Follow Me @bymelissaart

domingo, maio 19, 2019

O IFSP Jundiaí e eu

maio 19, 2019 0 Comments

Depois de quase 3 anos trabalhando de forma autônoma, me inscrevi numa vaga de estágio em Comunicação no Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia de São Paulo câmpus avançado Jundiaí. Apesar de ser uma escola presente em todos os estados brasileiros, ainda é pouco conhecida. Os IF's oferecem ensino técnico, superior e pós-graduação. O câmpus Jundiaí ainda não possui prédio próprio, chegou na cidade em 2014, e por enquanto oferece ensino médio integrado ao técnico e técnico para jovens e adultos, além dos programas e projetos vigentes na instituição. Fica localizado no Complexo Argos.

Como estagiária de Comunicação, eu escrevo notas para o site e Facebook, cubro os eventos do câmpus e coordeno um projeto de jornal escolar com os alunos. Também tenho a intenção de oferecer oficinas e workshops abertas ao público e estabelecer um projeto de dança étnica contemporânea como forma de comunicação corporal. Iniciei há pouco mais de um mês e ainda estou me adaptando com a rotina, os processos, fazendo reconhecimento de como as coisas funcionam por lá, mas já posso dizer que estou gostando bastante da experiência.

O jornal InFormAÇÃO é feito pelos alunos do ensino médio integrado ao técnico de Logística
Os trabalhos dos alunos ficam em exposição em todo câmpus

O saguão é onde se concentram durante os intervalos
Abri mão das aulas de dança e dos freelas para poder cumprir meu estágio de meio período, parece pouco, mas dedico a mesma energia que com um emprego de período integral, afora que tenho feito o deslocamento a pé, e é bem desgastante. Inevitavelmente, acabo levando trabalho para casa, e somando com os deveres da faculdade. Estou fazendo aulas todos os dias a noite, e tutoria aos sábados. Ou seja, nada de folga.

De certa forma, eu estava sentindo falta disso. Trabalhar na captação de clientes é muito estressante, e por enquanto eu não tenho a intenção de voltar a trabalhar em agências ou redações de mídia. Sempre visei trabalhar com comunicação interna ou educação. No Instituto eu somo ambas as experiências. E ainda se trata de uma organização pública - o que não é muita novidade para mim, considerando que eu sou casada com um servidor municipal da Educação, mas já dá para ter uma ideia de como seria se eu prestasse um concurso.

A biblioteca Clarice Lispector tem mesas de estudos e acervo de livros, revistas e jornais

Afora as salas de informática, também tem computadores de livre acesso na biblioteca
Na última semana tivemos uma palestra sobre depressão e ansiedade com uma psicóloga voluntária
Na primeira semana eu estava super agitada, correndo contra o relógio, sendo que lá os prazos funcionam de uma forma diferente. Agora posso dizer que estou me organizando melhor, mas ainda preciso acertar os horários. Uma coisa boa é que estou mais sociável. Percebi o quanto estava antissocial antes do IF, não falava com ninguém na faculdade, não interagia nas aulas, nem com os professores, ficava de cara fechada. Até saí de um grupo e quase deixei de entrar em outros. Depois de iniciar o estágio, comecei a puxar papo, responder perguntas em voz alta, pedi humildemente para as meninas me incluírem no grupo delas, e agora as coisas tem caminhado de forma positiva.

Minha mente sempre volta ao que aconteceu no primeiro semestre de 2016. Não quero que aquilo se repita.

Minha trajetória na educação pública

Estamos vivendo um período político importante para a história do país, e refletir sobre as ações do governo faz parte deste processo. A educação está sendo impactada de forma negativa e a situação por se agravar se o corte de custos for mantido no próximo período. O Instituto Federal suspendeu atividades por tempo indeterminado e muitos câmpus podem vir a fechar as portas até setembro. Diante deste cenário, professores, estudantes e pesquisadoras fizeram uma greve na última quarta-feira, mobilizando escolas de todo o país.

Confesso que eu não costumo ir as ruas e participar de manifestações, mas apoio a iniciativa, de verdade. Para quem pensa que o ato político não leva a nada, a meu ver, serve ao menos para conscientizar a população. Uma coisa somos nós, envolvidos na educação, que estamos vivendo e sentindo na pele este momento, mas acredito que muitos nem estavam cientes dos cortes na educação, ou nem compreende os prejuízos de fazê-lo.

Instituições particulares também se juntaram a causa, até porque de certa forma também sofrerá as consequências disso, principalmente na verba dos bolsistas. Hoje eu faço faculdade particular, mas estudei a vida toda em escolas públicas municipais e estaduais. O primeiro ciclo no ensino fundamental tive numa escola municipal em Extrema-MG, o segundo fiz uma estadual em Várzea Paulista-SP. A diferença da qualidade e condições de ensino são gritantes, principalmente quanto a superlotação das salas de aulas e as estruturas degradantes. Ainda assim, prezo pelos bons professores que me orientaram toda a vida.

Confesso que um dos motivos que me fez optar pelo curso de Comunicação ao invés do de Letras foi porque eu não conseguia me ver atuando como professora na rede pública. Minha remuneração como estagiária não é suficiente para cobrir minhas despesas com a faculdade, um dos motivos de eu ir a pé é poder economizar o vale transporte. Mas, se para mim parece ruim, para os professores é ainda pior. Os salários e benefícios oferecidos não são compatíveis com o tanto de esforço e empenho que eles dedicam para lecionar. Na rede estadual chega a ser vergonhoso.

Apesar das minhas opções de estudo, tenho cobiçado fazer um mestrado, e não sei como poderia tornar isso possível sem uma bolsa. Não entra na minha cabeça como pode haver cortes do orçamento diante de tanta carência de recursos. Escolas estão sendo fechadas, alunos estão perdendo as esperanças de estudar, muitos já desistiram dos estudos em favor da necessidade de trabalho. Esses cortes só vão contribuir para a desigualdade social no país.