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quinta-feira, dezembro 24, 2015

Delícias de Soraia: A Primeira Vez

dezembro 24, 2015 0 Comments
Quando Nágila e eu nos aconchegamos na cama, fiquei nervosa. Senti aquele friozinho na barriga típico de quem é virgem. Mas aquela não era a minha primeira vez.

Tá legal, aquela era a minha primeira vez com uma mulher. Da mesma forma que Nágila se sentiu despreparada e confusa quando fez sexo anal pela primeira vez. Mas, o que nunca havia se passado pela minha mente antes, Nágila tinha prática em transar com mulheres e, portanto, facilitaria as coisas para mim, tolerando minha inexperiência. 

Ela sabia que dividir uma ou duas doses de uísque comigo era o suficiente para eu não ficar tão tímida no momento. 

Enquanto se despia, Nágila sorria maliciosamente para mim. Fiquei tão hipnotizada com seu jeito de tirar as roupas e mostrar aos poucos o seu corpo nu que me esqueci de me livrar das minhas. Nágila era linda nua. 

Quando trocávamos de roupa perto uma da outra ou quando ela pedia minha ajuda para espalhar o creme na pele, sempre admirei seu corpo. No início pensei que era inveja, mas depois soube que não. Eu adorava o tom moreno da sua pele, mas também apreciava meu tom rosado e não queria mudar de cor. Então, simplesmente soube que lhe admirava. 

Porém, nesse momento, eu estava lhe vendo com outros olhos. Não era admiração e sim, atração. Eu estava lhe desejando. Nossa, e como! Como eu queria lhe tocar. Logo, percebi que estava ficando excitada, e que minha expressão revelava isso de alguma forma, se não Nágila não estaria me respondendo com um beijo enquanto me despia, ansiosa. 

Sentia-me um pouco constrangida, mas nada que pudesse me tirar a ideia de curtir aquela noite quente. Já nuas, com os corpos lado a lado na cama, Nágila olhou-me com um jeito provocante, com um sorriso doce na ponta dos lábios, enquanto afastava alguns fios de cabelo dos meus olhos, dando-me selinhos ternos e demorados. Minha vontade era de fechar os olhos, mas queria olhar-te, ao mesmo tempo, e me senti envergonhada demais para abaixar a cabeça e analisar seu corpo. 

Do meu rosto, sua mão desceu para um dos meus seios, o qual acariciou de leve. Não pude evitar que eles inchassem e apontassem para ela. Isso funcionou como um convite, pois logo sua boca escorregou pelo meu queixo, demorou-se em meu pescoço, mordiscando de leve minha orelha e então, abocanhou meu seio e lhe chupou o suficiente para me arrancar uns gemidos e não segurar o ímpeto de prender seus cabelos em meus dedos. 

Para meu espanto, a boca de Nágila tornou a descer, parando em meu umbigo. O prazer aumentou, mas eu ainda desejava mais, só não sabia como pedir. Quando Nana começou a descer lentamente, não aguentei e pedi que parasse. 

- Ei, relaxa Soraia! Não tenha medo. – disse ela. 

Não é a toa que dizem que somente uma mulher pode saber verdadeiramente o que outra mulher quer, pois quando Nágila me tocou com a língua eu quase explodi. Então, lá estava ela, entre minhas pernas, fazendo círculos com a língua e colocando-a de leve dentro da minha vagina, e o mais impressionante de tudo, soprando-a, proporcionando-me sensações de refrescância. 

Eu me segurava nos lençóis da cama, totalmente descontrolada, quando ela veio ao encontro dos meus lábios novamente. E então, sem nada dizer, pegou minhas mãos e passou contra seu corpo inquieto, que se encontrava em cima de mim. Ela não precisava dizer nada, eu sabia o que queria. Então, cautelosa, toquei-lhe com o dedo, fazendo círculos no clitóris. Depois, coloquei um dedo dentro dela. Insatisfeita por não preencher o espaço, coloquei mais um. Surpreendi-me quando ela me pedisse que colocasse em outro lugar, Ela se referia ao seu anús. 

Ouvir seus gemidos contra o meu ouvido enquanto ela expressava seu prazer me arranhando era uma delícia. Porém, eu estava certa de que não era nem de longe sua melhor parceira de cama. 

Deliciamos-nos com carícias a noite inteira. Nágila conseguiu fazer com que eu relaxasse e me pediu que eu fizesse tudo o que sentisse vontade. Mas mesmo vendo que ela estava gostando, ás vezes eu me sentia uma idiota, com medo de não estar fazendo certo. 

Afinal, Nágila curtia vários apetrechos sexuais, como algemas e loções que transmitiam sensações diferentes. Quando dormimos, estávamos exaustas, mas eu me sentia leve e em paz. Talvez por que não sentiria ardência ao usar o banheiro na manhã seguinte. 

Sem dúvidas, namorar uma mulher era bem mais curioso, prazeroso e relaxante. Pois uma sabia o que a outra sentia, então os segredos se desfaziam. Uma mulher não.

. . .


Abri os olhos antes dos primeiros raios de sol alcançarem o céu, aquela sensação gostosa pós-sexo percorrendo meu corpo, nada aquela dorzinha incômoda no pé da barriga. Ao meu lado, o corpo esguio da Aline se aquecia junto aos meus, seus cabelos negros, tão cheirosos, fazia cosquinha na minha orelha direita. Ela era linda dormindo. 

Então, a consciência me atingiu em cheio: Deus, eu sou lésbica! Isso não parece certo, sou cristã. Ok, não sou uma católica devotada, mas lembro-me de ter feito catequese quando criança. Além disso, eu amo o Mateus. Não amo? Então, acredito que isso faz de mim apenas uma simpatizante. É isso. A Aline é minha melhor amiga, é natural me sentir atraída por ela. Não é? O que tivemos ontem foi tão bom... acho que eu faria de novo. Faria, sim. Então talvez eu seja bissexual!! Nossa, esse termo não é nada bonito... soa tão mal. 

- Soraia? Você ta legal? – Aline me encarava com o rosto amassado contra o travesseiro, seus olhos de amêndoas doces brilhavam de ansiedade. 

- To! Claro! – respondi de prontidão, tentando soar o mais verídica possível. 

Um sorrisinho malicioso despontou na ponta de seus lábios. 

- Então porque está fazendo careta? – disse ela, me enlaçando com mais força. - Você sempre faz caretas quando pensa demais. 

Se fosse uma gatinha, estaria ronronando de prazer. 

- Estou pensando qual o melhor rótulo para o meu caso recém-descoberto. – sincera, desviei os olhos envergonhada, minha boca querendo sorrir, mas eu não permitia. 

Sem resistir, Aline soltou uma risada gostosa, talvez um pouco estridente. 

- Relaxa, ruivinha. Não precisa pensar nesses paradigmas idiotas. – seguiu-se alguns segundos de silêncio para que eu me reconfortasse. - Vou fazer um café pra gente! – dito isso, ela me pegou de surpresa num selinho rápido e molhado e se levantou. 

Sem me conter, admirei a maneira como o shorts do pijama se agarrava às curvas do seu quadril. Mordisquei o lábio, passando a língua por onde sua boca havia encostado na minha. Mais uma vez, aquela sensação deliciosa percorreu o meu corpo... eu estava apaixonada.

As Delícias de Soraia: Primeiro Beijo

dezembro 24, 2015 0 Comments
As lágrimas lhe encharcavam o rosto, inclusive seus lábios em forma de coração, que tremiam enquanto ela dizia que me amava. Com as nossas testas encostando uma na outra, compartilhamos aquele momento de dor. Sim, eu estava triste também, mas não tinha o que falar para aliviar aquela sensação ruim. 

