Follow Me @bymelissaart

quinta-feira, outubro 27, 2011

Namoricos, ENEM e benefícios do trabalho voluntário

outubro 27, 2011 0 Comments
Olá galera que acompanha o meu blog!
Trago notícias boas e ruins. Quais vocês querem ouvir primeiro?
Brincadeirinha. Vocês não têm opção mesmo.


Tenho uma revelação para fazer

Perdoem-me por nunca ter lhes contado isso antes. Acontece que implicava a vida de outras pessoas, e eu não podia prejudicar a imagem delas. Mas, sei lá o que deu em mim, decidi revelar.
Momentos dos Delírios, ao contrário do que vivo afirmando, é uma obra de ficção baseada em fatos reais SIM!
Tá, ok, não a história em si. Mas diversas cenas foram tiradas da realidade.
Por exemplo, as conversas maliciosas entre os grupos de meninos/meninas: são coisas que eu converso entre minhas amigas. A grosseria dos meninos com relação a sexo é pura verdade, são coisas que eu ouço dentro da sala de aula!
A maneira como a Verônica perdeu a virgindade: Por mais assustador que pareça, aquilo aconteceu com uma amiga minha.
Tá, mas a revelação mais bombástica é sobre os personagens principais: Para criar o romance entre os dois me inspirei num relacionamento mal sucedido MEU. Isso mesmo.
Há dois anos atrás eu ficava com um garoto, e meio que me apaixonei por ele. O Duda é praticamente a imagem que eu pintava dele antes de conhecê-lo como ele de fato é. Então eu pensei como seria se ele se apaixonasse por uma garota que desviasse de todas as suas exigências, e eis que surgiu a Verônica.
Tá. A verdade do por que eu estou contando isso é por que neste ano nos reencontramos. E ele me deu um pé na bunda. Isso mesmo. E eu precisava extravasar de alguma forma. Agora vamos deixar isso em off. Espero que nenhum jornalista leia isto.


A pergunta que não quer calar: Como eu fui no ENEM?

Mentira, ninguém me perguntou isso ainda. Ta, uma pessoa aqui e outra acolá.
Eu achei que a prova não estava nem fácil nem difícil. Para quem tem conhecimentos gerais e é atualizado, se saiu bem. Eu não sou uma dessas. Eu achei a prova de português particularmente fácil, e me surpreendi ao ver que tinha errado mais do que imaginava (estava crente de que tinha acertado todas). E fui um lixo em matemática, não tem por que eu esconder isso.
Ou seja: Eu fui com a expectativa de me sair maravilhosamente bem na prova. Enquanto respondia as questões, porém, pensei que sairia apenas bem.
Mas não consegui acertar nem metade da prova. Desculpa, fãs (que fãs?).
Ah. Ãh? Sim, eu sei. Eu sei que vocês querem saber da minha redação. Ok, ok. O tema era facílimo, mas já contei que detesto fazer textos dissertativos? Geralmente, sou boa para fazer títulos criativos e um desfecho de impacto. Mas eu estava nervosa. Não consegui bolar um título legal, mas acho que a conclusão ficou boa.



Sobre os benefícios do trabalho voluntário...

Trabalhar com crianças está me ajudando a desenvolver meu carisma, aumentar meus contatos e diminuir minha inibição. Para ler histórias para crianças tem que ser palhaça. Tem que incentivá-las a repetir frases, fazer e responder perguntas, ensiná-las a refletir sobre a história, imitar animais.
Mas eu estou gostando.
Além do mais, adoro ficar no ambiente da biblioteca.
E a bibliotecária vai fazer uma declaração falando que eu prestei serviços para a biblioteca, fiquei super emocionada.
Amanhã, sexta-feira, vou ler para 28 crianças e seus pais estarão presentes. E o jornal também vai estar presente.
Por isso. é melhor eu fazer minhas unhas. Minhas unhas sempre saem no jornal.

Beijocas da Meh

segunda-feira, outubro 10, 2011

Contadora de Histórias

outubro 10, 2011 0 Comments
Pois é. Sou eu.

Já que estou de bobeira, pensei em fazer trabalhos voluntários. Na realidade, já havia pensado nisto antes, mas não tive oportunidade de realizar esse desejo. Não me deixaram ser bibliotecária da escola. Fiquei com vergonha de me candidatar para dar aula de reforço de português na escola. Tentei montar um grupo de teatro que, por falta de cooperação do pessoal, foi por água abaixo. Tentei montar um grupo de dança, mas ninguém quer ver dançarinas do ventre em uma formatura. E não dá para eu fazer apresentação sozinha, pois não comprei minha roupa.

Aí eu desisti da ideia. Mas então ela ressurgiu. Fiz uma busca na internet, e tudo o que encontrei foi "seja doador de esperma!", "contribua com tal quantia!", "ajude-nos a tirar os animais da rua! Se ver um cachorro traga-o para cá" e serviços em hospitais, etc.
Então, mandei uma mensagem para alguns amigos que eu sei que têm bastante contatos. E eis que a bibliotecária da cidade entrou em contato comigo dizendo que as escolas municipais da cidade costumam ir visitar a biblioteca, e as criancinhas gostam que leiam histórias para elas.
Então, durante a semana que vem eu irei contar histórias para cerca de 250 crianças. Adorei a ideia, nada mais gratificante para uma escritora. Eu podia até escrever alguma historinha e levar para elas. Não estou tão animada com o fato de serem crianças, pois não tenho muita paciência e não consigo ser engraçadinha. Mas adorei a ideia de contar histórias.
Aliás, envolver-me com crianças vai me ajudar a superar alguns dos meus medos. Tipo a timidez, a inibição. E vou aprender a ser mais simpática também, não? Ah, e preciso desenvolver minha expressão facial, pois vou ter que fazer caras e bocas.

Ei, se tem alguém aí que gosta de crianças e sabe lidar com elas, comentem aí.Vou ficar louca se aqueles pequeninos fizerem alguma algazarra.
A ideia que tenho em mente é ver todos sentadinhos com os olhos colados em mim, compreendendo a história perfeitamente, rindo quando é para rir, e soltando exclamações vez ou outra.

