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quinta-feira, fevereiro 07, 2019

Vivendo de Freela

2 anos se passaram desde que escrevi este post, sobre trabalhar em casa. Depois, veio este, sobre empreendedorismo. Aprendi bastante coisa desde então, tive vontade de desistir muitas vezes, mas sigo em frente, persistindo. O que para muitos é uma renda extra, para mim virou meu ganha-pão.

Hoje eu tenho uma lojinha pro no Enjoei (isso significa que a minha loja é verificada e administrada pela equipe do Enjoei), hospedo cachorrinhos e gatinhos pela DogHero (conto um pouco sobre aqui), trabalho com dança de forma autônoma e pela Alma Dançante Studio, faço parte da equipe de produção da Feira Entre Mundos, produzo meus próprios eventos e cursos de forma autônoma, sou assessoria de mídias digitais do atelier Lehonora Tribal e também do mago Jorge Puente (cujo canal alcançou, neste ano, 10 mil inscritos o/) - o que significa editar vídeos, fazer fotos, criar layouts e, principalmente, estar disponível. Por vezes pego serviços avulsos de edição, foto e vídeo, incluindo para a Alma Dançante Studio, para o evento regular Tribal Beach e para outras dançarinas, artesãs e etc, faço com o maior prazer, mas tenho preferência em trabalhar com clientes regulares, mediante contrato - e é incrível como as pessoas se assustam com a ideia de fechar um contrato, sendo que seria muito mais vantajoso para elas mesmo. Ah, pasmem, também me chamaram para trabalhar num casamento - dos convites à fotografia - uma experiência totalmente nova para mim.

Como se não fosse pouco, eu me rematriculei na faculdade este semestre e entrei para um grupo de teatro e circo - o Varietè Cultural. Já falei deles aqui, lembram? Logo que me mudei para Jundiaí, prestigiei uma das apresentações inaugurais do grupo. Estou muito contente em poder trabalhar com eles neste ano, tenho certeza que será uma experiência de muita aprendizagem. E, claro, como boa mídia, de qualquer forma vou acabar dando um suporte nesta área também. E esse é o ponto que eu queria chegar: conversando com outros autônomos, freelancers e profissionais liberais, percebi que uma das nossas maiores dificuldades é essa: fazer com que os outros entendam que se trata do nosso TRABALHO, não de um hobbie, e por isso não podemos fazer FAVORES, pois isso não vai pagar as contas (bem como ficar aceitando permuta, apesar de tentador).

auto-ajuda
Mas é difícil, muito difícil, não trabalhar de graça. Principalmente quando você está com o dia vago, quer ocupar o tempo, e sabe que aquela pessoa está precisando dos seus serviços, mesmo que ela mesma não saiba disso - ou não dê tanta importância para isso. É difícil não ceder horas de consultoria, para no final não fechar um contrato. Eu ainda estou aprendendo a dizer NÃO quando necessário, mas isso me faz sofrer tanto... dói, de verdade. Ser convidada para um evento e ouvir "leva sua câmera!". Ser lembrada apenas quando precisam de você. Digo que não tenho amigos - eu tenho clientes, aprendizes, parceiros. Quando estou na m*rda, não tem ninguém para dar uma mão. A gente combina, "vamos marcar!", e fica por isso mesmo.

O lado bom é que estou mais organizada financeiramente. Fiz um poupança e ando pesquisando sobre investimentos também. Penso antecipadamente. E quando quero gastar, penso em como posso ganhar um dinheiro extra para poder gastar. Mês passado eu sabia que não ia ter dinheiro neste mês, e quando a gente sabe, bate um desespero, a gente já pensa no que vai precisar cortar. Então eu me permiti sair, comer, beber, porque eu sabia que ia ficar dura nesse mês. Minha expectativa de um bom rendimento agora é só para abril, para vocês terem uma ideia. Mas tem um evento em março e eu queria tanto ir. Também quero tanto gastar comigo mesma - ir num salão, comprar umas roupas novas, fazer uma tattoo. Se por acaso surgir algo nesse meio tempo... se não, ficarei só na vontade.

Prometi para mim mesma que não vou mais produzir eventos sem um rendimento de pelo menos 20%. Não é justo comigo, não é justo com o espaço. E por mais que eu ame essas experiências e dê muito valor no trabalho dos artistas e instrutores convidados, eu sei que eles precisam do dinheiro tanto quanto eu, mas eu não posso abrir mão. Não posso. Se não for nesses termos, de todo mundo ganhar  um pouco, mas pelo ganhar, eu não faço mais. E isso se chama pensar no coletivo. Eu aprendi muito trabalhando na Feira ano passado. E estou feliz de entrar para um grupo como o Varietè pelo mesmo motivo: de trabalhar em grupo. Se não há esse comprometimento, não tem por que eu quebrar a cabeça e me estressar à toa.

calendário de mesa porque não basta celular, computador e planner

quando o dia está difícil, a gente liga o som

Meu marido adora ouvir podcasts, e outro dia ouviu um sobre "jobs arrombados", que significa trabalhos que não valem a pena - no mínimo. Eu peguei isso e adaptei para a minha realidade. O que posso dizer é que depois de certo tempo você desenvolve um feeling, aprende a notar quando se trata de um job arrombado, segue a listinha:
  • Se tem muito blá blá blá, não vai dar em nada;
  • Se tem receio de assinar um contrato é porque não quer se comprometer;
  • Nota para mim mesma: não começar um trabalho sem o primeiro pagamento, por mais que o potencial cliente diga o quanto é urgente para ele. Por que terminamos assim: trabalhando de graça e frustrados.
  • Sobre pechincha: NÃO, peloamor. Nós já fazemos o serviço abaixo do valor de mercado e facilitamos o pagamento, por depósito, boleto bancário, cartão de crédito, etc etc. É esse valor e ponto, sem conversa.
Uma coisa que eu ouvi na primeira agência de marketing e comunicação que trabalhei e carrego comigo até hoje: enquanto o cliente pensar no seu serviço como um gasto e não como um investimento, ele não vai dar valor no seu trabalho. Se as coisas apertarem, o mínimo que seja, você é o primeiro a ser cortado. Tá ruim para todo mundo, eu sei, mas, gente, só pede um serviço/aula/performance se puder pagar, simples assim.

please

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