Então, ainda com os nossos olhos fechados, ela segurou meu rosto entre suas mãos e me beijou de leve nos lábios úmidos. Eu fiquei espantada, mas ao mesmo tempo notei que a sensação era boa. Tão boa que nem abri os olhos, e abracei-lhe com mais firmeza. Foi aí que nosso abraço deixou de ser amigável para se tornar amoroso, com as mãos acariciando a pele morna uma da outra. 

Não sei exatamente quando, mas o soluço simplesmente se cessou e estávamos com a boca encaixada uma na outra, apreciando o prazer que aquilo proporcionava. Nossa, como ela beijava bem! Muito melhor que qualquer homem que eu já havia beijado. E éramos da mesma altura, portanto eu não ficaria com dores no pescoço depois. E seu corpo contra o meu era muito mais macio, mais aconchegante do que grudar num monte de músculos. 

Nágila era uma garota espetacular. E logo eu soube que toda aquela atração que sentia por ela desde o colegial não se tratava de admiração e sim de desejo. Eu sempre fora apaixonada por ela e não sabia. Aquela dor de vê-la chorando era que doía em mim também. 

De início, quando ela revelou tudo para mim, fora uma grande surpresa, eu fiquei confusa, desnorteada, como se só pelo fato de ser gay ela fosse se atirar pra cima de mim a qualquer instante. Mas, depois que o choque passou, passei a me preocupar com minha forma física e se ela me achava atraente.

quarta-feira, dezembro 23, 2015

Bate Forte o Coração LGBT

dezembro 23, 2015 0 Comments
Houve um período que eu tomei conhecimento de uma editora que publicava romances LGBT gratuitamente no intuito de fortalecer a cena na área, então, além de pensar em novas histórias dentro da temática, também pensei em incluir um romance lésbico no meu projeto de livro "Bate Forte o Coração". O papel caberia à uma nova personagem, Evelyn, bissexual declarada, prima de Andressa, melhor amiga de Nara, protagonista do romance escrito em formato de diário.

No início, Nara morre de ciúmes de Evelyn. Mas as duas começam a se dar bem e Evelyn se apaixona por Nara.  Nara também gosta dela, mais do que do seu namorado. Mas se preocupa com a reação das amigas e da família.  Um dia elas se beijam, e não restam dúvidas de que uma está apaixonada pela outra. Nara recorre a Loraine, que conta que já beijou mulheres, mas que nunca passou de curiosidade e atração física.

sábado, dezembro 12, 2015

Ler, Reler e Escrever

dezembro 12, 2015 0 Comments
As férias mal começaram e já coloquei um plano de leitura em prática. Todavia, ao invés de atacar títulos novos, resolvi dar início a releitura de alguns prediletos que agora habitam minha estante, de autoras como Sophie Kinsella, Meg Cabot e Marian Keyes. Também reli a saga Crepúsculo e passei os olhos pelo livro primeiro de Desventuras em Série, seguindo das leituras às adaptações cinematográficas.

Reler é gostoso, mas confesso que adotei esse hábito há pouco tempo. Você já está familiarizado com a história, os personagens, a autoria. Tentei puxar na memória o que acontecia em tal livro e, quando descobri que esqueci ou lembrava-me de poucos detalhes, pensei "por que não ler de novo?" e se apaixonar de novo... Às vezes não dá certo. Às vezes estou na metade do livro e relembro o que acontece no final. Ou o livro fica marcado por algum acontecimento trágico que dá pavor de lê-lo novamente.

Sei que é errado comparar um romance com um filme homônimo, mas é também quase inevitável. É horrível quando alguns trechos do livro são melhores representados no filme. Ok, são mídias diferentes, o que deu certo em uma pode não dar certo noutra plataforma e etc. Mas aconteceu, por exemplo, de eu ficar emocionada num momento da história por me lembrar de como o ator interpretou aquilo no filme.

De títulos novos, li Se eu Ficar, mas só por que havia visto o filme e fiquei encantada, imaginando como seria aquilo num romance. Mas, infelizmente, me desapontei um pouco, acho que estava com a expectativa muito alta. Talvez por a autora ser jornalista... faltou aquela pitada de subjetividade que faz o leitor perder a noção de espaço-tempo, sabe? O romance foi escrito como um roteiro, pautado em cenas contadas, descritivas, com data, hora e local marcados.

Também tentei ler Como ser Legal e, apesar da protagonista ser mulher e o autor da obra ser um homem (nada contra), o livro é um drama só (pelo menos no início). Sei que tem muitas leitoras que dizem que não largam o livro enquanto não termina de ler, mesmo que começou ruim, pois não podem se basear apenas numa parte para fazer uma avaliação justa e blá blá blá. Eu seria uma leitora crítica muito rígida, nesse sentido. Se um autor me enviasse um livro e logo de cara eu não gostasse dos primeiros capítulos, mandaria de volta e diria “refaz essa merda!”, como os orientadores de TCC fazem conosco.

Voltando aos títulos relidos, nesta semana eu me permiti ficar mais uma vez encantada com Um Best Seller para Chamar de Meu de Marian Keyes, minha autora favorita. Sempre me identifico com seus personagens e adoro seu jeito de narrar. Este livro, em especial, é dividido em partes por três protagonistas que se cruzam em algum momento da história. A primeira trabalha com organização de eventos e é aspirante a escritora; a segunda é uma agente literária e a que me deixa mais empolgada pelos causos de negociação editorial (e por seu caso amoroso com o seu chefe que é um homem casado); e a terceira é uma RP falida que acabou de publicar o primeiro livro (e está casada com o ex-namorado da ex-melhor amiga, a primeira protagonista).

Ler a saga destas mulheres me fez pensar em qual momento fiquei desanimada com uma carreira literária. Primeiro que, no Brasil, seguir uma carreira artística é quase impossível. Segundo por que parece que tudo se resume a dinheiro. A protagonista-escritora até que ilustra bem os jornalistas sarcásticos, como as editoras pecam em marketing e correção gramatical, o descontentamento em descobrir que as livrarias não vendem obras de autores estreantes, a desilusão dos prêmios literários, as primeiras resenhas negativas...

Não desisti de ser romancista, claro que não. Apenas estou me preparando para ser autora independente. Adoro trabalhar com comunicação, adoro a ideia de ver meu hobbie por dança ter virado um ofício e adoro mil vezes relacionar uma coisa com a outra. Mas não me esqueci dos meus personagens, dos meus originais, dos rascunhos encaixotados na minha estante. Estou apenas sendo paciente, esperando o momento certo. Posso não ser a autora de um almejado best seller, mas apenas ser autora já me basta. Enquanto isso, me contento escrevendo para blogs, produzindo conteúdo para mídias sociais, publicando artigos.

segunda-feira, dezembro 07, 2015

O Ódio e A Diferença

dezembro 07, 2015 0 Comments
É certo dizer que o texto jornalístico pode causar comoção se o autor for capaz de propiciar essa empatia entre personagem e leitor através da escrita narrativa. É natural do ser humano que, ao se deparar com a história de outra pessoa, tenha como reação imediata imaginar-se na mesma situação. Mas esta reação é a mesma indiferentemente do veículo em que a mensagem é transmitida, seja impressa ou digital? Segundo o artigo “O Poder da Emoção” (CJR, 2015), “o leitor entende o espaço bidimensional do impresso, já a internet é de uma ordem distinta”. Ou seja, tanto faz você se deparar com uma notícia que lhe choca num dado momento quanto no instante seguinte estar se entretendo com outra coisa totalmente diferente, colocando em segundo plano o que acabara de ler, sendo que no papel ficamos fixos àquele contexto por tempo suficiente para assimilarmos o fato, digerirmos o conteúdo, nos emocionarmos.

