Redenção

Acho que começou na sexta, dia 29 de junho, e logo logo terá se passado um mês e nada de eu melhorar. Eu estava num misto de sentimentos, ansiosa com o festival de dança da escola onde dou aulas - que teve todos os motivos para não acontecer, mas aconteceu e foi muito lindo - e emocionada com a minha primeira hospedagem pela Dog Hero, uma shitzu carioca que passou um final de semana inteiro conosco. Mas eu estava doente demais para curtir todos os momentos. Começou com um cansaço, seguido de febre, que virou resfriado. Não senti dor alguma, mas fiquei indisposta demais para seguir com meus compromissos pelo final de semana. Depois, tive que cancelar os compromissos do meio da semana: assim que me senti melhor, meu moreno que sucumbiu (gosto de pensar que ele precisa de mim, mas acho que na realidade ele é apenas a minha melhor desculpa).

Eu resolvi adiar as minhas pendências com a faculdade até o festival de dança. Até me permiti curtir e relaxar um pouquinho numa viagem, nossa tentativa de fuga. Mas, efêmera como qualquer sentimento de felicidade, tudo passou. E minha cabeça começou a ter mil motivos para se preocupar, a ponto de me tirar o sono. Junto a isso, outros problemas acumularam-se e, enfim, estamos estressados. Tudo bem ficar estressado, sabíamos que esse momento chegaria. O momento de parar de sonhar. Todavia, isso afeta meu rendimento no trabalho, e meu relacionamento com alunos, clientes e parceiros. E eu sinto muito por isso. A maior parte do meu trabalho exige que eu seja criativa, que eu pense, mas, se estou improdutiva, como é que eu vou fazer isso?

Veja bem, eu e meu moreno passamos por muitos altos e baixos nesses dois anos morando juntos. No início de 2016 eu até que estava bem, mas fiquei sobrecarregada no trabalho e acabei pedindo demissão, e também da faculdade, coisa que terei que encarar agora para resolver. 2017 foi um ano bom, consegui me focar no TCC e nos eventos, comecei a dar aulas numa escola de dança, me mantive motivada a empreender e atuar como autônoma. Agora, neste ano, apesar de N realizações, também tivemos muitos contratempos, pessoais e profissionais, e nos apegamos mais do que nunca um ao outro. E eu estou fragilizada, sabe? Então qualquer coisa me machuca, me faz sofrer, me faz sentir quebrada de novo. Relações sociais são difíceis para mim, por que cada vez que eu escolho confiar em alguém eu estou correndo um risco de me decepcionar de novo. E o pior é que não importa quantas pessoas me dizem coisas boas, eu só consigo me enxergar como a vilã da história. Só consigo me sentir culpada.

Acho que foi meio por aí que comecei a fazer maratona na Netflix e, olha só, lá se foi um mês.

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