Que livro eu sou?

outubro 10, 2011 0 Comments
Descobri um site super legal. Lá tem um montão de coisas educativas, tipo testes e jogos que envolvem a nova ortografia, e um grande incentivo a leitura, indicando livros para quem vai prestar vestibular e uma maneira das escolas tornarem os best-sellers um livro educativo.
Acesse: http://educarparacrescer.abril.com.br

Certo. Eu fiz um teste nesse site chamado "que livro você é?". Parece uma coisa bem idiota, mas não é. No resultado, fiquei empatada entre dois livros, e ambos refletem de um jeito transparente a minha personalidade. Além disso, não sei se já comentei por aqui, mas adoro fazer testes e descobrir ou redescobrir um poupo de mim mesma. Que nem, eu tenho certeza de que quero cursar psicologia, mas vivo fazendo testes vocacionais.
Pois então, vamos a definição dos livros que me representam:


"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector
Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.

"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade
"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

quinta-feira, outubro 06, 2011

As Delícias de Soraia

outubro 06, 2011 0 Comments

Vício = Tendência específica para o consumo irresistível de algo ou para qualquer ato ou conduta por essa tendência motivada. 

Há pessoas denominadas dependentes químicos que buscam até ajuda para livrar-se desse mal. Há alcoólatras, que afogam sua mágoas na bebida, como se ela fosse um antidepressivo. E há vícios mais inofensivos, como aquela mulher que compra bolsas/sapatos/brincos sempre que briga com o namorado. 

Eu tinha um vício. Inofensivo. Mas do qual era totalmente dependente. Consumia-o todos os dias. Ele era o meu antidepressivo. Minha fonte de prazer, meu calmante. 

Eu era chocólatra. 

Não chocólatra do tipo que ingere toneladas de bombons em questão de segundos, nem que deixava de pagar uma dívida para comprar chocolate. Mas chocolate era algo que não faltava na minha casa, nem na minha bolsa. Todavia, só o consumia quando estava super emotiva. Muito feliz, muito triste ou muito nervosa. E não engolia tudo de uma vez não, não. Eu apreciava o sabor. 

Eu era do tipo que desembalava o ouro com o maior cuidado, avaliava seu formato, sentia seu cheiro, fechava os olhos para senti-lo melhor, passava a língua de leve sobre sua superfície para experimentar o açúcar e, só então, mordia-o de leve, para não rachá-lo em mil pedaços. Em seguida, mantinha-o em minha boca pelo máximo de tempo possível, fazendo-o derreter e misturar-se na saliva, então, lhe mastigava, sujando os dentes e os lábios. Por fim, o engolia, deliciando-me com a sensação de senti-lo deslizando pela minha garganta. Aí eu lambia os beiços e os dentes, depois chupava minha língua até ela perder o sabor, e só então me preparava para a próxima mordida. 

Era uma terapia total. Quem me visse, diria que eu estava namorando o bombom. 

Devido esse meu vício, eu sempre me prejudicava em meus relacionamentos. Como por quê? Era muito fácil me conquistar, me fazer perdoar: era só me dar bombons. E, cá entre nós, que homem não dá bombons para a namorada? Afinal, já ouviu alguma mulher dizer que não gosta de chocolate?! Algumas até se ressentem, por gostar tanto. Eu era uma dessas. 

Até por que eu vivia em busca do corpo perfeito, mas estava sempre um pouco acima do peso. A Nágila sempre comentava: 

- De nada adianta horas suando na academia se você acaba com esses bombonzinhos, Soraia! Você devia procurar um psicólogo, sabia? Isso é decorrente de um trauma de infância, onde você se sentia muito carente e... 

Precisava de algo para me aliviar, me confortar, me passar segurança. Era sempre a mesma história, mas ela estava certa. Eu fui uma criança carente, e fui uma adolescente cheia de frustrações. Por ser meio gordinha e sardenta, com o cabelo oscilando entre o ruivo e o loiro, assim, meio alaranjado. 

- Ah, lá vem você com esse papo de novo. É sempre a mesma história. Olha Soraia, você tinha 1,60 e pesava 60 Kg, não era tão redonda quanto parece pensar que era. Tinha uma gordurinha sim, mas por culpa de quem? Dos churrascos de domingo na casa do Renato. E você sempre teve olhos azuis lindos. Sério, sério mesmo, eu tenho inveja de você. 

Ela dizia isso para me animar. Nágila era minha melhor amiga desde o colegial, sempre fora morena com corpinho violão, e se recusava a fazer faculdade por que tinha talento para artes. Imagina, minha melhor amiga, uma artista! É, eu já era mulher e nem sabia o que cursar, a única decisão que tomara na vida fora morar sozinha. 

- Uma mulher? Ah, cala a sua boca, Soraia. Você só tem 19 anos, só está a um ano longe das salas de aula. É bom para relaxar, arrumar um namorado... 

Ela sabia muito bem que eu não era boa nesses assuntos. Aliás, vivia se gabando por ser experiente, só por que seu histórico romântico tinha uma extensão invejável que incluía até mulheres. Mulheres! 

Eu só tive dois ou três namorados (varia com o ponto de vista): 

1. O primeiro foi quando eu tinha sete anos de idade, na base de selinhos molhados. Pai do céu! eu nem tinha peito. Nem lembro o nome do sujeito. 

2. O segundo foi com quatorze anos, o garoto era um ano mais novo que eu, chamava-se Mauro. Infelizmente, ele tentou pegar no meu peito no terceiro mês de namoro, então terminei tudo com ele. 

3. O terceiro foi aos quinze, com um cara de dezenove. Fabrício. Foi ele quem tirou minha virgindade, depois de um ano de resistência da minha parte. Aí comecei a engordar, não sei por quê. Ele me trocou, mais tarde, por uma mulher de vinte e cinco. Fiquei deprimida por quase um semestre inteiro, mas aí eu conheci a Nágila e comecei a ir pra balada com ela. 

E aqui estou eu, encalhada. 

Saí de casa três meses atrás, quando meu pai se aposentou e decidiu curtir a infância perdida, fazendo com que eu me sentisse uma pedra em seu caminho. Tipo “já que te criei, agora dá o fora daqui”. Sim, eu era filha única, uma gravidez acidental, se for ver. Talvez até indesejada, não duvido. Mas eles (os pais) nunca assumem isso, certo? 

Um mês sozinha foi suficiente pra eu adotar um cachorro, na esperança de sentir-me menos só. Apesar de chegar do trabalho e encontrar o Tadeu abanando o rabinho para mim, não pude ficar com ele. Por que, bem, ele cagava demais! pelo quintal inteiro! e aquilo fedia pra c***. 