A tecnologia nos mantém ocupado o suficiente para nos isolarmos da convivência humana, talvez por isso nossa geração não saiba lidar bem com as próprias emoções. Diante dos casos recentes de vandalismo e marginalidade, o número crescente de assassinos a sangue frio, multidões querendo fazer justiça com as próprias mãos: isso é uma amostra de que as relações interpessoais precisam ser trabalhadas. O ódio é algo espontâneo e natural, um recurso do nosso corpo para alertar que algo está errado, parte integrante do nosso mecanismo de defesa, pela sobrevivência física e para preservar os valores que prezamos. O sentimentalismo mal resolvido pode resultar em grandes estragos físicos e emocionais, levado a calamidades.

Talvez todos tenhamos um pequeno monstro dentro de nós, esperando para ser alimentado, para crescer e se libertar. Começa com a raiva, um sentimento crescente decorrente de uma mágoa, um rancor guardado no peito que, evoluindo, exige uma reação imediata e por vezes desmedida, ganha forma, se personifica, e então escolhe um alvo, como um veneno fomentando a agressividade, a maldade e a vingança, despertando toda sorte de sentimentos ruins e desumanos. É nesse contexto que vivenciamos o século XXI.

quarta-feira, dezembro 02, 2015

Crise Econômica Brasileira Estagna os Negócios

dezembro 02, 2015 0 Comments

Empreendedores suspendem investimentos e desemprego em massa assola o país

Recessão com desaceleração da produção econômica produz desemprego em massa e aumenta a inadimplência no mercado, empresários e trabalhadores em geral estão preocupados com os rumos que a economia nacional está tomando e optam por adiar os investimentos. Entenda o cenário atual da crise econômica no país:

Entenda o problema

 O governo vem trabalhando em uma estratégia operacional onde medidas emergenciais são adotadas para tratarem problemas que poderiam ser facilmente resolvidos se houvesse um planejamento macro. Fora a condição dependente do país na cena mundial: praticamente 50% das nossas exportações giram em torno de petróleo bruto, minério de ferro, soja, açúcar e café. Nos últimos anos, esse consumo internacional diminuiu sensivelmente: a China, particularmente, reduziu suas compras em quase 40%, segundo nota emitida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

“A culpa é do Governo!”

A submissão da política econômica à política partidária tem levado a uma desestruturação da máquina pública, prejudicando todos os setores da sociedade, a saber: educação, saúde, segurança e, obviamente, economia. Com escândalos se acumulando e a impunidade ganhando visibilidade, não restou credibilidade suficiente para que o governo pudesse contar com o apoio desses setores da economia nacional.

Perspectiva

Segundo análises, é certo dizer que a retomada da economia brasileira depende exclusivamente do Governo, sendo este o responsável em termos de fomento ao desenvolvimento do país, falhando no planejamento estratégico de longo prazo para a nossa economia, no investimento em infraestrutura e na política fiscal. O ajuste fiscal é de suma importância para a reversão do quadro atual, pois a contabilidade criativa das contas públicas está afetando principalmente as classes trabalhadoras, populares e médias com o aumento de taxas e impostos.

Matéria apresentada à disciplina de Economia ministrada pelo profº Vladimir Furtado no curso de graduação em Jornalismo da FACCAMP (Faculdade Campo Limpo Paulista)

sexta-feira, novembro 20, 2015

O Impacto da Internet e Novas Tecnologias na Produção de Conteúdo: Palestra com Rafael Depieri

novembro 20, 2015 0 Comments
Rafael Depieri, natural de Jundiaí/SP, se formou em Rádio e TV pela Anhembi Morumbi, trabalhou como roteirista em emissoras como a SBT e a Band e estudou Cinematografia em Santa Fé (Novo México). Hoje, aos 28 anos, ele é proprietário da produtora de vídeos para TV e Web Oficina Mídia onde é feito vídeos corporativos, institucionais, promocionais, comerciais, entre outros. Em palestra realizada para os alunos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da FACCAMP (Faculdade Campo Limpo Paulista) na última quarta-feira (18) a convite do professor Paulo Genestretti, Depieri compartilhou suas experiências pessoais como profissional em comunicação, destacou as diferenças do trabalho no Brasil e nos EUA, falou sobre a modernização do mercado e exibiu uma série de vídeos, alguns produzidos por sua produtora e outros de youtubers que ganharam visibilidade na web.


Interatividade

Com as cartas, o telefone, o fax e o e-mail já era possível contar com o feedback nos sistemas de comunicação, principalmente entre um veículo e seu espectador. Todavia, a chegada das redes sociais e a acessibilidade às novas tecnologias facilitaram muito essa interatividade do produtor com o receptor de conteúdo.

Atualmente, tudo se encontra na internet. Qualquer informação que você precise, é só caçar por lá. As organizações perceberam que também precisam estar lá, acessível, mas nem sempre contam com mão de obra qualificada para desempenhar essa função. E a maneira como você se apresenta na web é que vai atribuir credibilidade a sua marca. As avaliações em uma página e os comentários funcionam como um termômetro desse crédito.

Para que usar um portal “reclame aqui” se o retorno pelo Facebook é muito mais ágil quando se está com algum problema? Todos temem ter o seu nome exposto negativamente na web e muitas organizações ainda não aprenderam como lidar com essas crises.


Democratização na Produção de Conteúdo

Três pontos contribuíram com a democratização na produção de conteúdo para web: a chegada da banda larga; a criação das mídias sociais e o surgimento das câmeras DSL, que inovaram a qualidade das fotos e filmagens amadoras. As pessoas civis ganharam voz e espaço para compartilhar o que quer que seja. E a cada momento novos personagens se tornam visíveis ao público massivo. Aqueles com mais capacidade técnica perceberam que era possível ter fins lucrativos com isso, e então vieram os bloguers, vloguers e podcasters da vida.

Num passado não muito distante, conteúdo de internet era considerado coisa de amador. Mas isso vem mudando de uns tempos para cá, as pessoas já estão se cansando do “lixo virtual”, e com isso vem surgindo a necessidade da profissionalização na internet. Hoje é muito fácil encontrar conteúdo na internet com mais qualidade do que o que vemos em outros veículos de comunicação.


Internet x Televisão

O Rafael citou dois tipos de programas de televisão: os programas “parasitas”, que dependem do conteúdo da internet para ter o que transmitir, como é o caso do quadro Zap Zap do programa Encrenca (RedeTV!), o que não é de todo ruim, exceto quando a programação se limita a isso e quando não é feito uma boa filtragem do material obtido nem consultado a veracidade das informações transmitidas; e os programas que se adaptaram à presença dos internautas. Nunca havia parado para pensar nisso, mas quando um programa acaba na TV, não significa que também acabou na web: as pessoas continuam acessando, curtindo e comentando por um período de tempo após o término do programa.

Profissionais Limitados

Aqui no Brasil estamos com um grave problema com o que chamarei de “sistema de produção em massa”: a limitação de funções dentro de um cargo e a acomodação de um funcionário que não tem interesse de aprender além do que a sua função exige, e não estou falando apenas das gerações passadas. As leis trabalhistas atuais colaboram com esse monotrabalho. Um bom exemplo citado é que muitos jornalistas nem chegam perto da edição dos seus trabalhos.

Nos Estados Unidos, conforme a experiência do Rafael, existe bem menos burocracia para trabalhar, consequentemente, tem mais agilidade no ambiente corporativo, os funcionários são pró-ativos e multitarefas, inclusive a aposentadoria não funciona como aqui em nosso país, muitos idosos continuam trabalhando num bom ritmo mesmo depois da chegada da 3ª idade.

Uma das coisas que eu mais ouço as agências de comunicação reclamarem é o número de alterações solicitados pelo cliente antes de chegarem num consenso para o produto final. É como se todos da equipe quisessem participar de alguma maneira, “todo mundo tem que dar seu toque de genialidade” (SIC), disse o Rafael. Na maioria das transações entre sua produtora e uma agência, ele destaca que o cliente está mais preocupado com a logística do que com a criação, sendo assim, ele inovou criando o “Manual do Cliente” que é uma espécie de guia de como o cliente deve se portar durante as transações.


