Só me lembro dos bons momentos que passamos ao seu lado. – disse a mente, e logo me mostrou cenas de amor e ilusão.
- E você, pobre coração?! Não consegue sentir um pingo de ódio pelo que tanto que sofreu?
- Ora, claro que não! Eu o amo, e o amor supera tudo!
- Fiquem quietos! – quase gritei. – Como é possível vocês ignorarem todas as lágrimas que escorreram, todas as noites mal dormidas, todas a dor que senti... por favor, me ajudem a superar e a esquecer!
Mas eles não queriam me compreender. O coração apertou no peito, enquanto eu soluçava e meus olhos lagrimavam, avermelhados. Parei de pensar bobagem. Não adiantava conversar comigo mesma, aquilo não iria me levar a nada. Lavei o rosto e voltei para a mesa de jantar. Estava louca para fingir que eu estava feliz, como se aquilo pudesse se tornar realidade instantaneamente.
Após um ou dois filmes, cujo título nem me lembro, fomos nos deitar. Evandro me abraçou carinhosamente, cheio de seus meigos e louco para fazer algo mais. Disse que queria tresnoitar comigo enquanto me beijava no pescoço, depois no queixo, depois encontrando meus lábios. Suas mãos me acariciavam com delicadeza, e tudo aquilo era muito gostoso, eu não podia mentir.
Mas logo pus-me a lembrar de como queria que a minha primeira vez tivesse sido com o inútil do meu ex. De como planejara aquilo, e quantas vezes ele me deixara esperando. Assim, no meio da noite escura, não senti necessidade de segurar as lágrimas que me vinham aos olhos, permitindo que elas deslizassem pelo meu rosto, tombando no travesseiro.
Lógico que Evandro não percebera nada, ele continuava na mesma empolgação enquanto descobria nossos corpos. Abraçava-me com força e, quando sentia alguma ausência de emoção, ou quando meu corpo se enrijecia, me perguntava ansioso se estava fazendo algo errado. Claro que não, ele era perfeito, ele sempre fazia tudo certo. E era esse o problema. Em quase dois anos de namoro, meu ex nunca me amou como ele me amava.
Por muito tempo, não me relacionei por medo de sofrer de novo, mas eu tinha certeza de que Evandro nunca me faria sofrer. Ah, como eu queria tê-lo conhecido primeiro! Como eu queria amar-lhe da mesma forma que ele me amava! Talvez eu estivesse me precipitando, talvez ele fosse capaz de me fazer esquecer toda a dor.
- Evandro, você é um cara maravilhoso, por favor não fique magoado mas...
- Mas?
- É que... eu acho... talvez...
- Fala meu amor, estou te ouvindo.
- Acho que ainda não estou pronta.
- Ora, tudo bem! – riu ele.
Tornou a me abraçar carinhosamente e não demorou que se deixasse levar pelo sono. Enquanto a mim, tentei dormir entre soluços, para que no dia seguinte eu acordasse e fingisse que estava tudo bem.