- Não acredito que você se desfez do Tadeu. Sabe aquela casa de shows que fui com minha priminha de 17? Beijei um menino feio de doer, só por que ele se chamava Tadeu. Eu queria matar a saudade. – lamentava Nana. – Dá um desses chocolates que você tem aí, vai. – um momento de silêncio – Vai Soraia, eu sei que você tem bombom! – suspiro, derrotada. 

Nana era dois anos mais velha que eu e ocupava o lugar da minha mãe. Bom, pelo menos ela tentava. Mas era eu que lhe consolava sempre que o namorado a deixava. Ela entrou um ano atrasada na primeira série e repetiu a quarta, por isso acabamos terminando o ensino médio juntas. 

- Nana, que tal você vir morar comigo, ein? Seria uma boa, não? Eu sempre quis ter uma irmã mesmo. – lancei a isca. 

Ela mordeu, mas com contrapartida: 

- Tá, mas você lava a louça. 

- Ué, temos que revezar. – pensei rápido! 

- Não gosto de lavar louça! 

- Tá bom, mas então você lava o banheiro. – astuta, dei uma piscadela. 

- Também não gosto de lavar banheiros. 

- Aí não dá, né, Nana! – resmunguei, fazendo beicinho. 

Ela não resistiria aquela faceta. 

- Ok, eu limpo a casa. – revirou os olhos. – Mas desde que... 

Xii, pelo olhar vinha uma proposta indecente por aí. Sacana! 

- Que o quê? – Pow! quis completar, mas era melhor não atiçar a cobra. 

- Desde que eu possa levar namorado pra dormir em casa. 

- Desde que não seja um por fim de semana, tudo bem. Se não isso vai prejudicar a nossa... 

- Relação? 

- Eu ia dizer imagem. – encarei-a e, não teve jeito, caímos na risada. 

Já vi que aquilo ia dar merda. 


Não é todo dia que você está com cabeça pra pensar. Tinha dias que eu acordava, mas não queria levantar da cama. Pra nada. Por ninguém. Todavia, eu tinha que procurar emprego, me matricular na faculdade, cuidar de mim, cuidar da casa... 

- SORAIA!! O resultado do vestibular já saiu, vem ver aqui no site se você passou! Anda, levanta! – berrou Nana, louca para me arrancar da cama. 

Olhei para o relógio e era exatamente nove horas da manhã. 

Cedo demais. 

Levantei-me vagarosamente, tentando fazer meus olhos se adaptarem ao clarão inusitado que atravessava a janela. Arrastei-me até o laptop sobre a mesa da cozinha e comecei a navegar pela lista de nomes que passaram para no vestibular. 

À medida que a lista foi se acabando comecei a acordar. Por fim, eu estava totalmente desperta, com os olhos pregados na tela do computador. 

- Ah, droga. – resmunguei. 

- O que foi, Soraia? Seu nome não está aí? – manhosa, a expressão de Nana foi de expectativa para preocupação. 

- Não. Eu não passei. – mordi o lábio. 

Não sabia por que me sentia tão chocada, já esperava por aquilo. Sabe aqueles dias que você não está com cabeça para pensar? O dia que fui fazer a prova era um desses. 

- Ah, que pena! – disse Nana, me abraçando. 

Olhei para seu rosto e reparei que chorava. 

- Não fica assim não, Nana, eu nem tinha certeza do que cursar. 

- Mas... mas eu queria ter uma amiga na faculdade! – choramingou ela. 

Comecei a rir. Só a Nágila para me fazer rir num momento daqueles. 

- Veja pelo lado bom: vamos passar mais tempo juntas. 

- Não vamos não. Você disse que se não passasse no vestibular ia aceitar aquela proposta de emprego em período integral na Claire Cosméticos. 

Emprego. Período integral. Claire Cosméticos. As palavras me vinham à mente pouco a pouco, enquanto eu digeria o fato. Eu tinha um emprego: trabalhava por meio período nos finais de semana e feriados como garçonete num bufê requintado da região desde os dezesseis anos. E odiava meu emprego. Como não tinha muitos benefícios, compensava minha renda em lojas de departamento durante as altas temporadas de vendas no ano. 

Não lembro mais ou menos como aconteceu, mas troquei contato com um cliente cujo primo era filho do gerente administrativo da Claire Cosméticos e, recentemente, recebi uma ligação do departamento de RH dizendo que surgiu uma vaga no setor comercial e eu tinha o perfil ideal. Eu sequer havia enviado o meu currículo... Só de pensar em ter um emprego de verdade, sentia cambalhotas no estômago. Pelo menos, finalmente me veria livre daqueles uniformes medonhos. 

- Puxa, havia me esquecido completamente disso! – droga! pensei. 

- Você pediu para eu te lembrar caso você esquecesse. – droga de novo! 

Essa era uma das minhas principais características: esquecer as coisas. Não que eu fosse uma cabeça oca, mas as coisas menos importantes eu simplesmente apagava da memória. Claro que às vezes isso me prejudicava, pois não era muito bom você não se lembrar de promessas ou deixar a comida queimar. Também não era muito bom você esquecer o nome do chefe ou do atual namorado ou daquele velho amigo. 

Nana sempre me dizia que eu tinha que ser mais observadora, pois as coisas aconteciam a minha volta e eu nem me tocava. Isso era mal. 

3

Primeiro dia de trabalho é difícil. Primeiro dia de qualquer coisa é difícil. A ansiedade corroi a alma. Exagerada? Atire a primeira pedra quem nunca se atrasou por que ficou com dor de barriga! 

Não fazia ideia do que vestir, então, na hora das compras, peguei de tudo. Provavelmente meu primeiro pagamento (Pagamento! Uau! Não acredito que em breve eu seria uma assalariada!) seria apenas para liquidar a dívida dos cartões de crédito. Esse era mais um dos meus maus: tinha o terrível hábito de me credenciar em todas as lojas possíveis. Adorava colecionar cartões, deixava minha carteira um tanto colorida. Cartão de crédito, clube de vantagens, fidelidade. Tinha de tudo! 

Eu precisava causar uma boa primeira impressão. Precisava ser simpática, não demonstrar nervosismo, ser engraçada nos momentos certos, parecer séria ao computador. Demonstrar pró-atividade, comprometimento, liderança, altruísmo e todas aquelas palavras bonitas que aprendemos nas dinâmicas de grupo da vida. 