Considerações Pessoais

Adorei conhecer o Rafael e assistir sua palestra só alimentou meu prazer em trabalhar com comunicação. Eu adoraria voltar a estagiar, pois não aguento mais ficar fora desse mercado! Sinto-me um tanto alienada por não ter acesso a algumas tecnologias e, principalmente, estar sem internet em casa.

Penso em como poderia melhorar a qualidade dos meus eventos se tivesse um tripé para as filmagens de apresentações, uma caixa de som portátil e uma câmera semi-profissional. Na parte de edição, aos poucos estou incorporando o pacote Adobe no meu notebook, mas quando executo certos programas tudo fica lento. Todavia, sem chances de comprar um macbook! Não no Brasil, pelo menos. Acho que gastar com material escolar não me convém mais, nem ficar tendo que imprimir minhas referências, preferiria ter tudo acessível em um tablet.

Depois da palestra, pedi alguns toques para o Rafael para a produção do meu projeto experimental independente de videodança, que já está em andamento. Fiquei muito empolgada com todas as informações obtidas, mas reconheço que ainda tenho muito o que aprender. Não vejo a hora de ter aulas práticas de fotografia! Também quero fazer um curso de extensão em edição de imagens. Não vejo a hora de aprender a diagramar com um programa próprio para isso, assim poderei concretizar meu desejo interno de ser autora independente.

Enfim, espero que até o final do curso eu esteja com mais mobilidade técnica para desenvolver meus projetos. Investir num automóvel ajudaria na locomoção e ainda não desisti de ter meu próprio canto, só tive que adiar um pouco, fazer um planejamento financeiro a longo prazo. Conhecer pessoas que estão se saindo bem mesmo com tantos obstáculos em nosso país é uma grande fonte de inspiração e motivação para continuar almejando tudo o que quero ser e ter.

domingo, novembro 15, 2015

Não tem idade para começar a fazer faculdade

novembro 15, 2015 0 Comments

Depois de ser diagnosticado com uma limitação física nas pernas que o impede de fazer muito esforço, José Lopes, aos 39 anos, aproveitou o momento para ingressar no ensino superior.


Melissa: O que te levou a começar a faculdade?

José: Foi meio forçado. Tenho um problema na perna e não posso fazer muita força, então resolvi aproveitar para estudar.


M: Quais são os seus hobbies?

J: Adoro tocar violão e contrabaixo. Começou como um hobbie, hoje toco profissionalmente. Já toquei de tudo, inclusive rock e sertanejo, mas hoje tenho uma banda gospel, tocamos em eventos familiares, como casamentos. Também gostava de fazer academia, jogar bola, mas depois do problema na perna eu parei.


M: Mas então, por que escolheu estudar Jornalismo ao invés de Música?

J: Estava em dúvida entre estudar Música, Jornalismo ou Educação Física. Quando consegui a bolsa de 50% pelo Prouni para estudar Jornalismo, despertou um sonho antigo de ser correspondente de guerra.


M: Mas você já havia cogitado ingressar no ensino superior antes?

J: Quando fiz o 2º grau era diferente, não tinha esse incentivo do governo que temos hoje. Aí, aos vinte e seis anos, casei, tive dois filhos, então não teve jeito.


M: E sua família, apoia que você estude?

J: Sim, claro, me esposa me apoia e meus filhos me veem como um herói. O mais velho tem 13 anos e o outro tem 10, eles gostam de comparar o que estão aprendendo na escola com o que eu estou aprendendo na faculdade.


M: O ensino superior te fez falta no início da sua carreira?

J: Sim, muita. Se meus filhos não quiserem estudar, eu vou obrigá-los. Por que até quem tem ensino superior está aí sofrendo para arrumar um bom emprego.

quarta-feira, outubro 28, 2015

O Jornalista e o Escritor

outubro 28, 2015 0 Comments
“Minha vida daria um ótimo livro!”, acho que essa é uma das frases que eu mais ouço depois da publicação do meu primeiro romance. No começo, ficava emburrada: poxa, essas pessoas não entendem que eu sou romancista de ficção? Não quero escrever história de ninguém! Pensava. E cá estou eu, estudando jornalismo, onde nosso principal papel é dar voz aos personagens da vida real.

Hoje eu percebi o quanto as pessoas tem essa necessidade de serem ouvidas. Quando convido alguém para uma entrevista ou uma reportagem experimental, a princípio se intimidam, mas aos poucos os sentimentos ruins dão lugar à emoção de terem uma oportunidade de contarem a sua história, não importa se se trata apenas de um trabalho acadêmico.

Por haverem muitos jornalistas de má índole neste ofício, que manipulam informações, as pessoas desenvolveram certo receio de se abrirem com um jornalista, temem serem expostas, mal interpretadas e julgadas por outro ângulo. Com o escritor isso não acontece: temos uma ideia romantizada de quem escreve, você pode contar com um escritor para ele transpor suas palavras com transparência, sem véus que ofuscam o texto, sem aqueles olhos sanguinários que buscam uma pequena brecha, uma informação única e nova, algo que dê uma boa notícia. Não temos essa pressão das grandes mídias, não resumimos nossas histórias em caracteres, não seguimos técnicas de lead ou triângulo invertido.

Apesar de ambos trabalharem com a escrita, o escritor é um artista, o jornalista nem sempre. Mas quando o jornalista aprende a contar histórias, ele ganha o carisma do público. Foi mais ou menos assim que o jornalismo literário me conquistou: pela arte de contar uma história... real. 

segunda-feira, outubro 26, 2015

Feriado Prolongado

outubro 26, 2015 0 Comments
Não sou muito de fazer resenhas, mas gosto de registrar os livros que leio, filmes e séries que assisto, podcasts que ouço ou os games que jogo, seja por meio de redes sociais específicas como o Skoob ou o Filmow ou publicando pequenas citações no Twitter.

As últimas semanas recheada de dias livres foi muito produtiva para eu atualizar essas listinhas. Gostaria de poder atualizar minha page em tempo real com essas informações, mas meu acesso limitado a internet me impede, então resolvi fazer um post para falar resumidamente do que andei enchendo minha cabeça!

#Li

Casamento Blindado, por Renato e Cristiane Cardoso
Ano: 2012 / Páginas: 271
Editora: Thomas Nelson Brasil

#Assisti (filmes)

Pixels (2015)
Dirigido por Chris Columbus
Tomorrowland (2015)
Dirigido por Brad Bird
Os Croods (2013)
Dirigido por Chris Sanders e Kirk de Micco
Mad Max: Estrada da Fúria (2015)
Dirigido por George Miller

#Assistindo (séries)

Gotham (2ª temporada: 2015)
COMECEI!

Amorteamo (2015)
VI DE NOVO!

#Ouvi

PODCASTS!

Tribal: você realmente conhece esta dança?
Por Sala de Dança

Processo Criativo
Por Sala de Dança

Videodança
Por Sala de Dança

Profissão: professora de dança
Por Sala de Dança

Bailarina ou Dançarina: o que somos?
Por Sala de Dança
A Dança Tribal segundo as brasileiras
Por Tribalcast Brasil

quinta-feira, outubro 22, 2015

#Li: Casamento Blindado, por Renato e Cristiane Cardoso

outubro 22, 2015 0 Comments
Ano: 2012 / Páginas: 271
Editora: Thomas Nelson Brasil
Consegui esse livro no Boulevard de Trocas do Sesc Jundiaí. Já havia lido A Mulher V da Cristiane Cardoso, uma escritora excelente. Não costumo ler livros cristãos ou de autoajuda e tão pouco me dediquei a essas leituras apenas por serem de autoria da filha do bispo da igreja que frequento, a Universal. Já tentei ler outros títulos, alguns escritos pelo bispo Edir Macedo e outros, mais recentes, como A Última Pedra e Cinquenta Tons para o Sucesso, mas, na minha opinião, deixaram um pouco a desejar ou não foram condizentes com meu gosto para leitura.

