Jornalismo nas Mídias Digitais: o caso Folha

Em 8 de fevereiro de 2018, a Folha de S. Paulo, o maior jornal brasileiro na rede social, com mais de 5 milhões de seguidores no Facebook, fez sua última publicação em sua página oficial com um link para uma matéria onde informa aos usuários que deixaria de atualizá-la.



Como justificativa, a declaração cita o Projeto Editorial do jornal:

“As redes sociais, que poderiam ser um ambiente sobretudo de convívio e intercâmbio, são programadas de tal modo que estimulam a reiteração estéril e hábitos e opiniões preexistentes”

É fato que a redução da visibilidade do jornalismo profissional no Facebook - cujo algoritmo privilegia conteúdos de interação pessoal em detrimento dos distribuídos por páginas comerciais, organizações bem como veículos de comunicação - favorece a criação de bolhas de opiniões e convicções; afora que poucas pessoas que visualizam um link em sua linha do tempo tem a predisposição de acessar a matéria completa antes de publicar um comentário ou compartilhar o conteúdo, norteando discussões sem o mínimo de embasamento e, muitas vezes, contribuindo com a propagação de fake news e fontes duvidosas.

Cabe esclarecer que redes como o Facebook não tem como prioridade transmitir informações qualitativas, mesmo com os recursos de verificação e outras ferramentas que a plataforma disponibiliza, como toda rede social, o Facebook tem como propósito possibilitar a interação entre os usuários, o que foi visto pelas marcas como uma ferramenta de marketing para aproximar-se de seus seguidores - é uma nova linguagem em outra dimensão, um espaço que não permite formalidades, que necessita do feedback dos usuários. São conteúdos efêmeros, que precisam estar sempre em movimento.

Com isso em mente, independente do alcance das publicações não monetizadas no Facebook serem desfavoráveis para os veículos de comunicação, manter as redes sociais atualizadas é fundamental para o relacionamento entre o usuário e a marca, visto que nenhum outro jornal de grande porte seguiu a opção tomada pela Folha. Para muitos, tal posicionamento indica que o veículo é seletivo com seus leitores, o que não passa de uma demonstração clara de superioridade.

Como agentes de comunicação, precisamos acompanhar as atualizações midiáticas e nos adaptarmos às plataformas sociais. Em resumo: precisamos estar onde as pessoas estão, e, mais do que nunca, as pessoas estão nas redes sociais. Ao abster-se do Facebook, o jornal não levou em consideração os seguidores que acessavam a página para se manterem atualizados, independente de suas publicações aparecerem em suas linhas do tempo.

Comentários

+ Lidas