Minha roupa, meus sapatos, meu cabelo e minha maquiagem tinham que transmitir isso. Ah, as unhas também! Não vamos esquecer as unhas. Elas tem um papel fundamental nos apertos de mão. Ainda bem que eu havia agendado manicure com antecedência. 

Unhas feitas, cabelos escovados e presos num coque, maquiagem leve, sapatilhas de salto baixo e um conjuntinho tipo preto básico: eu estava pronta. (E com uma dor de barriga terrível). 

- Soraia Muniz: relaxa. Pelo amor de Deus! 

A Nágila era uma ótima colega de casa durante minhas crises de nervos. Quando eu estava estudando para o vestibular, ou quando passei os dias em agonia à espera da ligação prometida (homens!) e neste momento, quando ensaiava freneticamente frente ao espelho como me comportaria diante dos meus novos colegas de trabalho; ela era sempre muito solidária e realista. Fazia minha parte das tarefas domésticas, mas me dava beliscões e puxões de orelha sempre que necessário, para que eu fincasse os pés no chão e parasse de roer as unhas. 

Como sempre, ela estava mais do que certa, não havia motivos para toda minha aflição. Fui muito bem recebida, principalmente quando me perdi entre os corredores da empresa quando encaminhada a sala de quem, dali em diante, seria minha chefa. Fora ela quem me localizara e, cordialmente, serviu-me de um copo d’água e já foi adiantando quais seriam minhas obrigações ali. 

Estefani era uma mulher linda, não havia como negar. E um tanto sensual também, pelo modo como balançava os cabelos e cruzava as pernas ao sentar. Tinha pernas bem torneadas que entregavam seu hábito de malhar. Por um breve momento, senti-me intimidada por estar fora dos padrões. E comprar calças com uma numeração a menos só fez com que minhas sobrinhas indesejadas pulassem e formassem aquele temido pneusinho. Por sorte, minha camisa era mais folgadinha e conseguia esconder tudo. 

Já tentara de tudo. Tomava remédios para emagrecer, usava cremes que prometiam redução de medidas, frequentava a academia – três vezes por semana durante uma hora – e estava sempre de dieta. Mas era só surgir uma crise emocional que eu me empanturrava de chocolate, sorvete, massas e diferentes pãezinhos da padaria da esquina, aí minha dieta ia por água abaixo. 

Durante a adolescência, tive sérios problemas com indução de vômitos. Só me alimentava de arroz branco e salada verde, vivia com fome e com a boca seca, mas quando comia uma fatia de bolo de cenoura com cobertura de chocolate que a tia do mercadinho da escola preparava ou um misto quente no trailer que ficava estacionado na saída da escola, sentia-me horrivelmente culpada, enfiava o dedo na goela e me obrigava a vomitar tudo. 

A Nágila nunca tivera problemas com peso: tinha um metabolismo acelerado invejável. Olhei para Estefani mais uma vez. Como ela conseguia? 

- E então, está pronta para conhecer a equipe? – sorria ela, com os olhos alegres. 

Assim que entrei na sala, percebi que estava elegante demais. As garotas usavam roupas mais frescas e havia rapazes de bermuda. Por que eu escolhi uma roupa social, por quê? Seguido a formalidade das apresentações, acomodei-me no que seria dali adiante a minha mesa. Senti um orgulho subindo na garganta e não consegui evitar um sorriso com isso. Minha mesa! Quem diria! Eu, Soraia: auxiliar comercial da Claire Cosméticos. O que significava, basicamente: nunca mais me faltaria lápis de olho e chega de batons de mil anos no estojo de maquiagem! 

Ainda estava envolvida em meus devaneios quando um jovem esbelto virou-se para mim e me deu um sorrisão. 

- Oi, eu sou o Felipe. O que você precisar, pode contar comigo! 

Ai, que meigo! não pude deixar de pensar. Felipe não aparentava ser muito mais velho do que eu, e era um gatinho. Mas eu tinha a auto estima baixa demais para acreditar que ele estava flertando comigo. Mesmo assim, dei-lhe meu melhor sorriso. 

Não demorou muito para que eu me habituasse com a rotina do escritório. A eficiência se esvaiu na minha primeira semana de trabalho. Ainda que bem maquiada, entendi a necessidade de usar roupas mais confortáveis durante o período de trabalho. Ninguém merece ficar com as roupas colando depois de um expediente com a bunda grudada na cadeira. Estefani não gostava de ser incomodada, então tínhamos que ser autossuficientes na medida do possível. 

As coisas ficaram mais fáceis entre eu e meus colegas depois do primeiro happy hour. E foi nessa noite que rolou aquele clima entre eu e o Felipe. Talvez por que eu era carne nova no pedaço. Depois de algumas rodadas de cerveja, sentia-me a vontade demais para ficar tímida ou gracejar com suas piadinhas.

segunda-feira, outubro 03, 2011

Dicas para grêmios escolares

outubro 03, 2011 0 Comments

Tem atividades que podem ser feitas sem gastar um tostão e são ótimas para inovar a escola e divertir os alunos. Porém, há outras que é necessário arrecadar um dinheirinho para colocar em prática. Veja abaixo algumas dicas de atividades que seu grêmio pode fazer:
·         Mural de Notícias
Com criatividade é possível criar um mural artesanal onde se pode postar eventos, shows, baladas, festas e propagandas semanalmente.
·         Excursões
Quem disse que para fazer uma boa excursão é preciso sair da cidade? Com a contribuição dos alunos, é possível alugar ônibus e visitar pontos turísticos e locais públicos da sua cidade, como os parques. Além do mais, caso o objetivo é participar de atividades culturais como Teatro e Cinema, o ingresso pode ficar até mais barato se souber fazer uma boa negociação.
·         Show de Talentos Anual
Que tal criar um show de talentos no final do ano, com um custo razoável para participar e os professores como jurados? O prêmio poderia ser uma cesta montada pela própria turma da escola.
·         Homenagem ao Melhor Aluno Bimestral
No final de cada bimestre, o aluno que teve o melhor rendimento de cada classe poderia ser homenageado pelo próprio diretor, ou com um simples cartão para os pais durante a reunião. Isso levantaria o astral do aluno, e faria com que os outros desejassem essa colocação.
·         Comemorações
Há cada data comemorativa, a escola poderia entrar em ritmo de festa. Como no mês do natal, na páscoa, no mês dos namorados, na época de São João e no carnaval. Ou até mesmo comemorar cada estação que chegar.
Isso é simples: Por exemplo, no mês da páscoa a escola poderia ser enfeitada com coelhos e os alunos do grêmio poderiam fazer chocolate caseiro para vender no intervalo. No natal poderiam ensaiar a turma inteira para cantar uma cantiga na festa de fim do ano letivo. E nas estações, poderia haver uma competição de moda exigindo que os alunos fossem a escola usando trajes conforme a estação. No mês dos namorados poderia haver correios elegantes. Entre tantos outros!
·         Grupos de estudo
Por que não reunir aqueles alunos que tem mais dificuldades num determinada matéria e realizar um grupo de estudo fora do horário das aulas com um aluno expert de apoio? Essa atividade poderia ser complementada com vídeos, filmes, música, internet, livros, etc. Estudar acabaria se tornando algo um tanto divertido.