Uma das coisas que chamaram minha atenção para este livro foi ele ser narrado em primeira mão por um homem, o Renato (a Cristiane entra apenas com umas pinceladas do seu ponto de vista feminino sobre o assunto), então achei que seria uma leitura interessante (e, realmente, apesar de uns trechos meio machistas, ele procurou ser sincero em muitos aspectos). Além disso, ele não fala da boca pra fora: Renato Cardoso, em parceria com sua esposa, ministra cursos e palestras sobre relacionamento conjugal, apresenta o programa The Love School exibido semanalmente na Rede Record e é educador familiar e matrimonial certificado pelo National Marriage Centers de New York.

Pude constatar que em vários momentos do livro ele faz referência a pesquisas fundamentadas de especialistas na área, além de usar dados cientificamente comprovados sobre aspectos psicológicos, físicos e genéticos como base para suas argumentações e também dados históricos como a revolução industrial e o movimento feminista para justificar a metamorfose do casamento.

Quem não tem esqueletos no armário, que atire a primeira pedra!

Um dos macetes utilizados pelo Renato para explicar a resolução de conflitos numa relação matrimonial (detalhadas em seus cursos, no programa de TV e agora, tudo escrito bonitinho neste livro) é o uso constante de metáforas, algumas já conhecidas no meio dos palestrantes do gênero. Podemos percebê-las já no sumário do livro: Mochila nas costas/Excesso de bagagem; Casamento como uma empresa; E a medalha de prata vai para... (a ordem dos relacionamentos); Uma caixinha para cada coisa/Uma bola de fios desencapados (sobre as diferenças do homem e da mulher); As 27 ferramentas, etc.

Sem uma boa equipe não seria possível escrever um livro tão bem fundamentado e dirigido, abrangendo diferentes públicos: tanto homens quanto mulheres de diversas faixas etárias e em diferentes estágios de um relacionamento, seja para resolver um crise ou para precaver-se de dar início a uma. Super recomendo!

quarta-feira, outubro 21, 2015

Momento Garota

outubro 21, 2015 0 Comments
Juliana é amiga de Sue Ellen - filha da dona da revista Momento Garota -, se conheceram num evento onde ela trabalhava como modelo free lance. Agora que o pai faleceu e estava passando apertado em casa, sua mãe fazia o possível para usufruir ao máximo de sua beleza. Tudo o que ela queria era um emprego normal, assim Sue Ellen lhe deu o cargo de assistente da MG. 

Parecia o emprego perfeito. Tudo o que ela tinha que fazer era secretariar a presidência, atendendo o telefone, levando café na sala, passando qualquer problema que ocorria nos demais setores para conhecimento de sua chefe. Elisângela quase não aparecia na empresa, e só gostava que ligassem para seu celular se fosse de extrema importância. Sue Ellen era uma libertina, aparecia todos os dias, sintonizava uma estação de rádio, batia papo no MSN e passava horas fofocando com Juliana. 

Mas a melhor amiga de Sue Ellen e atual gerente de RH foi surpreendida desfavorecendo alguns operários e demitida por justa causa. A empresa virou um caos, só então Sue Ellen percebeu que nunca esteve no controle de nada. Sua sorte foi que Elisângela conheceu uma balconista enquanto usufruía de um clube local e, surpreendida com a eficácia da garota, convidou-a para ser sua assistente. 

Juliana tremeu nas bases, sentindo-se ameaçada. Fez um cálculo mental sobre o quantia tinha sido prestativa nos dois meses que estava ali. Bem, ela fazia seu trabalho. Estudara em escola particular e tudo mais, como uma balconista poderia ser melhor que ela? Mas era. 

Sofia aprendia as coisas com muita facilidade, era ágil em seu trabalho e tinha uma mesa extremamente organizada. Juliana detestava quando ela lhe pedia favores, afinal, ela estava ali há mais tempo, então era ela quem devia dar as ordens. Além disso, Sofia sempre parecia reparar nas falhas de Juliana, e isso lhe deixava muito estressada. Sue Ellen continuou sendo sua amiga, mas tudo que precisava pedia à Sofia. Era ela quem coordenava as equipes, sugeria estratégias, participava das viagens e eventos, vistoriava de perto cada departamento. 

Juliana passou a invejá-la e fazer o possível para que cometesse erros. Por mais que ela se esforçasse e tudo mais, era muito ingênua e boazinha para sacar as artimanhas de Juliana. Foi assim que ela conseguiu ser promovida à Assistente Sênior da Presidência, enquanto Sofia foi intitulada Assistente Júnior. 

Não era justo, Sofia sabia disso. Juliana não tinha a mesma capacidade de liderança que ela para lhe passar ordens. Tudo o que ela fazia, como fazia, estava errado, ela sabia que podia fazer melhor. Mas agora a hierarquia estava ali para lhe limitar. Não conseguia conviver vendo todo seu trabalho se desmoronando e não poder fazer nada a respeito. Por isso tomou a iniciativa de pedir demissão. 

Sue Ellen estarreceu. Ela precisava de Sofia. Mas não podia aumentar seu salário, se era o que queria. Também já havia notado que ela não se dava com Juliana. O que ela podia fazer? A mãe não ia gostar nada de saber disso. 

E, realmente, quando Elisângela soube virou uma fera. Pela primeira vez passou o dia na empresa, questionando os empregados, passando ordens para Juliana e dando broncas. O pior foi quando a gravidez inesperada de Sue Ellen foi anunciada e ela precisou ser afastada. 

Conviver com Elisângela era terrível. O trabalho dobrou, e com ela não tinha conversa. Juliana agonizou nesse tempo, mas achava que valeria a pena. Afinal, o cargo era dela, disso tinha certeza. Tentando imitar os atos de Sofia, passava ordens e supervisionava cada departamento. Mas, logo notou, eles gostavam de Sofia, eles não questionavam as ordens dela. Todavia, ninguém levava Juliana a sério, falavam mal dela pelas costas, e pareciam crer que a causa da saída de Sofia era sua. 

Não demorou muito para que Elisângela ligasse para Sofia e agendasse um encontro informal. Conversaram sobre tudo, inclusive sobre Juliana. Elisângela já havia percebido a invalidez da menina, mas confessava que tinha pena de mandá-la embora. Ela era um rostinho bonito sem nenhuma qualidade a mais. E sua filha, Sue Ellen, era imatura demais para o cargo de vice, não cumpria com suas responsabilidades. Além disso, ela se sentia velha e queria aposentar, mas como confiaria nas mãos de terceiros para cuidar da empresa? 

- Quero você de volta, Sofia. Vou passar a empresa para o nome de Sue Ellen e rezar para que o bebê lhe dê mais juízo. Quero que você assuma o cargo presidencial, pois tenho certeza que conseguirá manter a ordem por lá. 

Assim, triunfante, Sofia voltou para a Momento Garota com a promessa de que seria tolerante com Juliana, não podia rebaixá-la de cargo, mas não podia confiar nela como assistente. Assim, manteve seu cargo, mas contratou uma secretaria para auxiliá-la e, principalmente, fazer vista grossa em Sofia.

Memórias de Samara - Capítulo 1

outubro 21, 2015 0 Comments

Era quase sete horas quando eu e Sofia chegamos da escola. Meu irmão, Maycon, estava no primeiro ano do ensino médio e estudava no período da manhã, de modo que já estava em casa. Sim, em casa, e não na rua jogando bola como qualquer garoto normal. Ele preferia estudar a maneira como os planetas se alinham ou o processo de transformar areia em vidro em seu quarto. 

- Mãe, cheguei – avisei. 

