Minha psicologia sobre crenças

Para meu desgosto, descobri que um grande amigo meu é ateu. Não pelo fato de ele não acreditar em Deus, mas porque isso criou um conflito interno em mim, uma ânsia de achar um motivo para mostrar porque eu creio. É difícil de explicar, ainda mais quando as pessoas me julgam leiga por eu não seguir nenhuma religião e ser contra a maioria das doutrinas da igreja. 

Bem, quando pequena eu fazia muitas perguntas ao meu pai para tentar compreender. Eu tinha a sensação de que não sabia orar, e achava a missa muito chata e tediosa (na verdade, ainda acho). 

“Pai, quando você ora, como você sabe que Deus está te ouvindo e que você não está falando sozinho?” perguntei, e ele me disse “Porque eu o sinto conversar comigo.”, eu achava estranho, não via motivos para as pessoas reagirem chorando ou gritarem e porque elas cantavam, mas um dia eu senti e acreditei. 

Entre outras coisas que ele me explicou: Quando é Deus que está agindo, não há dúvidas. Se Deus está contigo, não há medo. Se você souber pedir, ele dá. A nossa vontade nem sempre é a vontade de Deus, só Ele sabe o que é melhor para a gente. Ele escreve certo por linhas tortas, o caminho é estreito. Muitas pessoas não sabem conversar com Deus, pedem coisas supérfluas, não reconhecem quando erram e não entendem como Deus age.

Não é preciso crer em Deus ou seguir uma religião para saber o que é errado. Cobiça, inveja, vaidade, ambição, adultério, prostituição... nada disso é bom. E a gente sabe quando está cometendo um erro, só não admite. Aí, quando as consequências surgem, não podemos culpar Deus ou solicitar que Ele nos tire dessa. O que podemos pedir é perdão. E ao invés de pedir que Ele resolva todos os problemas, o correto é pedir sabedoria, paciência e tal. Depende de como você conversa, o que você pede e como pede. Você pede um carro ou pede condições para comprar um? Por que Deus vai atender esse pedido?

Momentos dos Delírios, por exemplo: Eu pedi "Deus, só permita aquilo que eu possa arcar". Foi uma experiência dolorosa, sofri bastante. Mas de outro jeito eu teria aprendido? Acredito que não, não com a mesma eficácia. Enfim, nem sempre é castigo, nem sempre é lição.

Vou lhe dar outro exemplo: Eu pedi para Deus colocar pessoas que me fizessem sentir bem. Veja bem: não era assim que eu devia ter pedido. Apareceu o fulano, ele me fazia sentir bem, mas não era uma boa pessoa. Apareceu a fulana, ela também me fazia sentir bem, mas me influenciou a fazer coisas ruins. Logo eu vi que tinha algo errado, pois comecei a sentir dúvidas, pensava “Deus não quer que eu faça isso”. 

Então, entrei em oração novamente e refiz o meu pedido, eu pedi para Deus afastar as pessoas ruins de mim, eu pedi para Deus abrir os meus olhos. E de repente eu estava enxergando coisas que eu não via na Fulana, e de repente eu passei uma borracha no Fulano, mal consigo pronunciar seu nome, arg e mudei minha rotina para não encontrá-lo mais. Sabe quando você se pergunta “nossa, será que essas pessoas sempre foram assim e eu não via?”. 

Bem, essas pessoas se afastaram de mim. Veja bem, fora a Fulana que brigara comigo, e fora o Fulano que dissera que não queria mais saber de mim. Mas meu amigo querido não se afastou, mesmo eu tendo feito algumas insinuações. Ontem, quando estávamos juntos eu entendi tudo: tenho uma compaixão enorme por ele.

Sobre o dízimo, confesso, nunca entendi muito bem. Vivo desconfiada se vão fazer bom uso do que estou entregando. Mas, já fiz o teste: Meu dinheiro rende bem mais quando pago o dízimo ou ajudo alguém. Todavia, é uma ação espontânea, você não pode entregar todos seus bens materiais pensando no que vai receber em troca. Muitas pessoas são solidarias e não percebem o quão bem isso lhes faz.

Enfim, não quero discutir crenças. Fico P da vida quando as pessoas tentam contradizer o que eu penso sobre religião, afinal eu tenho minhas próprias crenças. Os pagãos tem um único mandamento, e eu estou com eles nisso: “Você é livre para fazer o que quiser desde que não prejudique o seu próximo”. Bem, que mal fará eu comemorar o meu aniversário? 

E tem também a psicologia. Lembra que eu disse que as pessoas religiosas meio que brigam com a ciência? Eu sempre fui uma garota curiosa, descobri que queria estudar psicologia quando ganhei uma coletânea de 5 livros que eram compostos por perguntas e respostas. Tudo o que eu procurava estava ali: Por que as pessoas agem assim? Por que ele fez isso? Por que etc? Desde crenças, a relacionamentos e vícios. Enfim, o comportamento humano. 

As pessoas usam motivos extraordinários para justificar coisas nada a ver. Acho isso um cúmulo. Tem muitas coisas que a psicologia explica, sabia? Por exemplo, o que chamam de pessoas sensitivas são pessoas que pressentem as coisas, como a minha mãe. Mas isso acontece porque ela tem uma experiência de vida que preparou a mente dela para captar sinais de caráter com poucas informações. Minha mãe quase nunca erra. 

Eu também estudei psicologia paranormal, que mostra como as coisas são normais. Essa coisa de significado dos sonhos, por exemplo: sonhamos com aquilo que mais tememos ou mais desejamos. Não é uma previsão, nem um pressentimento. Todavia, esse estudo também diz que quando somos muito ligados a alguém sentimos o que ela sente - meio telepata, né? Mas isso justifica porque as mães sempre sabem quando o filho está em perigo, e como ele adivinha que é hora de ir para casa. Isso também justifica quando temos sonhos que parecem premonições. Não há nada de sobrenatural nisso, nosso sistema nervoso que é incrível. 

Uma vez eu sonhei que minha amiga me dizia “Meh, vem me visitar, por favor, eu preciso de ajuda” e eu respondi “Seu namorado te fez mal?” e ela só olhou para baixo. Só fui entender esse sonho três meses depois, quando nos encontramos – fazia seis meses que não nos víamos – e ela me disse que estava grávida, segundo meus cálculos ela descobriu a gravidez depois que eu sonhei. 

Bem, apesar da psicologia dizer que as pessoas tem necessidade de acreditar num deus maior como fonte de segurança, eu tenho meus motivos para crer em Deus. São motivos que só quem crê sabe - quem crê, não quem apenas acredita. Todavia, eu sei separar as coisas. Disse ao meu amigo que muitas vezes a pessoa não conversou com Deus, foi apenas o tempo que ela passou meditando e refletindo consigo mesma que a fez chegar numa resposta, sei disso porque minha mãe já fez ioga e me fazia meditar sempre que eu estava tensa com alguma coisa. 

Por que eu ando numa avenida desconhecida e sombria e não sinto medo? Porque eu sei que estou protegida. Mas quando estou na cozinha da minha casa, e ao apagar a luz tenho o ímpeto de olhar para trás é porque tem alguma coisa errada. No momento, estou sentindo dúvida quanto à minha viagem. Isso significa que tem alguma coisa errada, que eu estou precisando de uma direção. Participei de uma reunião de prosperidade que não surtiu nenhum efeito em mim, então estou buscando a coisa errada. 

Se deixar, fico a vida inteira escrevendo sobre isso. 
Meu Deus, preciso entrar na faculdade.

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