Índigo

outubro 03, 2011 0 Comments
Ahh, estou solteira novamente. Por que meu namoro acabou? Porque eu não quero me casar. Não, ele não me pediu em casamento. É que praticamente TODAS as minhas amigas estão se casando e estou com medo de querer me casar também. E o pior é que meu namorado (oops... ex) pensava bastante nisso, afinal ele sempre falava que queria acordar todas as manhãs comigo ao seu lado, e ficarmos velhinhos juntos, e termos filhos e tal. Eu sei que era para eu ficar feliz com isso, mas não dá. Eu não me imagino assim. Eu não quero ter filhos tão cedo. Eu me imagino morando sozinha, visitando minha mãe com freqüência, fazendo faculdade, publicando meus livros, curtindo festinhas com as amigas e saindo com o namorado aos fins de semana, sei lá. Tipo isso. Poxa, tenta me compreender!
Ok. Vamos ao que interessa. Fui na Viagem Literária, que ocorre sempre aqui em Várzea Paulista, e adivinha quem eu conheci?  A Índigo. Se você reparar, ela está na minha lista de autores, lá embaixo. Gosto muito do seu jeito de escrever, seus livros são divertidos e interessantes. Ela é uma pessoa maravilhosa, super simpática, e parece que guarda uma criança dentro dela. Eu queria ter feito uma entrevista rápida para postar no meu blog Jeito de Garota, mas umas pessoinhas ficaram morcegando em volta, dizendo “ah, essa que é a escritora da nossa cidade!”. Não que eu não tenha gostado, mas eu queria um momentinho particular para conversar com ela, mas não deu. Mas pelo menos peguei um autógrafo para grampear no meu diário e bati uma foto para postar aqui.
Ela contou algumas coisas interessantes sobre sua vida como escritora. Identifiquei-me totalmente. Primeiro que ela teve berço (não é pobre), o que já facilitou bastante, preciso destacar. Afinal, não é qualquer um que faz faculdade de jornalismo no exterior.
Quando pequena, ela nem sonhava em ser escritora, gostava de ler e escrever, mas achava que todos os escritores estavam mortos e que essa profissão meio que se igualava a ser astronauta. Mas quando entrou para a faculdade, percebeu que detestava jornalismo, afinal, tinha que escrever fatos reais, e gostava de escrever histórias fictícias. Quando ia entrevistar alguém, ela ignorava totalmente a pessoa por que ficava imaginando qual seria a personalidade dela e criava toda uma história para ela.
Então. Eu também faço isso. Quase sempre. Meio que mesclando minha futura profissão de psicóloga. Por exemplo, um dia no trabalho (ah, eu arrumei um bico aos domingos numa lanchonete), um homem sentou na mesa e bebeu umas 4 garrafas de cerveja durante o dia. Ele parecia tão tristonho. E eu ficava me perguntando o que se passava em sua mente. E me deu uma vontade danada de correr lá e sentar ao seu lado e realizar uma sessão ali mesmo.
Voltando para a Índigo, ao terminar a faculdade ela decidiu escrever. Ela disse que a faculdade teve serventia para ela aprender a escrever bem. Eu também morro de vontade de fazer um curso ou sei lá o que na área de escrita para aperfeiçoar isso. Atualmente, ela escreve e tira seu sustento da profissão de tradutora.
Ela escrevia blogs bem interessantes que sempre continham 73 contos. São eles: 73 bichos, 73 subempregos, 73 leitores, 73 obsessões. Seu eu fosse vocês davam uma olhada.
Uma das experiências dela que eu julguei a mais divertida, foi quando decidiu trabalhar para os outros, escrever para os outros. Ela espalhou cerca de 300 cartazes em São Paulo dizendo para contratarem uma escritora, e o endereço de um site embaixo. Ao entrar no site, a pessoa tinha várias opções de serviço, com preços bem baratinhos. O cliente podia pedir, por exemplo, uma carta de amor. Numa noite, a turma do Jô Soares ligou perguntando se aquilo era sério, e lá foi ela fazer uma entrevista no Jô. No outro dia, havia uns mil e-mails em sua caixa de entrada. Entre eles, a MTV perguntando se ela escrevia vinhetas, e a Disney perguntando se ela escrevia sinopse, ou um treco assim.
Naquele tempo, as pessoas julgavam o livro pelo autor, como se só mulheres pudessem escrever bem. Então, ao publicar seus livros, a Índigo escolheu um pseudônimo que não revelasse seu gênero. E deu certo, não? Seus livros eram tão bons que ela começou a receber vários pedidos para fazer livros por encomenda, mas ela queria escrever o que gostava, então parou de aceitar encomendas.
Livros por encomenda é assim: A editora diz como quer o livro e você tem que escrever dentro desses padrões. Por exemplo, a moda agora é vampiros, então ela pedia um livro assim. Isso é bem chato. Mas dá mais lucro.
A Índigo falou uma coisa que chamou minha atenção. Ela disse que aprecia pessoas curiosas, pois a curiosidade é uma forma de demonstrar que a pessoa tem interesse pela vida. Vou colocar isso aqui do ladinho.
Ah, sim. Esqueci disso. Quando ela começou a escrever, sua ideia de vida de escritora era bem romântica: Ela se imaginava numa chácara, digitando por horas páginas e páginas do livro, e ganhando muito dinheiro. Na realidade, ela só consegue escrever uma página boa por dia, e o retorno financeiro vem depois de três anos. Ela disse que adorava acordar e ir pro computador ainda de pijama, apesar de que a inspiração nunca vem quando se está no computador. E, curiosidade, ela só escreve de manhã.
Ahhhhhhh, eu quero essa vida para mim.