Minha mãe estava sempre em casa. Ela era uma manicure de residência, o que quer dizer que quando suas clientes não vinham em casa, ela ia até a casa delas. Parece meio pobre não ter seu próprio salão cor de rosa com um painel escrito “Rose Manicure”, mas no meu bairro as pessoas se sentiam mais acomodadas sentadas no sofá de casa enquanto fazem as unhas assistindo o canal de fofocas sobre a vida nos famosos na televisão. 

Sofia jogou a mochila em cima do sofá e cumprimentou a senhora Morato educadamente, depois se encaminhou para o seu quarto com um livro debaixo do braço. 

- Garotinha mimada e sem graça, tem apenas seis anos e se comporta como se já fosse mulher. Que tipo de criação essa pirralha esnobe recebe? – disse a senhora Morato, em um tom que eu nunca tinha ela ouvido usar antes. Enruguei a testa quando olhei para ela, afinal estava sorrindo e parecia que só eu tinha notado seu comentário maldoso. 

- Sofia, leve sua mochila e faça o dever de casa. O jantar está quase pronto, só vamos esperar seu pai chegar. – Falou minha mãe com uma voz monótona, estava concentrada demais no dedão do pé da senhora Morato. 

- Olá, Samara. Está tudo bem? – questionou-me senhora Morato, e só então percebi que continuava lhe encarando. 

Fiz que sim com a cabeça e voltei à atenção para meus deveres de casa do dia. Era uma quarta-feira e tive aulas de história, geografia e matemática. Eu detestava estudar. Sofia voltou para a sala com um ar entediado e pegou sua mochila. Ela não tinha dificuldades nenhuma para fazer seus deveres, lia tanto que se podia dizer que estava um pouco mais adiantada do que a turma de sua classe. 

- Como foi a prova de matemática, Samara? – perguntou minha mãe, sem desviar os olhos dos pés da senhora Morato. 

Ah, não, eu sabia que ela perguntaria sobre isso. Ao contrário dos meus adoráveis irmãos, eu era uma negação na escola, principalmente quando se tratava de números. Mas hoje parecia ter sido muito pior. Apesar de me esforçar ao máximo, não consegui me concentrar na prova. Ficava lendo os números em voz baixa tentando raciocinar, e toda hora a professora chamava a minha atenção dizendo-me para ler calada. Eu estava aflita, pois sabia que não conseguia ler em pensamento porque eu não conseguia ouvir meu próprio pensamento, se é que me entende. Sabe quando você pensa em milhões de coisas ao mesmo tempo e não consegue prestar atenção no que lê a sua frente? Então, era assim que eu me sentia. 

- Acho que fui bem. As aulas de recuperação estão me ajudando bastante. – menti. E no mesmo momento percebi que minha mãe sabia que eu estava mentindo. 

Não que ela tenha feito algo para eu perceber, manteve uma expressão neutra quando levantou seus olhos para mim, mas eles lhe denunciaram. Quando percebeu que eu lhe olhava de volta, baixou os olhos rapidamente para os pés da senhora Morato. 

- Prontinho, dona Neusa. – minha mãe sorriu para a senhora à sua frente e pegou um caderninho com capa estofada ao seu lado, fazendo somas mentalmente. – Sua conta está em trinta e cindo reais, vai quitar agora? 

Apesar de fazer unhas não ser um negócio lucrativo, minha mãe se dava ao luxo de deixar suas clientes pagar quando quisessem. A senhora Morato fazia seus pés toda semana por causa da unha do dedão que sempre encravava, mas ela só pagava no final do mês. 

Antes que ela desse sua resposta, me dirigi à porta e lhe abri para que um homem alto e magrelo entrasse. Ele era meu pai. Sorri abobada e joguei meus braços em seu pescoço, estalando um beijo em sua bochecha. 

- Oi, querida, tudo bem? 

Senhora Morato passou por nós e foi-se embora sem se despedir. Minha mãe já estava na cozinha dispondo os pratos na mesa. 

- Maycon! Sofia! Venham jantar! – gritou ela. 

- Rose, precisamos conversar. – disse meu pai, baixinho. 

Sentei-me à mesa e aguardei o restante da família fazer o mesmo. Maycon se sentou ao meu lado, os olhos baixos para o prato. 

- Oi, Maycon. – sorri timidamente. 

Ele olhou para mim e deu meio sorriso, depois encarou o ensopado em cima do fogão meio nervoso. Ele evitava falar comigo, e eu achava isso um tanto desconcertante, afinal, parecia mais um estranho do que um irmão. Mas eu podia compreendê-lo, afinal, estava com aquele olhar de novo. Olhos de garoto apaixonado, que fazia sua íris parecer mais escura. Ele não queria que ninguém soubesse. Os cabelos emaranhados cor de bronze entregava que estivera deitado em sua cama pensando bobagens esse tempo todo. 

Ainda me lembro de quando eu era mais jovem e Sofia ainda era um bebê. Ele brincava comigo o tempo todo. Esse tempo parece ter ficado num passado distante. Desde que sua cara encheu de espinhas, ele parecia outra pessoa. 

Mamãe e papai irromperam na cozinha e pelo rosto deles percebi que não estava nada bem. 

- Sofia! – gritou minha mãe, mais uma vez. 

Sofia finalmente apareceu e se sentou à mesa, pegando seu prato. 

- Já não disse para vir quando eu chamar? 

- Calma, mãe, estava só acabando um capítulo. 

Sofia adorava ler romances inapropriados para sua idade e guardava a lei de nunca interromper uma leitura no meio de um capítulo, vivia com os cabelos presos num coque e tinha que usar óculos de descanso para não piorar a vista. Mamãe estava brava e pouco se lixava para suas leis. Acho que ela e papai discutiram de novo. 

Começamos a comer silenciosamente ouvindo o som do noticiário vindo da TV. Assoprava minha sopa antes de levar cada colherada à boca e prestava muita atenção no prato para poder separar os legumes que eu não gostava. 

- E daí que o chefe está recrutando novos operários? Josiel é experiente e está nessa empresa há mais de cinco anos. Não vão demiti-lo. – disse minha mãe, referindo-se ao meu pai. 

Levantei a cabeça para ver com quem ela falava, mas todos pareciam envolvidos em suas sopas, inclusive papai. Voltei a comer. 

- Como se a profissão de manicure pudesse sustentar a família caso eu ficasse desempregado. Temos que ficar com os olhos abertos. – resmungou papai. 

Dessa vez não levantei a cabeça, certa de que não era da minha conta. 

- Não sei por que essa neura! Está apenas com quarenta e cinco anos. Não é um velho. Não é mesmo. – minha mãe fungou. 

- E o futuro das crianças? Se sacarmos mais algum dinheiro da poupança não sobrará quase nada para eles fazerem faculdade. E quero que meus filhos estudem para não ser como eu e Rose. 

- Eu acho que está na hora de Maycon arrumar um emprego. 

Eles pareciam falar mais alto, como se estivessem perdendo a paciência. Eu detestava discussões na hora do jantar, mas Sofia e Maycon pareciam não se importar. Sofia estava absolvida no caso de Conde Luís e Madalena e Maycon comia apressadamente para voltar ao quarto. 

- Parem! – gritei. – Por favor, não gosto quando vocês discutem. Papai, você não vai ser despedido. Mamãe, pare de fazer unhas fiado. Eu não aguento mais isso! 

Eles me encararam com uma expressão de choque no rosto. Aos poucos meu nervoso foi se dissipando e dando lugar à angústia. Detestava quando eles me olhavam desse jeito. 

- Ah, não. Eu fiz de novo, não fiz? 

E, pelo olhar de pena de mamãe, percebi que fiz. 

- Vocês sabem que eu não consigo evitar. 

De repente, minha mente se inundou de comentários sobre a novela das nove que de repente todos pareciam achar muito importante. Tudo isso para que eu não prestasse atenção com o que eles realmente estavam preocupados. 

