Delícias de Soraia: A Primeira Vez

Quando Nágila e eu nos aconchegamos na cama, fiquei nervosa. Senti aquele friozinho na barriga típico de quem é virgem. Mas aquela não era a minha primeira vez.

Tá legal, aquela era a minha primeira vez com uma mulher. Da mesma forma que Nágila se sentiu despreparada e confusa quando fez sexo anal pela primeira vez. Mas, o que nunca havia se passado pela minha mente antes, Nágila tinha prática em transar com mulheres e, portanto, facilitaria as coisas para mim, tolerando minha inexperiência. 

Ela sabia que dividir uma ou duas doses de uísque comigo era o suficiente para eu não ficar tão tímida no momento. 

Enquanto se despia, Nágila sorria maliciosamente para mim. Fiquei tão hipnotizada com seu jeito de tirar as roupas e mostrar aos poucos o seu corpo nu que me esqueci de me livrar das minhas. Nágila era linda nua. 

Quando trocávamos de roupa perto uma da outra ou quando ela pedia minha ajuda para espalhar o creme na pele, sempre admirei seu corpo. No início pensei que era inveja, mas depois soube que não. Eu adorava o tom moreno da sua pele, mas também apreciava meu tom rosado e não queria mudar de cor. Então, simplesmente soube que lhe admirava. 

Porém, nesse momento, eu estava lhe vendo com outros olhos. Não era admiração e sim, atração. Eu estava lhe desejando. Nossa, e como! Como eu queria lhe tocar. Logo, percebi que estava ficando excitada, e que minha expressão revelava isso de alguma forma, se não Nágila não estaria me respondendo com um beijo enquanto me despia, ansiosa. 

Sentia-me um pouco constrangida, mas nada que pudesse me tirar a ideia de curtir aquela noite quente. Já nuas, com os corpos lado a lado na cama, Nágila olhou-me com um jeito provocante, com um sorriso doce na ponta dos lábios, enquanto afastava alguns fios de cabelo dos meus olhos, dando-me selinhos ternos e demorados. Minha vontade era de fechar os olhos, mas queria olhar-te, ao mesmo tempo, e me senti envergonhada demais para abaixar a cabeça e analisar seu corpo. 

Do meu rosto, sua mão desceu para um dos meus seios, o qual acariciou de leve. Não pude evitar que eles inchassem e apontassem para ela. Isso funcionou como um convite, pois logo sua boca escorregou pelo meu queixo, demorou-se em meu pescoço, mordiscando de leve minha orelha e então, abocanhou meu seio e lhe chupou o suficiente para me arrancar uns gemidos e não segurar o ímpeto de prender seus cabelos em meus dedos. 

Para meu espanto, a boca de Nágila tornou a descer, parando em meu umbigo. O prazer aumentou, mas eu ainda desejava mais, só não sabia como pedir. Quando Nana começou a descer lentamente, não aguentei e pedi que parasse. 

- Ei, relaxa Soraia! Não tenha medo. – disse ela. 

Não é a toa que dizem que somente uma mulher pode saber verdadeiramente o que outra mulher quer, pois quando Nágila me tocou com a língua eu quase explodi. Então, lá estava ela, entre minhas pernas, fazendo círculos com a língua e colocando-a de leve dentro da minha vagina, e o mais impressionante de tudo, soprando-a, proporcionando-me sensações de refrescância. 

Eu me segurava nos lençóis da cama, totalmente descontrolada, quando ela veio ao encontro dos meus lábios novamente. E então, sem nada dizer, pegou minhas mãos e passou contra seu corpo inquieto, que se encontrava em cima de mim. Ela não precisava dizer nada, eu sabia o que queria. Então, cautelosa, toquei-lhe com o dedo, fazendo círculos no clitóris. Depois, coloquei um dedo dentro dela. Insatisfeita por não preencher o espaço, coloquei mais um. Surpreendi-me quando ela me pedisse que colocasse em outro lugar, Ela se referia ao seu anús. 

Ouvir seus gemidos contra o meu ouvido enquanto ela expressava seu prazer me arranhando era uma delícia. Porém, eu estava certa de que não era nem de longe sua melhor parceira de cama. 

Deliciamos-nos com carícias a noite inteira. Nágila conseguiu fazer com que eu relaxasse e me pediu que eu fizesse tudo o que sentisse vontade. Mas mesmo vendo que ela estava gostando, ás vezes eu me sentia uma idiota, com medo de não estar fazendo certo. 

Afinal, Nágila curtia vários apetrechos sexuais, como algemas e loções que transmitiam sensações diferentes. Quando dormimos, estávamos exaustas, mas eu me sentia leve e em paz. Talvez por que não sentiria ardência ao usar o banheiro na manhã seguinte. 

Sem dúvidas, namorar uma mulher era bem mais curioso, prazeroso e relaxante. Pois uma sabia o que a outra sentia, então os segredos se desfaziam. Uma mulher não.

. . .


Abri os olhos antes dos primeiros raios de sol alcançarem o céu, aquela sensação gostosa pós-sexo percorrendo meu corpo, nada aquela dorzinha incômoda no pé da barriga. Ao meu lado, o corpo esguio da Aline se aquecia junto aos meus, seus cabelos negros, tão cheirosos, fazia cosquinha na minha orelha direita. Ela era linda dormindo. 

Então, a consciência me atingiu em cheio: Deus, eu sou lésbica! Isso não parece certo, sou cristã. Ok, não sou uma católica devotada, mas lembro-me de ter feito catequese quando criança. Além disso, eu amo o Mateus. Não amo? Então, acredito que isso faz de mim apenas uma simpatizante. É isso. A Aline é minha melhor amiga, é natural me sentir atraída por ela. Não é? O que tivemos ontem foi tão bom... acho que eu faria de novo. Faria, sim. Então talvez eu seja bissexual!! Nossa, esse termo não é nada bonito... soa tão mal. 

- Soraia? Você ta legal? – Aline me encarava com o rosto amassado contra o travesseiro, seus olhos de amêndoas doces brilhavam de ansiedade. 

- To! Claro! – respondi de prontidão, tentando soar o mais verídica possível. 

Um sorrisinho malicioso despontou na ponta de seus lábios. 

- Então porque está fazendo careta? – disse ela, me enlaçando com mais força. - Você sempre faz caretas quando pensa demais. 

Se fosse uma gatinha, estaria ronronando de prazer. 

- Estou pensando qual o melhor rótulo para o meu caso recém-descoberto. – sincera, desviei os olhos envergonhada, minha boca querendo sorrir, mas eu não permitia. 

Sem resistir, Aline soltou uma risada gostosa, talvez um pouco estridente. 

- Relaxa, ruivinha. Não precisa pensar nesses paradigmas idiotas. – seguiu-se alguns segundos de silêncio para que eu me reconfortasse. - Vou fazer um café pra gente! – dito isso, ela me pegou de surpresa num selinho rápido e molhado e se levantou. 

Sem me conter, admirei a maneira como o shorts do pijama se agarrava às curvas do seu quadril. Mordisquei o lábio, passando a língua por onde sua boca havia encostado na minha. Mais uma vez, aquela sensação deliciosa percorreu o meu corpo... eu estava apaixonada.

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