P.S. Minha net voltou (Uhu!), então não estranhe um montão de post um atrás do outro. Reescrevi uns contos antigos e publiquei aqui. Em breve o blog vai entrar em construção, vou dar uma personalização geral por aqui. Beijoocas.. *-*

O Amor Chegou

outubro 03, 2011 0 Comments

Luana chegou em casa e correu para o seu quarto, batendo a porta. Começou a pular em cima da cama, sem conseguir conter o enorme sorriso que se formou em seu rosto, sua vontade era gritar pro mundo inteiro ouvir a imensa felicidade que carregava em seu peito. Agarrou o travesseiro, gritou contra ele, gritou mais, gritou mais forte, perdeu o fôlego. Deitou na cama e ficou pensando alegremente em seu amado, seus olhinhos brilhavam parecendo duas estrelinhas piscando.
Mal conseguia se controlar, não se deu conta de que era apenas mais um garoto em sua vida que a acompanharia até ao baile da escola e, num piscar, todos já estavam sabendo que ela estava apaixonada. O comentário se espalhou todo canto, mas o garoto parecia não se importar com isso.
O dia do baile chegou. Cansada daquelas roupas, daquele mesmo penteado, Luana foi com suas amigas comprar roupas novas. Queria ficar bonita para o seu amado.
- Eu te amo...
O garoto não parava de dançar naquelas palavras, que perturbavam muito o seu pensamento. Foi até a casa de Luana para buscá-la, encantou-se com seu charme, ela estava deslumbrante, mais linda do que nunca. Em pensar que tudo aquilo era para ele, corou levemente, acompanhou-a até o baile. A tensão não lhe impediu de puxá-la para dançar, e enquanto segurava suas mãos, olhava em seus olhos, sentia algo tomando conta de si, a emoção invadindo-o por dentro, o amor tocou seu coração quando ela repetiu aquela frase:
- Eu te amo...

Amor de Perdição

outubro 03, 2011 0 Comments

Á tempo Marcos notou algo especial em Ketlen, o seu jeito de ser, sua fisionomia, a maneira como ela lhe olhava e lhe tratava. Ele percebeu que ela era um tanto carinhosa com ele, e após pensar e repensar, não se agüentou e lhe perguntou, em plena sala de aula:
- Ketlen, você gosta de mim? Gosta, não gosta?
- Sim, Marcos. Eu gosto muito de você. – respondeu ela, toda sorrisos.
Ele não tocou no assunto durante semanas, na verdade, tudo estava confuso em sua mente, Ketlen parecia não ter levado a sério sua pergunta, ou respondido de forma a entender que ela gostava muito dele como amigo.
Não dava para acreditar que ela realmente gostava dele. Não podia ser verdade. Mas era, e depois de muito tempo, Marcos percebeu.
Marcos estava entre os dez mais bonitos da escola, então várias meninas ficavam lhe assediando e, aliás, por ser dócil e meigo, muitas já tinham se apaixonado por ele. Mas era sempre a mesma história, as suas quase-namoradas não agüentavam com a pressão e acabavam terminando tudo. Foi por isso que Marcos decidiu cultivar apenas amizade com as meninas, e prometeu a si mesmo que só ficaria com alguém quando estivesse apaixonado.
E eis que a Ketlen aparece na escola, e tudo ficou diferente. Ela era uma garota simples, e praticamente nunca arrastava a asinha pro lado dele, apesar de que, depois de tanto observá-la, ele notou alguns indícios de que podia ser correspondido. Mas Ketlen não facilitava nada, e sua mente estava sempre confusa com relação a ela.
Ele temia que ela não sentisse nada por ele, e tudo não passava de uma ilusão. Por isso, se aproximou aos poucos até ganhar sua amizade. Puxa, logo agora que encontrar alguém legal, só o que faltava era a menina não estar nem aí para ele! Esses pensamentos lhe perturbavam, ele precisava ter certeza dos sentimentos dela antes de se revelar.
O que ele não sabia é que Ketlen chorava em silêncio todas as noites, e morria de ciúmes das suas amigas, e aguardava quase que impaciente uma atitude dele. Temia ser apenas mais uma na vida do garoto.
Certo dia a campainha da sua casa tocou, e Ketlen se surpreendeu ao ver que era Marcos ali na porta de sua casa. Ela ficou tenta, sem saber o que fazer. O que ele, logo ele, viria fazer ali, logo ali? Nervosa, ela o convidou para entrar, nervoso, ele recusou e a convidou para darem uma volta, gaguejando de felicidade ela aceitou o convite.
Depois de voltas e mais voltas na praça central da cidade, ele resolveu tocar no assunto que lhe fez ir até lá, falou tudo de uma vez, traduzindo em palavras tudo o que sentia e lhe perturbava.
- Ketlen, eu gosto de você... Mas eu gosto de você de verdade!
- Eu sei Marcos, eu também...
- Mas eu quero ficar com você, Ketlen!
A garota ficou calada, olhando-o com os olhos arregalados, perplexa. Por um lado, queria mesmo ficar com ele, mas ela não entendia se o que sentia era apenas uma atração ou era mais que isso. Tinha medo de ficar com ele e ser apenas mais um número em sua vida. Mas naquele momento, tudo fugiu da mente, e ela deixou apenas o coração falar por ela:
- Eu não quero apenas um beijo seu, Marcos, eu quero mais que isso... Eu quero você!
A felicidade era tanta que nem havia espaço para mais palavras, e foi assim, sem nenhum som emitido pela boca, que os dois se envolveram e perceberam quanto tempo tinham perdido.