Ah, sim, eu podia ouvir os pensamentos deles.

terça-feira, outubro 20, 2015

Animais de Estimação

outubro 20, 2015 0 Comments
Uma nova ONG foi fundada em Extrema/MG com o propósito de incentivar as leis de proteção aos animais, a Soul Animal. Quando vejo uma iniciativa dessas fico tão contente, não posso deixar de pensar em quantos bichinhos vemos sofrer na mão dos homens por aí. Minha cadelinha foi cruelmente maltratada em seus últimos dias de vida depois que sofreu um acidente que a deixou cega de um olho e manca, ela viveu apenas sete anos e não merecia o fim trágico que teve.

Acho tão triste a visão deturpada que as pessoas têm do termo “animal de estimação”. Adotar um cachorro grande para ser seu cão de guarda e deixá-lo passando frio e chuva no quintal ou privando-o de fazer caminhadas não é ter um animal de estimação. Criar um gato dentro de casa apenas para caçar ratos não é ter um animal de estimação. Pensar que apenas os filhotes fofinhos merecem sua atenção e que, quando crescem, não servem mais para se ter em casa não é ter um animal de estimação.
Seja solidário e ganhe um companheiro fiel por toda a vida. Mas, se você não tem condições de arcar com os gastos e suprir a carência de um animal de estimação, não adote! Evite que mais um ser sofra em vão.
Tem ainda os que determinam que ratos, coelhos e tartarugas (entre outros) não podem ser domesticados. E que peixes envidraçados ou pássaros engaiolados são ótimos para decorar a casa, esquecendo-se muitas vezes que existem tipos diferentes de peixes e pássaros, com necessidades diferentes, não basta colocá-lo lá e comprar a ração mais barata. A caixinha de areia, a gaiola, o aquário, o quintal precisam ser higienizados, nem todo bicho gosta da mesma ração e sua espécie de pássaro pode necessitar de uma gaiola maior e cuidados especiais.

Nesses dias soube que uma chinchila não pode sofrer emoções fortes por que tem o coraçãozinho sensível. Que o pug sofre em um país tropical como o nosso por que tem dificuldade pra respirar. E que quando uma calopsita arranca as próprias penas é por que está com um alto nível de estresse. Então, não adote um bichinho apenas pela beleza ou pela sua “utilidade”. Quem realmente ama os animais não vê essas qualidades na hora de adotar: adota por que quer cuidar dele e protegê-lo.

E esses cuidados são recíprocos: esses bichinhos vão se sentir amados e vão te amar e te proteger em todos os momentos. São um antídoto para a tristeza. Seja solidário e ganhe um companheiro fiel por toda a vida. Mas, se você não tem condições de arcar com os gastos e suprir a carência de um animal de estimação, não adote! Evite que mais um ser sofra em vão.

quinta-feira, setembro 24, 2015

Semana de Cursos da FACCAMP e Palestra sobre Fernando Pessoa

setembro 24, 2015 0 Comments
Esta é a Semana de Cursos da FACCAMP (Faculdade Campo Limpo Paulista) onde contamos com uma programação diferenciada com palestras e oficinas com professores convidados e profissionais da área, de acordo com cada curso da faculdade.

Sinceramente, a grade do curso de Comunicação Social não me interessou muito, mas, como sempre, adorei os temas presentes na grade das turmas de Letras, História e Administração, então, fiz um cronograma personalizado para mim:

Quarta-feira (23)
19h30
Um Olhar Caleidoscópico e vanguardista para a sociedade: as múltiplas personalidades de Fernando Pessoa (s)
Dra Jaqueline Massagardi Mendes
Quinta-feira (24)
20h
Cultura Celta: um dos princípios da cultura inglesa.
Dra Jaqueline Massagardi Mendes
21h
Empreendedorismo Feminino: em um mundo masculinizado, como as mulheres conquistam seu espaço?
Dr Mauro Elias Gebran
Sexta-feira (25)
19h30
Contabilidade para pequenas e médias empresas
Adriano Gilioli

A Dra Jaqueline Massagardi foi professora do meu namorado em seu curso de pós-graduação em Gestão de Pessoas, então estava curiosa para conhecê-la, principalmente por que ela é esposa de um dos integrantes da banda de rock celta Tehilim, que tive a oportunidade de prestigiar na última edição da Feira Medieval Entre Mundos, que acontece anualmente aqui na minha cidade (Várzea Paulista/SP).

Graduada, mestra e doutora em Letras (Filosofia e Língua Portuguesa), deu para perceber que gosta muito de estudar etimologia, pois durante toda a sua palestra ficava desconstruindo as palavras, recorrendo a diferentes possibilidades de significantes. Minha professora de Língua Portuguesa, Sônia Berti, também é assim.

Para compreendermos Fernando Pessoa, Dra Massagardi discorreu sobre diferentes manifestações artísticas ao longo do século XX e que antecedem ao cubismo, como o futurismo, expressionismo e dadaísmo. Além disso, fez uma espécie de psicografia dos poemas do a(u)tor (como ela gosta de chamá-lo) e falou sobre seus heterônimos (que é mais que pseudônimo). Para finalizar, deixou-nos uma reflexão sobre a sociedade multipolar e questionou-nos se não estávamos vivenciando isto no presente momento.

“A arte é um grito antecipado do povo” Jaqueline Massagardi Mendes

Identifiquei-me muito com sua pessoa, seu estilo de ministrar uma aula. Principalmente por que sempre fui apaixonada pelas palavras e, especialmente, pela língua portuguesa. Curiosamente, quando eu tinha cerca de oito a nove anos, comecei a ampliar meu vocabulário inspirada pela leitura do livro Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga, cuja personagem colecionava palavras. Assim, sempre que via uma palavra nova que me interessasse, ou que achasse muito bonita, anotava em meu caderninho e pesquisava seu significado no dicionário para transcrever à frente, além de seus respectivos sinônimos. Foi assim que o termo “todavia” entrou em minhas redações, acredito que era a única do ensino fundamental (e talvez ainda seja, agora no ensino superior) que fazia uso desta palavra tão esquecida.

Estou ansiosa para assistir a palestra de hoje, por gostar da cultura inglesa e, especialmente, da cultura celta, mas também pela palestrante. Depois, seguirei com a palestra sobre empreendedorismo feminino que, curiosamente será ministrada por um homem (sem preconceitos, juro!).

domingo, setembro 20, 2015

Andando a Esmo

setembro 20, 2015 4 Comments
Às vezes, é assim que me sinto: caminhando em círculos, correndo sem sair do lugar, andando a esmo e todas essas expressões chulas que dão início às palestras motivacionais.

Faz dois anos que estou na faculdade, mas fora a minha primeira oportunidade de estágio, não passei em nenhum processo seletivo desde então. O mesmo acontece com relação à dança, não consigo fixar-me num lugar, ver minha turma avançar de nível. Estou super triste por ter desapontado as minhas alunas, que estão comigo desde o início do ano. Com os eventos não é diferente: difícil formar um público. Também tentei trabalhar de forma autônoma, arrumar alguns serviços freelancers, iniciar projetos ligados à dança e/ou literatura em espaços culturais, bibliotecas, escolas públicas. Nada.

Sinto falta de ter meu próprio dinheiro. Comprar as coisas que cobiço. Ser mais independente. Queria poder ajudar mais a minha família. Recompensar todos os esforços que a minha mãe já gastou comigo. Finalmente tirei a minha habilitação para dirigir, com o pensamento positivo de que conseguiremos pelo menos um carro velho e usado para quebrar um galho: levar minha mãe para fazer despesas pra sua mercearia, não vê-la mais carregando as coisas nos braços; fazer em vinte minutos o trajeto da minha casa ao studio de dança que levo quase duas horas de ônibus; em finais de semana quentes como este, fazer um passeio com a minha família.

