O Chalé da Rapunzel


Era uma vez um bosque perdido na vastidão da cidade grande. Um dia esse bosque conteve uma grama verdinha onde rosas de todas as cores se espalhavam sobre ela, uma trilha de terra com pedrinhas nas laterais nos levava a uma rocha enorme que ficava de frente com uma pequena lagoa com vitórias régias e sapos de todas as espécies. 

Hoje tudo o que havia eram mato e árvores secas, a rocha foi coberta pelo mato e a lagoa já não era mais feita de água cristalina, e sim de um lodo horrendo. Ao fundo desse bosque – onde ninguém ousava ir, afinal a trilha se perdeu e se alguém entrasse ali corria o risco de não conseguir sair – havia um chalé vitoriano que continha apenas um cômodo grande, cujo espaço continha uma cama velha com dossel, uma penteadeira que unia uma cômoda de três gavetas e um espelho negro cumprido, uma poltrona de marfim e veludo vermelho e uma cozinha americana inutilizada. Na frente do chalé tinha uma sacada com muitas plantas, e no fundo do chalé havia um pátio com ares de abandonado com uma fonte em forma de sereia que não funcionava mais. 

Havia quem dissesse que ali morava uma bela jovem que foi embora e abandonou o bosque. Havia crianças peraltas que assustavam os colegas dizendo que ali morava uma bela ninfa que fora amaldiçoada por uma bruxa e teve sua alma presa no espelho. Havia sábias senhoras que inventavam contos com as mais diversas possibilidades do que vivia no bosque. De uma coisa todos tinham certeza: o bosque perdido era um recanto encantado.

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