Mais que Amigo

outubro 03, 2011 0 Comments

Fabiane me olhou espantada e exclamou:
- Você vai deixar de ir pra uma festa super mara com sua amiga pra estudar biologia com o Felipe?
- É, Fabi! Já te disse, prometi para ele que iria ajudá-lo em matemática e biologia toda sexta-feira... Mas dá pra gente sair juntas no sábado...
- Humm... Não sei não! Esse seu colega de classe quer mesmo só estudar? Pra mim, esse papinho é só para te pegar... Olha lá, garota!
Ciúmes, ela estava com ciúmes de mim. Era sempre assim, era só eu fazer um programa que, para variar, não fosse com ela e a Fabi se sentia como se estivesse me roubando dela. Quando se tratava de homens então, ela não compreendia mesmo, simplesmente não acreditava que podia haver amizade entre homens e mulheres.
O que a Fabi não sabia é que era eu que estava super afim dele. Só que ele me tratava da mesma forma que tratava todo mundo, então eu estava crente que ele não sentia nada por mim. Mesmo assim, ficava desconcertada em comentar isso com minha melhor amiga, pois receava a maneira como ela iria reagir.
Fazia certo tempo já desde que os estudos extras de sexta haviam começado. Conforme o tempo foi passando, passei a sentir falta dos risos que eu e o Felipe dávamos juntos das nossas brincadeiras, da simplicidade de uma amizade perdida que se transformou em amor. Ás vezes eu tinha a leve impressão que ele estava me olhando de um jeito diferente, mas ele me respeitava tanto que, se sentia algo por mim, não revelaria isso tão cedo.
Mas depois que larguei as festinhas de fim de semana para estudar, a Fabiane começou a desconfiar. E, falando sério, já fazia tanto tempo que escondia o que sentia que não suportava mais. Neste dia, porém, Fabi me pegou de surpresa.
- Você vai ter que conversar com ele.
- O que?!
- Tenho certeza que depois de dois o caderno dele está com a matéria toda em dia. Ou ele gosta de você, ou é muito burro mesmo. Conversa com ele e resolve isso, por que eu não agüento mais ficar dentro de casa a sexta todinha.
- Mas Fabi... Não posso, ele... – fiquei procurando as palavras, mas não encontrei nenhum argumento bom.
- Nem vem. Ou você fala, ou eu falo.
Naquela noite, eu chorei. Não podia me afastar dele, simplesmente não iria conseguir. Mas se revelasse o que eu sentia... e se ele não me correspondia? E se me rejeitasse? E se ele se afastaria de mim? Não suportava a ideia da nossa amizade se perder assim... Eu podia não tê-lo como namorado, mas pelo menos tinha sua amizade.
Mas pensando melhor, mais cedo ou mais tarde eu sofreria, afinal, se ele não viesse para os meus braços, iria para os braços de outra, e eu sofreria muito, muito mesmo.
Decidida, esperei que o dia seguinte chegasse. Exatamente às 3 horas da tarde, ele chegou. Jogou sua mochila em cima da mesa e se deitou no chão da sala, espalhando os cadernos para revisarmos o conteúdo daquela semana, como sempre fazíamos. Mas, ao notar que eu não tinha feito o mesmo, ele se levantou e me olhou confuso. Deve ter notado alguma coisa diferente em meus olhos, pois questionou:
- O que houve, Mariana?
- Não dá mais.
- Não dá mais o que?
- Nós dois, estudando juntos de sexta-feira.
Ele me olhou num misto de susto e angústia, e desviou seus olhos do meu. Não era bem assim que eu tinha planejado, mas as palavras tinham fugido da minha mente, e eu passei a falar tudo o que estava no coração.
- Por quê? – perguntou ele, olhando para o chão.
- Por que eu me apaixonei por você, Felipe.
Silêncio. Ele olhou para o meu rosto rapidamente e tornou a desviar o olhar. Minhas mãos suavam, o coração batia rapidamente, eu sentia vontade de abraça-lo, ou de sumir, ir pro meu quarto, ou então, o pior de tudo, eu temia que ele partisse. Passei a fitá-lo, aquela poderia ser a última vez que lhe via assim, diante de mim. Ele olhava além da janela, com um brilho nos olhos e um sorriso brotando na ponta dos lábios. Pronto, pensei entrementes, ele vai caçoar de mim.
- Por que sorri? – perguntei, aflita.
- Por que demorou tanto, Mari?
- Hã?
- Por que demorou tanto para me dizer isso?
- Por que, er, eu...
Não terminei de falar. Naquele momento ele grudou seus lábios no meu, e todo o resto perdeu sentido.
Putz, como é que eu ia explicar isso para a Fabi?

Juliana nº24 8ª Série C - Redação de Português - Tema: Página de Diário

outubro 03, 2011 2 Comments

Dia 15 de julho, sexta-feira

Namorar? Nem pensar! Nem sonho com isso, afinal a vida tem mais o que oferecer, precisamos curtir enquanto é tempo. Não sou de ficar correndo atrás de homens por que, em minha opinião, nenhum deles presta. Aliás, eu quero mais é beijar na boca e me divertir.
Meu nome é Juliana, sou muito ligada em ficadas rápidas e nunca namorei, nem quero. Pretendentes não faltam, até os meninos com quem já fiquei pedem BIS, mas não sou replay.
Minha mãe não gosta nem um pouco desse comportamento. A velhota é cheia de regrinhas. Agora que eu completei 14 posso colocar um piercing, mas...
- Piercing com 14. Luzes, mechas e pintura nos cabelos após os 15. Tatuagem? Com 18.
Até então beleza, mas quando se trata de...
- Balada com 18, e nem pense em ir escondido! Namorar depois dos 15, e olhe lá! Aumento na mesada? Que nada! Com 16, você vai é arrumar um emprego! Drogas e bebidas, nem sonhe! Sexo só com casamento! Quero netos aos...
É um saco ter que acordar cedo, gastar a mesada no shopping e quando aparece uma excursão e preciso de mais dinheiro, minha mãe vem com suas regrinhas. E quando tem uma festinha logo ali... ahh, só depois de lavar a louça, e ainda tenho hora para voltar! Sem falar que não posso usar nada de roupas curtas, e ela diz que minha coleção de revistas, sapatos e bijuterias são bobagens. E o pior de tudo é saber que ainda dependo dela para tudo.
- Queridinha, você é muito novinha!
Novinha o raio. Sou madura o suficiente para cuidar de mim mesma. Então, poxa, me deixa sair com as amigas, mudar meu visual, fazer umas loucuras de vez em quando. Uma loucurinha não faz mal a ninguém.