Prometi a mim mesma que iria começar a cultivar novas amizades, e estou fazendo isso. Marquei presença na casa de diferentes amigas neste mês, coisa que não fazia há séculos. Mas não posso convidar ninguém para vir a minha casa, por problemas com a infraestrutura do meu bairro.

Eu e o meu namorado estamos planejando morar juntos. Será uma boa ele ter seu próprio cantinho, ele tem condições para isso. Mas não sei se quero ir com ele. Não para ficar nas custas dele. E por que eu sempre quis sair de casa para ter o meu próprio canto, não pra ir pra casa de outra pessoa. Além disso, ele e a minha mãe não se falam, e é horrível me sentir como se estivesse escolhendo entre um e outro.

Não gosto quando decepciono as pessoas. Ou quando tentam se aproveitar de mim. Fico péssima quando brigam comigo. As coisas não estão legais na faculdade, sempre fico sobrando na hora de formar um grupo de trabalho. Também não estou evoluindo no inglês, a escola é ótima, eu que sou péssima com isso, e não está sendo nada barato fazer este curso. Apesar de receber elogios dos professores de que minha produção está na média esperada, gostaria de fazer melhor do que isso. O limite, para mim, é a nota máxima. Não gosto desta coisa de média.

Se eu não tivesse a ajuda de terceiros, não estaria mais na faculdade agora, e isso me envergonha, pois me sinto na obrigação de fazer as coisas direito, como se tivesse ganho uma dessas bolsas do governo. Tenho poucos amigos sinceros. Mas não dá para contar com eles pra tudo. Às vezes tudo o que eu queria era ter alguém pra conversar sobre tudo, sem omitir informações, esconder meus sentimentos com receio de receber julgamentos.

Acho que não tenho ninguém assim.

Às vezes dá vontade de desistir tudo. Ficar na cama e esquecer que existe um mundo lá fora. Desistir da dança. Desistir da literatura. Desistir dos relacionamentos. Meu namorado diz que não tenho amigos por que sou chata. Acho que ele está certo. Podia desistir do namoro também, poupá-lo da minha chatice.

Desistir de viver, quem sabe. Mas não posso, não quero decepcionar as pessoas. Quero que meus pais me vejam formada. Quero poder acompanhar meu namorado numa viagem ao exterior. Minha eterna professora de dança ficaria muito triste se me visse desistir de tudo que ela me ensinou.

Acho que a diferença quando você é financeiramente independente é que não deve satisfações a ninguém do que faz com o seu dinheiro. Poderia ter reprovado no exame da habilitação sem receio por que quem pagaria um novo exame seria eu, por exemplo.

Mas não posso, não posso, não posso.

Não posso amar as pessoas que eu quiser.
Mas ninguém me ensinou a receita para esquecer.

Uma vez eu fiz uma lista de coisa para fazer quando me sentisse depressiva. Ler, dançar, ouvir música, comer chocolate, tomar sorvete, beber algumas taças de vinho, aproveitar o ar livre, ficar sozinha sem nada cortante por perto. Não tomar decisões, não falar com ninguém, evitar sair de casa, principalmente para tarefas importantes.

Às vezes funciona, às vezes não. Desta vez não funcionou, já fiz merda. De qualquer forma, no final tudo passa, pelo menos fico mais racional. O jeito é esperar essa razão me preencher e torcer para que no mês seguinte esse turbilhão de sentimentos não me abale novamente.

quinta-feira, setembro 17, 2015

Organizando meus Livros

setembro 17, 2015 0 Comments
Acordei inspirada! Passei o dia desencaixotando meus livros, cadernos, CDs, DVDs e games, tirando a poeira deles e organizando-os decentemente na minha prateleira improvisada.




Na falta de uma boa estante de livros e uma escrivaninha, habituei-me a guardá-los em caixas e usar o notebook no colo. Mas, justo eu que prezo por uma boa organização, me vi descontente com a situação em que meus arquivos e documentos se encontravam. Por isso, fiz uma boa limpeza em meu quarto e levei-os para outro cômodo, onde uma estante de ferro e uma velha mesa de cozinha jazia sem uso.

Comédias românticas, em especial os títulos de Meg Cabot, Marian Keyes e Sophie Kinsella; literatura infanto-juvenil; livros didáticos de literatura e língua portuguesa; livros técnicos sobre fotografia, administração, psicologia e comunicação; revistas femininas que marcaram minha adolescência, como a Atrevida, Capricho e, do início da juventude, a Gloss; CDs e DVDs de músicas, filmes, peças de teatro; minha coleção de The Sims, meu jogo favorito; e o mais importante de tudo: meus rabiscos, rascunhos de livros, enquetes do tempo da escola, cadernos de lugar-comum, diários escritos a mão desde meus seis/sete anos de idade e, minha maior motivação, os últimos exemplares do meu romance publicado.


Deu um up na auto-estima ver meus tesouros, minhas fontes de inspiração, enfileiradinhos numa das prateleiras da estante. Ainda está um puco bagunçado, ficou faltando duas caixas para desempacotar, mas só de avistar os títulos já estou feliz da vida.

sexta-feira, setembro 04, 2015

Manicure de Luxo

setembro 04, 2015 0 Comments

Está difícil encontrar boas profissionais em unhas. Muitas manicures trabalham em casa, por gosto; para agregar a sua função principal como cabeleireira, em salões de bairro ou trabalha nos salões dos outros para contar com uma renda extra. Todavia, não buscam investir na área, fazer algum curso de formação ou aperfeiçoamento ou até mesmo comprar as ferramentas certas para o ofício. Acredito que isso se aplica a outras profissões da estética, mas a pauta aqui são as manicures. Li uma vez que o mercado de beleza é um dos que mais fatura no Brasil, mas, sinceramente, também é um dos que mais peca quando se fala em profissionais qualificados.

Certa vez, cansada de jogar dinheiro fora, procurei um centro de estética especializado para fazer minhas unhas pelo dobro do preço que eu pagaria num salão de bairro. Cheguei no horário marcado, a recepcionista me pediu para preencher uma ficha de cadastro e aguardasse. Em seguida, me levaram para fazer um tour no espaço antes de me deixarem na sala da manicure, onde mais uma vez me aconcheguei no sofá para esperar a minha vez.

Logo de cara, surpreendi-me por que ela era uma senhora. Dificilmente vejo manicures com mais de cinquenta anos atuantes no mercado, mas o preconceito traiçoeiro não demorou a bater na minha porta: “quanto mais velho, mais experiência tem, não?”. Resolvi fechar os olhos e entregar minhas frágeis mãos àquela doce senhora, e a primeira coisa que ela me contou foi que começou a trabalhar depois que se aposentou, para matar o tempo.

Começo sempre da direita para a esquerda! Da direita para a esquerda!", repetia sem se cansar. Do mindinho da mão direita para o dedão. Do dedão da mão esquerda para o mindinho.

Terminado a preparação básica das unhas, ela me mostrou sua vitrine de esmaltes. Uma espécie de mostruário de rodinhas com quase um metro de altura, os esmaltes enfileirados e organizados pela marca e por ordem crescente da cor.

Quase uma hora depois, chegou a vez dos pés, e esta foi ainda mais aterrorizante. A senhorinha havia comprado umas geringonças em São Paulo para facilitar seu trabalho e deixar a cliente mais confortável. Então, deitei-me numa maca, ela se apossou de um capacete com uma lente de aumento que se encaixava sobre seus óculos e começou a lixar minhas unhas. Seus olhos ficavam enormes naquele treco e eu tive que conter para não cair na risada.

Terminado o serviço, preenchi outra ficha de satisfação, avaliando o trabalho da manicure e da clínica. Fui até o caixa para pagar a conta com a minha notinha e antes de sair, levei um saquinho com panfletos promocionais, entre outras coisas. Não voltei mais. Mas a ficha de inscrição me rendeu ligações constantes durante alguns meses.