O Diário de Ana Carolina - O Primeiro Beijo

outubro 03, 2011 0 Comments

11 de maio, sexta

14 h 15

Hoje acordei de mau humor. Estava com raiva por que ontem eu estava na rua com as minhas amigas e a minha mãe me mandou entrar sendo que ainda era dez horas da noite, e isso para mim é um absurdo. Poxa, eu já tenho 13 anos, por que não posso ficar até mais tarde na rua?
Mas eu tenho uma notícia boa: Hoje a noite ela vai para o forró, e as meninas vão ir numa vestinha que vai rolar na casa da Camila, e é claro que eu vou ir. Escondida.
Ei, minha mãe acabou de gritar “Filha! Não é para sair enquanto eu estiver fora, ein!”, como é que ela sabe que estava querendo aprontar? Pois é, coração de mãe nunca se engana.

21 h

A mãe e o pai saíram faz um tempinho. A Valéria e a Luana estão aqui, me ajudando a escolher uma roupa. Acho que vou usar aquele vestido tomara que caia que ganhei de presente da madrinha. Só estou um pouco desconcertada por que toda hora a Lu fala que hoje eu vou dar meu primeiro beijo de língua. E, sei lá, eu sei que o Rafael e o Maurício estarão na festa, e se eles estarão lá então o Cleber também vai estar.
Cleber é uma gracinha. Faz tempo que paquero ele, mas sua timidez não deixa ele tomar um atitude e chegar logo em mim. Será que essa noite vai rolar? Se a Camila estiver lá, com certeza que não. Ela é louca para ficar com o Cleber, e vive fazendo charminho para ele, desde o dia em que descobriu que eu estava de olho nele.
Ahh, não quero nem olhar para a cara dela. E se ela vier com graça, vai descobrir que vaca voa.

12 de maio, sábado

0 h 40

Vim embora antes que a festa acabasse. Mas eu não imaginava que ao chegar minha mãe estaria aqui. Diz ela que ligou e ninguém atendeu, então veio a mil. Ah, eu tinha que ter lembrado de deixar o telefone fora do gancho! Broncas, broncas e mais broncas. Mas não é por causa disso que estou com raiva.
A Camila ficou com o Cleber. Dá para acreditar? Eu sei, não dá mesmo. Deve estar todo mundo curtindo com a minha cara, afinal, todo mundo sabia que eu era a fim do Cleber.
Acho que vou dormir. Beijos Diário, amanhã conversamos mais.

11 h

Acordei agora pouco. Mamãe veio aqui trazer meu café-da-manhã. Ela queria conversar comigo. Veio com aquele papo “e aí, como foi a festa?”, como se eu não soubesse que está bolada comigo e só estava tentando ser simpática para ver se descobria tudo o que aconteceu na festa. Tipo se eu beijei.
Disse que tinha sido daora e tudo mais, mas ela não se deixou enganar.
“Você não me pareceu muito alegre quando chegou...” disse ela. E pior que eu estava tão frustrada que acabei abrindo o jogo. Sabe o que ela disse? “Se eu fosse você, largava mão desse garoto! Não, melhor: Caçava ele e deixava claro que ele já tem dono! Que tal bater um papo com a Camila, para ela te dar umas dicas?” falou, dando uma piscadela. Minha mãe imitando adolescente fica bizarra. “Acontece que a garota de quem eu falei é a Camila”, expliquei.
Ela ficou boquiaberta. Também, adorava a Camila, mais até do que a mim. Sempre a usava como referência, em toda e qualquer situação. “Por que você não aprende Balé? A Camila faz há dois anos e disse...” ou “Você precisa ter mais modos, Ana Carolina! Precisa ver como a Camila usa os talheres certos para cada refeição!”, entre outros.

15 h 30

As meninas vieram aqui me chamar para tomar sorvete. Segundo a experiência da Luana, o Cleber só deu bola para a Camila por que os amigos estavam por perto e ele não queria fazer feio. “Mas por que ele nunca deu bola para mim?” perguntei. E a Valéria, que é faz o tipo romântica e melosa, disse que por mais assanhado que o cara seja, ele apresenta mais respeito e sente certa timidez diante da garota que gosta.
Então, nosso plano é o seguinte: Eu vou ignorar o Cleber. Para ele se tocar e vir logo atrás de mim. Vai ser facílimo seguir esse plano, afinal, estou morta de raiva dele agora que me convenci de que ele gosta de mim.

13 de maio, domingo

3 h

Estou louca para amanhecer logo. Fiquei horas rolando na cama, mas não consigo dormir. Fico aqui com os olhos estralados pensando bobagem.
Ontem os moleques vieram aqui na minha rua, e fiz do jeito que as meninas disseram, nem olhei para o Cleber. Tá bom, eu olhei, mas só quando ele não estava olhando. Ain, será que isso vai dar certo, ein?

18 h

Exatamente às meio-dia a campinha foi tocada e quando abri a porta tinha um ursinho e um cartão que dizia “me encontre daqui duas horas, na lanchonete da Paula”. Fiquei super animada, estava besta como o plano deu cedo tão rápido.
Mas quando cheguei na lanchonete não era o Cleber que estava me esperando. Era o Rafael. Ele me deu um abraço carinhoso, estava todo encabulado, e comprou meu sorvete favorito. Fiquei tão sem graça, e acho que ele percebeu, mas pensou que era timidez.
Ele sabia qual era meu sorvete favorito. Até minha mãe, que é minha mãe, quase nunca acerta meu sorvete. O Rafael me cobriu de meigos e elogios. Disse que sempre quis ficar comigo, mas eu nunca dava bola para ele, e suas tentativas eram em vão.
Lembra, na festa de sexta? Ele não saia de perto de mim, toda hora trazia um copo de refrigerante para me agradar, mas eu não tirava o olho do Cleber. E quando vi ele ficando com a Camila, disse que queria ir embora, e o Rafael me trouxe sem reclamar.
O Rafael era um garoto lindo. Como é que eu nunca tinha notado isso antes? Fiquei tão feliz em saber que alguém, enfim, sentia atração por mim que me deixei levar pela emoção e lhe beijei. Ele não reclamou do fato que eu não sabia beijar, afinal, aquele também era o seu primeiro beijo.
Ele me disse que esperava por aquilo desde que me viu pela primeira vez, mas só queria chegar em mim depois que esse xodó que eu tinha pelo Cleber passasse.
E adivinha? Passou. Por que quando eu e o Rafa saímos de mãos dadas dali, senti algo estranho no peito, era mais que ansiedade, mais que atração. Eu estava apaixonada e não sabia.